quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

A ONG de Biquini e a Mulher Viralata

 

Estou em fase final de minha mudança...esses dias têm sido só stress, mas falta pouquinho para ver a casa quase pronta. Somente ontem instalaram meu telefone e hoje já começam as aulas na faculdade.

Ah ! Mais uma vez, muitissimo obrigada à todas as mensagens e post´s que encontrei à época do meu aniversário. Muito obrigada mesmo. Do fundo do meu coração!

•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.•¸.•*´¨`*•¸.•

As vezes fico passadérrima quando vejo, ouço, leio, sinto àquele tom e àquele papo cansativo pacas de "inhas" e "inhos" que ficam se menosprezando por sua condição socio-economica-racial e ainda tentam nos culpar por suas mazelas.

Dia desses, escutei uma moçoila reclamar de sua condição racial e social. Caraca...que papo chato! Parecia uma ONG de biquini defendendo sei lá o que na vida. Sobrou até para o cara do sorvete que nem deu bola para o balançar de suas mãozinhas no ar - coitado do cara do sorvete,   a água no deserto - muita gente para atender. "Ele não vem me atender porque sou preta, se fosse branquinha ele vinha me atender". Ela esbraveja após ver o cara dando atenção e vendendo seus sorvetes à uma rapaziada dourada. A moça era uma revoltada racial - tadinha.

Putz...mas muito simpática que sou (hehehehehe) me aproximei da moçoila com o velho papo do "me empresta o teu isqueiro?"  e papo vai e papo vem  mandei a real de forma divertida em alto e bom tom.

- Minha filha, veja bem: já que você tocou tanto no tom de sua pele, então, que tal agradecer por você ser negra e ter raça definida? Você é negra e uma belíssima negra!  E eu que sou viralata? Minha certidão de nascimento está parda. Agora me diga: o que é ser um ser pardo?  Para euzinha estar aqui sentada do teu lado, o Alto Xingu teve que bater tambor, os portugueses tiveram que descobrir as indias. Algumas indias tiveram que comer uns portugueses.   Sou filha de nordestinos; neta de portugueses e indios; bisneta de portugueses, indios; tataraneta de portugues, japoneses e indios. Enfim, sou a própria mistureba surubenta racial - no dia que meu DNA surgiu Sodoma e Gomorra tiveram o perdão de seus pecados. Então, pára com esse papo chato e vai à luta minha filha! Poderia usar o sistema de cotas a meu favor, afinal, sou parda; mas sempre fiz provas que testassem a minha inteligência e o grau de dedicação aos estudos e não o tom de minha pele.

E os negros, indios, brancos, amarelos, viralatas, gays, lésbicas, heteros, teens, papais, mamães e vovós ovacionaram essa que vos fala. Afinal,  impossível estar inaudível à turba de biquinis e calções de ouvidos e olhares atentos; só faltou mesmo um palanque montado com pranchas de surf e engradados de cerveja.

Faça-me o favor, cansa gente que só faz reclamar da vida e nada faz para mudar e culpa tudo, menos o CUrriculum Vitae desatualizadissimo em cursos e especializações. É igualzinha àquela velha história da mulher que é chifrada o tempo todo, sabe que é chifrada pelo marido galinhão e reclama o tempo todo do marido sem nada fazer para mudar a situação - disco de vinil arranhado

"Hello darlingzinha...O mercado de trabalho tem dentes de tubarão e goela de Moby Dick  prontinho para te dar uma mordidinha  e te engolir enquanto fica-se perdendo tempo divagando sobre o sistema e o preconceito velado dos brasileiros. Tem que correr muito atrás se quiser vencer, ser o diferencial no meio dos comuns que são despejados semestralmente pelas universidades - todos somos iguais diante de uma prova de concurso ou de um exame de OAB que anda reprovando 80% dos candidatos. Qual o seu diferencial na disputa mercadológica, o que te faz destacar? Nome de instituição acadêmica até facilita, abre portas para uma entrevista, mas não é pré-requisito para empregabilidade. Enquanto você passa a vida reclamando que é preta e não tem oportunidade, o branquinho pobre tá correndo atrás, fazendo cursos gratuitos, se especializando  e tirando a tua vaga em algum lugar mundo a fora". Encerrei assim meu raciocínio com a bela moçoila revoltada por sua condição socio-economica-racial.

Tudo bem...a moçoila se levantou muito fula, colocou a canga entre as pernas e foi sentar próxima aos gringos.   Juro!!! Não entendi o motivo dela ter ido embora tão rapidamente. Será  que a dança  de cadeiras de praia foi apenas porque eles não entenderiam o que ela estava resmungando?

Gente complicada...eu hein!?! Daqui a pouco a culpa vai ser do IOF. Isso me fez relembrar um velho texto, nos primórdios do blog - "Tudo se repete aos domingos".

***** Pai Xoxó! Não arrumo emprego, será que tenho algum encosto, alguém fez um trabalho para mim, estou com olho gordo meu pai?
B =
Ouço uma voz me dizer que você precisa de uma reciclagem.

Valei-me Mago Heitor Caolho! E-pê-pe-ó!

 **** Defendo sempre a tese de que, para algumas profissões, esse é um país que necessita de técnicos e não de bacharéis desempregados.

 

 

5 comentários:

augustoyoh disse...

moça estressada, e tu tens razão em partes. mas que o preconceito existe, e situações onde a pessoa é preterida por ser negra, mulher, gay ou seja lá o que for que sair fora do padrão branco, rico, hetero, homem, é inegável. e o pior, mais comum do que costumamos imaginar.
mas lógico que sair esbravejando com qualquer um na rua não resolve xD

adaobraga disse...

Repetindo um colega negrão, que por acaso foi colega de faculdade:

- Eu não gosto destes negros e racistas!

Pedro B disse...

O que é um ser viralata? Esse tom moreninho lindo que você tem.

Olha! Acho desprezivel os ditos "minoria" se sentirem minoria. Todos deveriam saber que a maior barreira está na educação, na especialização. Não quero um funcionário que fale inglês. Quero um funcionário que fale inglês, francês e chinês. Não busco um cara que tenha apenas o segundo grau, mas busco um cara que tenha o segundo grau técnico.
EDUCAÇÃO é o problema desse país e desse povo que ainda vive no período colonial.
beijos querida

Anônimo disse...

Pedro disse tudo
EDUCAÇÃO é a palavra chave.

TATI

Claudya disse...

Beth, outro dia no escritório saiu esse papo da 'desigualdade social'. Confesso que, nem entro mais nessa de fazer qq. comments, pois, sempre acaba em briga. O que eu acho realmente disso é, qto. mais mexe mais fede. Esse fato que vc. comentou 'Ele não me atende porque sou negrinha, se fosse branquinha...' já deu o que tinha que dar. Como advogada minha conclusão é: direito demais é perigoso, faz com que as pessoas fiquem neuróticas. O menos sempre é mais e melhor. Direito para as minorias é direito só no papel. O que vale mesmo são as nossas atitudes. Bjs