sexta-feira, 2 de maio de 2008

A aventura de estar viva...

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Liguei para uma amiga essa manhã e papo vai, papo vem ela me contou sua desventura após um assalto na última quarta-feira.

No caminho para a faculdade, numa noite chuvosa e fria, ela para no sinal de trânsito, era a última daquela fila de carros. Quando ela menos espera aparecem duas motos e três caras, batendo no seu vidro com a arma. Em questão de segundos ela fica entre o real e o absurdo de sua vida. Imediatamente, ele abre a porta com o cabo da arma e arranca-a do cinto de segurança, jogando-a no chão. Manda ela correr e que nem uma louca ela corre  sem olhar para trás. Na delegacia, ela entra em pânico.

Diz o policial: Não entendo tanto nervosismo. Era apenas um carro e você tem  um excelente seguro.

Como é que as pessoas se acostumam tão fácil com a violência? Seria culpa da função que exercem, tão acostumados as mazelas, ou do simples descrédito na vida? Incapaz até mesmo de acalmar alguém que acabou de passar por um trauma. Sim, ser arrancado do seu próprio carro e ser jogado no chão, é um trauma.

A gente já sofre o trauma da violência e, agora, o trauma do descaso vindo da própria autoridade. Estamos sempre nos equilibrando numa cerca de arame farpado.

Contei para essa minha amiga um caso semelhante, no que se refere a essa aproximação dos meliantes. Mas, neste caso, a vitima que é amiga da minha cunhada,  não tinha o movimento do pescoço por causa de uma cirurgia recente. Ela, não viu o chamado do "cara" para que parasse o carro. Então, ele deu a volta com a moto, se posicionou na frente do carro dela e meteu bala em direção a ela. Ela não morreu porque tão somente o fuzil a queima-roupa não tem o mesmo efeito do que a distância (é o que dizem e não estou a fim de tirar a prova dos nove).

Meu marido, recentemente, ao voltar de um encontro com os amigos dele no Recreio dos Bandeirantes, viu o que parecia um acidente e foi diminuindo a velocidade, pois poderia ser grave. Ao passar por àquele suposto acidente, ele olha para o lado e vê uma arma sendo apontada na sua direção. Acho que ele nunca acelerou tanto na sua vida e ainda conseguiu visualizar que o "suposto" acidente era um assalto com refém. Chegou em casa, mais branco do que uma vela.

Eu, só precisei ligar para o 190 duas vezes na minha vida. Na primeira vez foi por causa de um acidente de carro que sofri. Na segunda vez,  tinha um cara estranho no meu portão altas horas da madrugada tocando meu interfone e acompanhado de outro cara estranho.

- Qual a placa do carro? Me perguntou o 190.

- Minha amiga, você acha que vou voltar no portão e saber qual a placa do carro do cara? Ei moço...qual a placa do seu carro que o 190 tá perguntando heim? Endoidou?

Resumindo: Tive que ligar para meu ex-noivo, que no mesmo dia, descobri ser o comandante de um batalhão da área e, tomar outras providências.

Ainda na Delegacia e já mais calma, essa minha amiga soube que apesar da presença dos caras da Força Especial, a violência na região onde ela mora, no que se refere ao roubo de veiculos ainda é muito grande. Eles estão lá, posicionados, devidamente armados e prontos para qualquer coisa - menos para defender o cidadão. Faz parte do contrato eles não se envolverem, assim informaram os caras da delegacia.

Do jeito que anda...vamos parar em lugar nenhum. Somos mera clausulas de um contrato.

A seguradora da minha amiga, teve com ela uma preocupação muito além daquela vinda do Estado. Eles disponibilizam, inclusive, um psicologo para tratar desses casos de violência.

O Estado? Bem, dê ao povo pão e circo em ano eleitoral, para que o povo esqueça do seu dia-a-dia.

Não me surpreende casos onde tudo é tão óbvio diante da obviedade do inexplicável. Pais que matam, violentam, maltratam, humilham, vendem ao tráfico, trocam por um prato de comida seus próprios filhos. Filhos e netos que são capazes de subjugarem seus pais e avós. Estranhos que cruzam a vida de outros estranhos tão somente para destruí-las. Afinal, está nos clássicos da mitologia, nos livros sagrados, na podridão das famílias tão bem descrita por Nelson Rodrigues...a obviedade do que todo ser humano é capaz.

Mas, acho que um dia ainda voltarei a acreditar que a finalidade do Estado é o bem comum. E não a omissão e o descaso, pois a isto, jamais me acostumarei.

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"Aprendemos a voar como pássaros e a nadar como peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos."

"A verdadeira medida de um homem não é como ele se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas como ele se mantém em tempos de controvérsia e desafio."

"Eu prefiro caminhar na chuva a, em dias tristes, me esconder em casa. Prefiro ser feliz, embora louco, a viver em conformidade."

(Marther Luther King - Trechos de seu discurso)

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***** A vida real anda complicada e exigente demais. Vou dar um tempo nas postagens para poder estudar e labutar um cadinho. Mas, sempre que puder, estarei comentando por ai...

7 comentários:

Anônimo disse...

OI! ACHEI TEU BLOG NO GOOGLE. JÁ SOFRI UM DESCASO DESSES NA DELEGACIA E É MUITO HUMILHANTE. ESTAMOS SEMPRE ESPERANDO MAIS DAQUELES QUE DEVERIAM NOS PROTEGER.
GOSTEI DO SEU BLOG.
UM BEIJO
CLAUDIA

PS: VOU TE ADCIONAR NO ORKUT.

Bruxinhachellot disse...

Acostumamos até com a violência. Um absurdo essa afirmativa e é por isso que a impunidade cresce a olhos vistos. Mais uma ano de elição. Vamos colocar o cabresto e abaixar a cabeça?

Beijos de alma.

Adao Braga disse...

Já havia sido avisado que seria assim:

"SABE, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos dificeis.

Porque haverá homens amantes de si mesmos,
avarentos,
presunçosos,
soberbos,
blasfemos,
desobedientes a pais e mães,
ingratos,
profanos,
Sem afeto natural,
irreconciliáveis,
caluniadores,
incontinentes,
cruéis,
sem amor para com os bons,
Traidores,
obstinados,
orgulhosos,
mais amigos dos deleites do que amigos de Deus,
Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela."

2 TM 3:1-5

SB nula disse...

Eu vim te avisar:

- Se prepare para o exterminio que tá chegando em menos de dois anos... se prepare! Quer saber como? clique no link e descubra:

Dois anos para o exterminio Mundial

Avise seus amigos, e proteja sua familia

Mélica disse...

Que dia!!
Graças a Deus nunca passei por uma experiência assim, realmente é um grande descaso.. mas creio que nao é questao de "se acostumar", mas de "conviver" mesmo com esse descaso! A questão é "até quando?"

Beijos.. espero que tenhas uma ótima semana.

Jesus Apócrifo disse...

O mundo anda cada vez mais louco e virado!

Gabriel Fiorini disse...

Bom, graças a Deus nunca passei por isso, mas acho que assaltos, sequestros e afins estão cada vez mais normais em nosso país, por isso que as autoridades tratam a população com tanto descaso, pois acaba sendo uma coisa corriqueira para eles e nós que nunca passamos por isso quase morremos só de susto, e quem paga a conta? a população que é escrava de um sistema que nunca funciona...

boa semana
bjs