Isso aqui é papo de estudante, concurseiros. Sabe quando você fica falando sozinho, procurando respostas? Pois é...dia desses estava assim...no máximo de um stress e procurando meus erros, enquanto o maridão dava pulinhos de alegria com minha ultima pontuação num concurso que fiz. Apesar de uma excelente pontuação, não entendia tanta alegria vinda dele, afinal, nem havia gabaritado e ainda cometi erros primários em questões primárias. Errar apenas duas questões em cada tópico é o limiar entre a aprovação e a classificação num concurso de apenas 3 vagas. Mas será que me cobro muito? Ou tem que ser assim mesmo, um processo eterno de estudos, acertos e erros?
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Faz tempos que não sintonizava em "O Aprendiz", programa da cavalgadura Roberto Justos. Nas primeiras edições do programa até assistia, incentivada pelo meu irmão, que é administrador e fez pós e mestrado em marketing - um cara altamente corporativo e chato no seu corporativismo. E até que gosto desse mundo de poucas palavras e muito foco em objetivos, cronogramas, resultados e prazos. Mas, semana passada, mexendo no controle da tv, me deparei com um quizz ridiculo, que desafiou minha burrice mental. Apesar de que, eu juro que não sabia ser o holandês uma das linguas oficiais da América do Sul, bem como a ordem cronológicas dos últimos ministros. Mas àquele programa é uma disputa tão soberba e tão repleta de vaidade que os candidatos erram as perguntas mais simples. Mas, numa coisa o Justos está corretissimo: como pode alguém pretender ser um grande executivo se não tem o minimo de domínio de cultura e conhecimento geral? Foi o que ele argumentou a um dos candidatos que estava na berlinda.
No final, Justos não é tão injusto assim, nem tão cavalgadura assim. Apenas um empresário, como tantos outros que por ai existem e que sabem o valor e o quão necessário se faz: o conhecimento. Se você quer ser o melhor, tem que procurar ser o melhor, sem esquecer de você mesmo - complementaria. Mas não é devorando tudo de uma vez que você vai tirar o melhor de si. É um processo lento, de dia-a-dia, de horas dedicadas e algumas anulações no meio do caminho. E isso é phoda.
Willian Douglas é um juiz-federal; daqueles caras que possui propriedade de falar sobre concursos públicos, sobre vitória, derrotas, depressões, pois é o cara que passou em quase todos os concursos que fez e teve que vencer a si mesmo em vários momentos. E eu gosto de ler os textos dele, pois tem horas, como universitária, estagiária, concurseira, dona-de-casa, mulher, esposa...que dá vontade de fraquejar, pegar o carro e sair por ai viajando no próximo final-de-semana - coisa que mais amo fazer. Mas, ando muito águia.
Dia desses, mostrei um artigo de Willian Douglas a três amigos meus. Todos os três extremamente estressados por algo que aconteceu em setores distintos de suas vidas; trabalho, estudo e relacionamentos. Usei o artigo abaixo, que é destinado inicialmente aos concurseiros, por ser aplicável a todos os setores de nossas vidas. Ele fala de focos, determinação, seleção e muitas vezes, anulação. Mas, nada do que tão bem descreve Douglas, valeria a pena se não tivermos apoio. Não adiantaria nunca querer ser águia, se vivo dentro dentro de eternos galinheiros com pessoas que adoram fazer cocoricó. "Alguém no mundo, precisa me entender" - falou uma amiga recentemente após perceber que não havia paz na sua dedicação em estudos para prova de OAB. E apresentei à ela um outro texto de Douglas que fala de um cara que sobreviveu ao galinheiro; um feedback que Douglas teve de um dos seus seguidores - um grande exemplo, por sinal.
Mesmo assim, o apoio da família, dos amigos, faz o grande diferencial para que nossa fortaleza seja de pedras. Mas, e se você não tiver? Vai desistir? Trabalhar, estudar e ainda ter uma familia para cuidar, é punk...é de pirar o cabeção, mal dá para exercer o lado de amante. E quando você pega mais de uma condução para chegar ao teu trabalho, tem um chefe chato, um atividade estressante e ainda vai direto para a faculdade? Quando sai da faculdade depois das 23:00 horas, chega em casa mais de meia-noite e ainda encontra reclamação? Nossa...tem que ser corajoso e determinado. E a maioria dos universitários que estudam a noite, tem uma rotina assim. Quando se é mulher, tudo fica mais dificil, complicado - tem sempre um filho pedindo atenção e um marido mandando você lavar a cueca dele...
- Impossivel, é Deus pecar. Diria minha avó.
Temos que vencer a nós mesmos o tempo todo, imagine então, o quão difícil é vencer também àqueles que não tem a mesma visão que a nossa, ou a comunhão de objetivos? Como vou explicar para meu marido que tenho aula num sábado de um feriado prolongado se ele não comungar com os mesmos objetivos que o meu? No mínimo, entender os meus objetivos que vão além das tarefas domésticas? Mas, homem parceiro é foda...sempre vai olhar a bruxa como princesa, vai dizer que àquele cheiro de alho nas mãos lembra o perfume preferido e ainda vai dar fazer um shiatsu e preparar teu escalda pés. Ele, sempre vai dar um jeitinho no teu UP. E ainda é capaz de discutir assuntos que não domina só para que você não desista. E de vibrar por você, enquanto você ainda procura seus erros.
Como universitária, estagiária, concurseira, dona-de-casa, mulher, esposa...posso dizer: Cansa. E uma noite perdida jamais será recuperada em saúde. É o ônus de uma escolha profissional. Mas, sempre procurei o mais...e depois de umas porradinhas e sustinhos, procurei o mais com equilibrio, com qualidade de vida. De qualquer forma, odiaria dialogar, bater papo, discutir assuntos que vão desde as amenidades domésticas a politica internacional com um cara que tão somente pensa com o pênis. Acabamos nos tornando um pouco mais seletivos também - faz parte.
Essa busca por algo de melhor, é muito cansativa, principalmente quando se está sozinho no meio do galinheiro. E tudo ao teu redor te cobra para mais ou para menos. Você acaba batendo palma para maluco dançar.
Tem que haver o equilibrio entre aquilo que se busca e o que há de atual e prazeroso na sua vida. Nâo dá para dar foda-se a tudo que lhe cerca, só porque você quer ser o primeiro colocado na prova, ou quer ganhar a promoção do chefe fazendo seguidas horas-extras. Até porque você vai descobrir que não é o único candidato naquela prova e que não é insubstituível no seu trabalho. Essa busca pelo diferencial é chata, cansativa, soberba...mas o próximo tema da redação será o diferencial no teu conhecimento, teu sucesso, ou teu fracaso temporário. O que não pode mais haver são desculpas...E como tem gente que arruma desculpas. Culpa tudo que lhe rodeia, mas adoraria estar sendo um dos candidatos a sócio do Justos. Só que, para encarar a fera, tem que tentar ser fera.
Mas, o legal é tentar...com disciplina, objetividade, critérios...nunca esquecendo de arrumar tempo para àqueles que torcem por você, mesmo que para isso custe o surgimento de algumas rugas, olheiras e alguns cabelos brancos.
No final, não se preocupe, você terá dinheiro para o dermatologista e as eternas idas aos salões.
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Todos os homens têm valor igual. Como aprendi na Faculdade de Filosofia, UFRJ, o homem que souber todas as coisas não saberá o que é ser ignorante. O homem repleto de bens e propriedades não tem a tranqüilidade do pescador humilde; o grande executivo pode não ter a vida pausada do porteiro. Não existe nada de graça: todas as coisas possuem seu preço e seu respectivo ônus.
(Willian Douglas)
Dois grandes teólogos escreveram livros com o tema a águia e a galinha, cada qual com lições distintas e muito interessantes: Frei Leonardo Boff (Ed. Vozes) e o pastor Jorge Linhares (Ed. Getsêmani). Vou me valer de textos do segundo (LINHARES, Jorge. Águia ou Galinha? 27ª Ed. Belo Horizonte: Editora Getsêmani, Ltda. 2005. pp. 38-52), e em seguida comparar suas lições com o concurso público, convidando o leitor a descobrir-se "águia" ou "galinha"...
"Galinha é caça. Águia é caçadora." Você olha a matéria, os livros, as provas como alguém que vai lhe destruir... ou como algo que você vai caçar e vencer? "Galinha tem olhos laterais. A águia, não. Seus olhos são frontais." Animais que caçam (ao invés de serem caçados) olham para frente, para focar o que desejam.
Concursandos que ficam olhando demais para os lados, para os prazeres excessivos, para os problemas... não focam. Águias e galinhas nascem com os olhos "prontos"... mas você pode escolher para que lado vai olhar: para o objetivo ou para os problemas, para o que traz resultados ou para o que atrapalha os resultados pretendidos.
"Galinha só enxerga de dia. Quando o sol se põe, vai para o galinheiro ou poleiro, condenada a virar canja de raposa, cachorro ou gambá. A águia enxerga tanto de dia quanto de noite." E você, estuda de noite? Vira madrugadas? "Águia é vigorosa; galinha, frágil." Para cuidar da vida atual, para se organizar e AINDA CONSEGUIR estudar, fazer cursos, simulados etc. é preciso vigor e disposição.
"Galinha é medrosa. Águia é destemida, corajosa." Estamos voltando à questão de ser caça ou caçador...mas também ao fato de que um bom concursando não deve temer a quantidade de matéria, nem a relação candidato-vaga, nem coisa alguma que esteja entre sua situação atual e a situação pretendida.
"Quando adoece, a galinha fica de asas caídas, jururu, dependente de socorro. Ninguém jamais viu uma águia doente. Quando debilitada, reúne todas as forças que tem para refugiar-se no alto. Não fica por aí à espera de piedade. Autocomiseração não combina bem com a águia." E você, amigo, está esperando piedade alheia ou prefere reunir suas forçar para ir em busca do sonho?
"Galinha se alimenta de milho e restos. A águia, do alto, seleciona a presa, e desce como uma flecha sobre ela." Aqui vale o cuidado com a qualidade dos cursos que faz e dos livros ou apostilas que lê. Não se "alimente" de coisa ruim, pois faz mal! Isto também vale para suas conversas e companhias, para os programas de TV que assiste e tudo o mais que influencie sua mente e sua preparação. O lazer é essencial, mas um bom lazer.
Se você se negar a ter uma visão e um comportamento limitados como os de uma galinha, pode ter certeza que terá o melhor desta terra. Mas ainda há mais: "O ninho de galinha é feito de pena e capim. Da águia também. Mas sob o capim e as penas, retiradas do próprio peito, a águia coloca uma camada de espinhos."
Às vezes é preciso ter, ou ao menos se lembrar, dos "espinhos" para que não nos acomodemos e para que levantemos vôo. São os espinhos da vida, as necessidades, as contas, que algumas vezes nos impulsionam para a vitória. Não é raro ver pessoas com tudo a favor não passarem... talvez por falta de espinhos no ninho, e pessoas com "espinhos" conseguirem passar nos concursos. Não sei se os espinhos são as contas, doença, separação ou o que for, mas espinhos não são limitadores para as águias.
A galinha aceita ficar presa, a águia não. Algumas pessoas aceitam uma situação de "prisão", limitadora, enquanto outras ousam melhorar de vida. A galinha faz seu ninho ao nível do chão, sem pensar alto, coisa que uma águia não imagina. Ela voa, pensa e aninha-se no alto, que é para onde se dirige sempre.
Enquanto há várias espécies de galinha, temos na águia uma espécie rara. Concursandos organizados, estudiosos e que fazem o que é o certo, são raros... e são os que passam, mais cedo ou mais tarde.
A diferença não é o que acontece com a águia ou com a galinha, mas como essas duas aves reagem ao que acontece com elas, como elas encaram sua existência e como lidam com ninhos, espinhos, alimentação, desafios etc. Por isso elas são tão diferentes. O livro de Obadias, na Bíblia, diz "Se te remontares como a águia, e puseres o teu ninho entre as estrelas..." (Capítulo 1, verso 4.).
Este é o desafio: não importa como você foi até hoje, mas sim que se "remonte" como águia, que é o que você já é ou pode vir a ser. Para ser um concurseiro-águia, basta pensar e agir como um, pois "somos o que pensamos e fazemos".
Ponha seu "ninho" entre as estrelas: você merece.
William Douglas
PS: O texto que Douglas desenvolveu após feedback de um candidato - Concurso é Maracutaia