“Segunda-feira é só história para contar”…já cantarolou Capitão Nascimento. Ops. Tihuana
Conversando e colocando em dia o papo DDD e bip bip com meu amigo mineiro metido a baiano, com meu primo baiano e meu primo paulista tive que explicar que minha localização geográfica suburbana carioca nem de longe chega perto dos último conflitos. Mentira! Jacarezinho fica uns 20 km logo a frente sentido centro. Não se preocupem comigo maninhos! Eu, particularmente, estou ó-ti-ma. Evitando as linhas expressas, entradas de favela, me tornando cada vez mais bairrista, shoppinista e frequentadora do sanduba do Xandão e do churrasquinho da Katia que ficam logo ali na esquina. Comprei um guia de ruas da cidade para conhecer as rotas de fugas a cada ônibus incendiado e, não escuto mais fm musical; só ouço CBN, a rádio que toca noticias, afinal, tenho que ficar ligada e antenada nos conflitos.
Na verdade, só me preocupei com a situação quando vi a repórter da Globo usando colete a prova de balas. Ka-ra-ca…a coisa estava feia.
Do meu terraço suburbano vejo várias torres de igrejas, Cristo Redentor, Dedo de Deus e somente diante de tanta proteção visual arquitetônica e natural me permito dormir o sono dos anjos com as rajadas que ecoam de algum lugar durante a madrugada. O telefone toca e um turistinha me pergunta se o vôo de helicoptero passará sobre do morro noticiado nas ultimas 24 horas televisivas. Só disse que nós tinhamos que evitar o choppinho nos tradicionais barzinhos da Boulevard após visita ao Maraca. Mas levar turista para o Boulervard? Que nada, se o Rebouças não estiver fechado é melhor levar para a Lagoa naqueles quiosques ma-ra-vi-lho-sos.
Se não tem tráfico, tem milicia. Se não tem milicia, tem os caras que resolvem tudo na peixeira. Se não tem tráfico, milicia, os caras da peixeira; tem os neuróticos condominiais, as esposas nervosas, os maridos estressados. É pica – como costuma falar benhê – o jeito é ficarmos mais caseiros. Que saco benhê! Logo eu? Rueira que sou? Chamem o analista que vou entrar em deprê.
Ultimamente, para arrumar alguma explicação do final dos tempos Maia, os caras e as caras cariocas que vivenciaram os anos 80, estão culpando um finado politico por ter permitido o crescimento e invasão urbana das favelas nos cartões postais do RJ. Favela? Ops, comunidade. Lá do alto, junto com o coro celestial, ele jura que é tudo Mintchura da oposição, do sapo barbudo, do filhote da ditadura e dos sucessores e ex-aliados partidários. Outros são adeptos que o caos foi plantado pelo cara lá de Madri como forma de vingança olimpica.
Ao final meu amigo e priminhos, a galera bundinha calça da gang e os barriga prostitutos tanquinho irmamente com a galera classe média do asfalto irão pro baile dançar o Rap das Armas (nós com os alemão vamos se diverti) e Tropa de Elite (tô chegando de bicho, tô chegando e é de bicho), colocar cruzes negras na praia, fazer passeatas pedindo PAZ à cidade maravilhosa olimpica.
E não podemos perder tempo meu caros: Natal está na porta. A roupa branca do Reveillon está passada e pendurada no cabide. O abadá para o Carnaval na Bahia já está comprado – “Chiclete, chiclete. Quero chiclete” – mas, enquanto o carnaval não chega, para fugir dessa babilônia caótica de futuros pentes-fino vou para São Tomé das Letras passar dias de cachaça, comida mineira, curtindo o som do Ventania, visitar meus amigos hippies e emitir muito Ohm à cidade maravilhosa. Se tiver coragem vou tomar um chá de cogumelo e depois digo se bati papo com meus anjos, demônios ou o ET de Varginha.
Não dá para fugir sempre, a vida não permite eternas fugas e, ao final, é sempre bom descer a Serra das Araras, retornar para casa…para o Rio 40º – Cidade Maravilha purgatório da beleza e do caos. Afinal, é aqui que ganho meu pão nosso de cada dia e dou à César o que é de Eduardo e de Cabral.
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PS: Amados! (isso é o máximo da falsidade heim? ). Me perdoem por não estar dando o feedback merecido ao blog de vocês. Estou em obra e o engraçadinho do pedreiro me fez o favor de cortar piso dentro de casa. Imaginem a poeira ao vento (rs rs) que virou minha casa. Estou albergada na casa de mamãe com marido e cachorros. Não fiquem com ciúmes, mas confesso estar sempre visitando o blog do Kaio Borges, filho do queridissimo Adão Braga, para acompanhar o tratamento dele contra o Linfoma. E não deixe de conhecer, visitar, clicar nos adsenses e ajudar essa familia maravilhosa que luta pela cura e busca por respostas; pois as nossas experiências, sejam elas de vida ou profissionais, sempre ajudam a somar.
PS: Leandro, meu âncora fofissimo do Maldita Futebol Clube. Recebeu meu recadinho na rádio? Eu ouvi o programa, mas não entendi necas do que os cuecas falavam. Tudo bem, mas sou Flamengo até morrer. Só não entendi o porquê do Adão, que é São Paulino, me pedir para torcer pelo urubu no jogo contra o porco. O que alhos tem a ver com bugalhos?




