quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Bugalhos das Ausências Literárias e o Ser Desprezível

As vezes é melhor dar uma paradinha, do que brigar com o mundo, impor uma opinião a ferro e fogo, tirar notas baixas na faculdade, perder o emprego, ou deixar de ir no salão cuidar dos cabelos, ou até mesmo aproveitar a vida em toda sua plenitude por causa de internet. Adoro escrever, mas prefiro beijar na boca, dormir de conchinha e agarradinha.


Bugalhos das Ausências Literárias

Antes do meu recesso, já havia percebido que alguns colegas haviam dado uma pausa nos seus dedinhos cerebrais por motivos diversos, outros haviam diminuido o ritmo, outros simplesmente sumiram. Nos comentários sempre lia: volte sempre, não suma, preciso de você, a internet não é a mesma e blá blá blá´s e eu, como sempre, remando contra a maré dizia para ele dar o seu devido tempo que era muito mais importante passar num concurso do que ficar sentado escrevendo.

Quando voltei do meu recesso aqui (pois nos outros continuei postando), ao fazer os memes que estava devendo, percebi que muitos continuavam sem atualizar seus espaços, outros tantos também haviam se permitido dar uma pausa, outros estavam cada vez mais espaçados em seus textos. Afinal, estava ocorrendo alguma uma crise de idéias?

Cada um tem seus motivos para essas ausências e ela em nada faz mal à primeira pessoa. As vezes, simplesmente dá no saco ficar escrevendo o tempo todo, ou o chefe mal humorado consome teu dia-a-dia no pensar, ou um caso de amor mal resolvido nos deixa improdutivos. Particularmente, prefiro estar ausente cuidando de mim, de minha cabeça, de meu coração do que ficar escrevendo asneiras quando o objetivo desse espaço não é esse. Eu estava videozinhos demais e frases feitas em exagero.

Mesmo em recesso, me permiti, é claro, visitar meus colegas e até tecer alguns comentários e pude perceber a presença de um ser desprezível - O Anônimo Literal. Alguns dizendo inclusive que seria um favor os nobres colegas nunca mais voltarem.

O Ser Desprezível


Muitos já falaram sobre isso, serei apenas mais uma. Mas poderia repetir uma idéia escrita pelo Joseph em seu espaço, mas não sou tão Sun Tzun assim. Aliás, o moçoilo lá das bandas do Acre escreve muitissimo bem e tende a ser um excelente jornalista, cronista - sorte para ti.

Deve-se sempre questionar quem não dá a cara a tapa para bater, àquele que chega anonimamente no teu espaço e vem detonar tuas idéias, tuas emoções, teu livre pensar. Sempre pergunto aos meus amigos orkuteiros: para que você quer manter privacidade em um lugar público? Escuto sempre as respostas menos racionais possíveis. E com isso lá se vão mais de 10 mil mensagens e nenhuma dor de cabeça.

Nos blogguers não é diferente. Se escrevo, então, com certeza terei um feedback de minhas idéias e nem sempre elas virão com flores. Tenho que estar preparada para essas criticas sem necessáriamente achar que fulano ou beltrano tem o único objetivo de atacar meu jeito de ser, estar, permancer - até porque não acho minha vida ou minhas idéias tão interessantes e que alguém queira perder tempo com elas.

E no meio de duzentos e muitos textos e nove meses de blog só sofri um ataque anônimo, no mês de março, no texto "Que Lua Linda". Mas todo anônimo é previsível e deixa rastros, ao final, ele nunca é um anônimo na extensão da palavra. E àquela bendita frase acaba sendo repetida no seu próprio espaço, ou por e-mails, ou em devaneios soltos ao vento. Sempre haverá a frase clássica de um ser sem classe.

Prefiro mil vezes ler um comentário de alguém dizendo: vou ser sincera, mas não concordo. Do que ler um comentário demagógico, de alguém que aparenta não ter equilibrio ou sanidade de vida. Ou pior ainda, ler um comentário de alguém que não deixa sua fotinha ou seu nick devidamente registrado nos anais virtuais e ainda vêm querer minar algo.

Mas se até o próprio disque-denúncia protege o anonimato, não serei eu a correr atrás dele.

Meus amigos que foram atacados, e não estou falando especificamente da Jullie, que recentemente teve uma linda postagem/dedicatória atacada, onde, eu e o Adão, fomos o objeto direto de tanto amor da autora e ódio do ser desprezível. Bem, meus amigos continuam escrevendo, produzindo, ajudando a si próprios e ajudando a tantos outros. Eles continuam brilhando ou se permitindo àquela pausa necessária tomando seu suquinho de mangaba em alguma praia do nordeste. Os anônimos? Bem, esses irão continuar na sombra do seu anonimato ou na falta de idéias a serem compartilhadas.


Conclusão

Continuem dando suas breves pausas literárias, isso faz um bem danado e só voltamos mais fortalecidos e prontos para escrevermos olhando para nosso próprio umbigo e prontos para recebermos os feedbacks necessários ou não necessários às nossas idéias e, com as nem sempre úteis e necessárias contestações, réplicas, tréplicas ou decisões julgadas em última instância recursal. Mas se você não estiver preparado para esse feedback, então entra de férias um cadinho. Bem, os anônimos? Alguém se preocupa com eles?

******* Já resolvi minha pendência em relação aos bugalhos das ausências literárias. Mas ainda tenho que falar dos alhos e dos devaneios? Afff...vou voltar à São Tomé das Letras e tomarei coragem em tomar o chá de cogumelo. Desta vez paguei e joguei a garrafa fora, não sou tão corajosa assim para viver no nirvana psicodélico.

5 comentários:

Joseph Jr. disse...

Muito Obrigado pela homenagem beth...

Quase todos os genios foram atacados de algum jeito, quando nao foram torturados e mortos, foram caçados e só tiveram as obras reconhecidas verdadeiramente anos depois de sua morte...

a inveja é a causadora da maioria das guerras, das brigas e desentendimentos, meu pai dizia que ela esta intimamente ligada a falta de capacidade, por isso minha querida, não se "apurrinhe" com esses invejosos, pois isso é a mais pura inveja, e conseqüentemente, falta de capacidade e caráter de assumir tal defeito..

beijos

DM disse...

Putz VACA BETH ! QUE TEXTO MARAVILHOSO, DELEITE PURO, EM ESPECIAL SUAS CONSIDERAÇÕES SOBRE OS ANÔNIMOS, SOBRE AS AUSÊNCIAS DO BLOG, ENFIM AS PAUSAS NECESSÁRIAS DE TODOS NÓS ...

A GENTE SENTE FALTA SI, DE TODO MUNDO, ISSO AQUI E COMO VÍCIO, MAS AS VEZES DEPENDENDO DO SEU MOMENTO PESSOAL OS SILÊNCIOS AS VEZES SÃO PROVIDENCIAIS, E AO MESMO TEMPO REVELADORES ...

AMEI EM ESPECIAL A SUPREMA FRASE DE EFEITO: "SEMPRE HAVERÁ A FRASE CLÁSSICA DE UM SER SEM CLASSE" !!!

FALOU TUDO !!!!

BEIJÕES

Pedro disse...

Queria entender o motivo, o fio da meda de tal inspiração. A concatenação no raciocínio foi primoroso e lógico.Excelente texto, perfeito, uma tapa na cara com luva de seda.
Adorei.

Adao Braga disse...

Eu ia ser sincero e discordar, mas esqueci tanto da sinceridade, e da discordância!

Mélica disse...

Simplesmente d+ esse post!!!
Como sempre uma ótima leitura quando passo por aqui..
Tenhas um ótimo final de semana..
Beijos!