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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Duas Bolas, Por Favor

 

Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir sorvete de sobremesa, contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente uma bolinha minúscula do meu sorvete preferido. Uma só.
Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa.
Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um litro de sorvete bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.
O sorvete é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.
A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade.
A gente sai pra jantar, mas come pouco.
Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.
Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil').
Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.
Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo, mas tem medo de fazer papel ridículo.
Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar. E por aí vai.
Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar',tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação...
Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão...
Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado'. Deixar de lado a régua, o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos. Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito. Recusar prazeres incompletos e meias porções.
Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim: 'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'...
Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar várias bolas de sorvete, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.
Um dia a gente cria juízo. Um dia. Não tem que ser agora.
Por isso, garçom, por favor, me traga: cinco bolas de sorvete de chocolate, um sofá pra eu ver 10 episódios do 'Law and Order', uma caixa de trufas bem macias e o Richard Gere, nu, embrulhado pra presente. OK?
Não necessariamente nessa ordem. Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago . . .

(Danuza Leão)

Silvia, minha amiga densa e intensa me confessou num máximo de tristeza – daquelas que nos acomete sem motivo algum quando tomamos cerveja demais - que antes de morrer quer fumar maconha e tomar chá de cogumelo.  “Preciso sair do meu corpo, sacar as espiritualidades inexplicáveis, rir a toa de tudo ou nada, tá foda de aguentar Zezinho, Luizinho, Huguinho.” 

Minhas insanidades e libertações são caretas. Acordo, alongo, pulo da cama, ligo o rádio e começo a dançar na sala; dizem que correr e caminhar faz bem, mas gosto mesmo é de dançar e acordar o mundo ouvindo Armandinho.  Nunca tomei Santo Daime ou chá de cogumelo – não gosto de perder o controle de mim mesma -  mas já fumei maconha, já bati altos papos com o senhor e senhora peixinhos de aquário. Também já pedi ajuda dos meninos para trocar pneu ou lâmpadas, já corri de baratas voadoras, andei descalça em trilhas na madruga da Ilha Grande, já coloquei copo na parede só para escutar o vizinho transando. Já transgredi, já regredi, já progredi, não pedi desculpas, muito menos perdão. Não sou dada a pedido de desculpas e muito menos perdões; sou dada a foda-ses educados e gentis e depois me acerto com o cara lá de cima no dia do meu julgamento. Adoro estar rodeada de gente inteligente, mas odeio papos comprometidos em inteligência  só para agradar e fazer parte do grupo – e é sempre bom interromper esses papos chatos com Chocolate, Caramelo e Biscoito.

Sei lá Silvia, gosto de brigar com minhas medidas pós viagens, de ter contas para pagar, compromissos para cumprir, de reclamar de minhas acelerações; mas estou sempre slow motion na próxima trip.  Ando meio em paz com meus anjos e demônios, sem medo dos meus medos e não procurando injustiça divina por não ter fechado os números da Tele Sena, da Mega Sena ou do Bingo.

Amiga! Quer saber? Se quiser fumar, fume. Se quiser beber, beba. Permita-se fazer o que você quiser. Dê uns pegas naquele office-boy gatissimo do seu escritório, dance um regguinho ao redor da fogueira, beba vinho do porto no gargalo; depois a gente sacia a sua larica dividindo potes de sorvete e colocando glicose na veia.  Acorde no dia seguinte e pergunte: que merda eu fiz ontem a noite?  Só não vá me cair de cara na bosta da vaca, pois se eu estiver por perto além de  rir muito vou contar para todo mundo que você estava procurando cogumelo e caiu de cara na bosta da vaca.

Hoje fiquei batendo papo com o pintor que está trabalhando aqui em casa. Conversávamos sobre essas “inconformações do estar vivo entre os vivos”. Entre um teste e outro nas cores em parede,  ele me contou a história de Naamã e os sete banhos em busca da cura. E mesmo com caminhos de fé diferentes, não foi  dificil comunharmos que mergulhar na sujeira faz bem ao espirito e, de alguma forma, ajuda a crescer, entender e nos libertar de nós mesmos, de nossos conceitos – ou não. De alguma forma, a sujeira ajudou a salvar uma vida.

Seja Flor de Lótus ou Lírio. Mas seja…

Ao final, é muito melhor discutir relação usando meias 7/8.

 

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Lugares assim...


Ontem, passei o dia inteiro na estrada. Vai para cá, vai para lá, pára para abastecer, almoçar... e vai para cá e vai para lá...toda a pequena trip no máximo a 200 km da capital. Nossa! Cheguei esgotada, cansada.



Nessa nossa aventura de "caçadores de condição para vôo", acabamos parando em um lugar muito simples, tão simples que um dos colegas ficou chocado ao ver várias casinhas de sapê pelo nosso caminho.

- Pois é amigo! E tantos reclamam de suas casas de alvenaria.

Estávamos próximos do sítio onde está sendo procurado o corpo de Priscilla Belfort, mas não sabíamos disso. Estavámos apenas tentando localizar uma rampa de vôo. Mas acabamos nos perdendo e ficamos perguntando aos moradores locais. E nos chocou a forma como eles nos conduziram ao nosso pretendido local.

- Moço! O senhor sabe onde fica a ponte do caranguejo?
- Vocês irão ver o corpo da moça também?
- Que moça?
- A irmã do lutador. A ponte é perto das máquinas.
- Não. A gente quer voar, conhecer a rampa.
- Mas é perto. Passa no sítio para ver as escavações. É logo ali.

E era realmente logo ali, mas não queríamos ver nada disso. Mas acredito que todos nós nos supreendemos, naquele momento, pela forma como pessoas simples, de lugares paupérrimos, encaram com normalidade até mesmo as dores alheias. Me deu o tom de: "moça, isso acontece".

Todas as vezes que passo por lugares assim, lembro-me de minha infância. Minha mãe que era revendedora, nos colocava em seu fusquinha e nos levava para lugares onde a chegada de um carro era comemorado com gritarias e corridas de meninos barrigudinhos e de pé no chão. Hoje, talvez eu não encontre mais os meninos correndo atrás dos fusquinhas, mas ainda há lugares que pararam em algum lugar perdido no passado.

Não sei se é bom saber que há lugares assim, pois nesses lugares também há pessoas paradas em algum lugar do passado, que apenas vivem um dia atrás do outro com uma noite no meio. E esse jeito de viver, regado a algumas doses de "marvada" ou "orações nos templos", na verdade, acabam influenciando em outros setores da vida diária dessas pessoas.

- Como assim?
- Esquece! Só estava pensando.

Mas ainda há lugares assim, com gente simples, de pés no chão, que não está nem ai para quem dá adeus, mas sim para quem vive, mas não como vive, apenas por quem vive. Apenas lugares assim, com um dia após o outro e uma noite no meio. E, aparentemente, demonstram felicidade, simpatia e despreendimento ao tratar com estranhos.

E tem gente que ainda dúvida que é facil ser feliz! Cada vez mais, eu tenho certeza de que é muito fácil.


sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Acontece I e II

Impossivel colocar um video sem o outro, ambos se completam. Aliás, tem sempre algo que completa algo. Tem sempre um alguém querendo completar um outro alguém. Uma hora dessas qualquer acaba acontecendo. Quem sabe?...Acontece!
A gente sempre complica um cadinho, mas tudo acontece na hora que tem que acontecer.



BASTA! EU ME BASTO.



SERÁ QUE VOCÊ SE BASTA?





quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Nessum Dorma

"...Ma il mio mistero è chiuso in me...
Ol nome mio nessun saprá

No, no... sulla tua bocca lo dirò"







Uma amiga mandou o link desse video e disse mais ou menos assim: somente poderia enviar à alguém de grande sensibilidade.

Não sei se tenho essa sensibilidade toda, só sei que chorei muito ao ver o vídeo, aliás, sou uma chorona de carteirinha. Mas fico cá pensando com meus dedinhos nervosos coisas que vão de encontro com outras coisas que penso, digo, faço, faço, ajo...caraca, pode até ser difícil prá cacete tentar, mas você nunca vai saber se não tentar.

Paul, é um dos grandes exemplos de superação. Ele chegou, cantou e encantou. De repente nada mais fazia importância para o mundo, a não ser a voz dele. E ele só veio parar no meu blog, porque eu adoro ópera e adoro essa música. E acho sim, que "é muito fácil ser feliz néh?"

"Eu acho que temos um pedaçinho de carvão que se transformará num diamante" - disse a jurada. Mas, particularmente acredito, que todos somos um pedacinho de carvão que pode se transformar no mais lindo diamante.

E ele foi o grande vencedor...




domingo, 22 de julho de 2007

Pois é...


Eu e Adão ficamos teclando no msn até umas três horas da madrugada. Eu e Adão - Adão e Eu, divagando sobre os sentimentos alheios que, no fundo, acabam sendo nossos próprios sentimentos. Algo que somente os que já levaram muita pedrada na cabeça sabem falar, ouvir e escrever na boa, sem traumas. Li teu post meu amigo, putz, perfeito, maravilhoso, de encontro a tudo o que conversamos e divagamos. Andas advinhatório demais - Kiko e Kika agradecem a lembrança.

Ontem, fiquei horas no msn e no telefone consolando meus amigos que acabaram de romper um relacionamento. Vários amigos por sinal. Como esse povo sofre! Ah...e quem não sofre quando vêm sentimentos investido irem ralo a baixo? E quem não sofre por amor? Mas o pior é quando o rompimento já era sinalizado e fulano de tal não queria enxergar; preferiu investir, tentar, sonhar, idealizar. Mas o elo estava rompido e não havia como retornar.

É Adão, a gente sabe que não é dificil voltar ao ponto de partida - já voltamos aos nossos tantas vezes. Pode até ser sofrível, mas meses depois a gente acaba rindo e dando conselhos aleatoriamente à novos sofredores.

Minha doce e linda e fofa e vitaminada amiga Tatinha montou seu blog essa madrugada. É claro que a amiga que vos fala deu àquele empurrãozinho: Não chore amiga, escreva! E como bem disse o Adão à doce Tati: Bem vinda ao doloroso mundo do amor. E de repente Tati se empolgou tanto que saiu da net feliz da vida e já com mil idéias na cabeça. Mas é isso ai...ela vai colocar seus sentimentos para fora, vai ler os outros, vai se ler, discutir idéias e daqui a algum tempo estará ajudando a outros tantos outros. E isso vai acontecer numa velocidade assustadora com novos ciclos se fechando e outros reiniciando. E Tatinha, mais uma vez, está reiniciando bravamente.

É Adão...tem gente que se liberta e dá o primeiro passo por causa de "cinquenta centavos", mas há àqueles que esperam "um milhão" para tomar o primeiro passo e como o "um milhão" nunca chega...

Alea Jacta Est.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Um minuto de silêncio






"Não sei se a vida é curta ou longa demais, mas sei que nada do que vivemos tem sentido se não tocamos o coração das pessoas." (autor desconhecido)


*** não foi apenas um susto, não foi uma cena de efeitos especiais...centenas de pessoas realmente perderam suas vidas. Post em solidariedade às vitimas do acidente aéreo e à todos os seus familiares e amigos.


terça-feira, 17 de julho de 2007

Alicerce

Foto de Bill Atckison

Não chuto as pedras que encontro no meu caminho, me ensinaram a recolhê-las e guardá-las; não servirão apenas para recordar das pedradas que tomei, dos tombos que levei, dos dedos que quebrei, as lágrimas que derramei, mas servirão principalmente para que se tornem o alicerce na construção do meu castelo.


No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

(Carlos Drummond de Andrade)

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Liberdade


LIBERDADE...LIBERDADE...LIBERDADE

Nunca ouvi tanto essa linda palavra, proferida por tantas bocas, escritas por tantas mãos. Liberdade para isso, liberdade para aquilo, todos querem um pequeno pretexto para serem livres. Mas livres de que?

A estória mais linda sobre liberdade e o sentido dela em nossa vidas, a meu ver, é àquela transmitida por Fernão Capelo Gaivota.

- Por quê é tão difícil ser igual ao resto do bando? - Perguntou sua mãe.
- Quero apenas saber o que posso e o que não posso fazer no ar, só isso. Quero apenas saber.

"...Nós nos dirigimos aos outros para que nos dêem energia. Falando com o psiquiatra nós nos sentimos aliviados — a confissão e tudo o mais. Sempre dependendo de alguma outra pessoa. E essa dependência, inevitavelmente, causa conflito e desordem. Então, temos de começar a compreender a profundeza da liberdade; precisamos começar com aquilo que está mais perto: nós mesmos. A grandeza da liberdade, a verdadeira liberdade, a dignidade, a sua beleza, está em nós mesmos quando a ordem é completa. E essa ordem só vem quando somos uma luz para nós mesmos. " (Krishnamurti)

Fernão aprendeu a voar, e não se arrependeu do preço pago. Quando Fernão encontrou Virgilio Gaivota que lamentava não conseguir mover sua asa, ele apenas disse:

- Virgilio Gaivota, você tem a liberdade de ser você mesmo, seu verdadeiro ser, aqui e agora, e nada pode detê-lo. Esta é a Lei da Grande Gaivota, a Lei que É.

- Você está dizendo que eu posso voar?

- Eu digo que você é LIVRE.

E Virgilio abriu suas asas e gritou bem alto.

- Eu posso voar. Escutem. EU POSSO VOAR.

.... para ir de encontro à essa liberdade tem que sempre se perguntar: que liberdade é essa que pretendo e para que a desejo? Dependendo de sua resposta, a sua essência será plena de felicidade ou atormentada por eternas dúvidas.


Imediatismo

Nem sempre as respostas que procuramos seguem a mesma velocidade do imediatismo de nossos problemas. Necessário se faz a espera, para que o belo renasça. A resposta para o esplendor da borboleta está dentro do periodo em que ela passa no casulo se preparando para que a natureza a admire.


quinta-feira, 12 de julho de 2007

sábado, 7 de julho de 2007

Motivação

Impossível continuar dormindo após os cacarejos de Kiko e latidos de Kika, o papagaio e a maritaca que possuem algum trauma psicológico por não serem respectivamente, uma galinha e um cachorrinho. Mas tudo bem...fazer o que? Mas acabei me lembrando que um amigo meu está prestes a tomar uma decisão profissional. Aliás, esses meus amigos, cada um que aparece...cada decisão a ser tomada que me dá até arrepios. No entanto, para esse meu amigo tomar essa decisão ele quer voar de parapente. Como assim? O que uma decisão profissinal dele tem a ver com um vôo duplo de parapente? Pois é...na última decisão tomada ele voou de asa delta e terminou o namoro de longos anos. Mas agora ele quer radicalizar, voar no interior (vai ser em Saquarema), subir muito alto, fazer espiral, pirar o cabeção e pronto Marcelinho Almeida que se vire, pois no primeiro dia útil seguinte ao vôo, na segunda-feira, ele tem que tomar uma séria decisão. Mas como o homem e a natureza têm que estar em comunhão, esse radicalismo pretendido pelo meu amigo só depende mesmo de uma boa condição climática, do vento.

Uma vez estava conversando com uma amiga sobre isso. O que faz as pessoas usarem de outras coisas para que decisões pessoais sejam tomadas, que raio de motivações são essas que te impulsionam? No caso do vôo livre imagino que vencer um medo pessoal, um medo de tirar os pés do chão, o medo de conseguir ultrapassar um limite de uma rampa seja o maior desafio - afinal, ninguém nasceu com asas. O momento anterior ao vôo, pois o vôo em si é tranquilíssimo, mas a decolagem, o grande impulso que te faz correr, isso sim é o diferencial. A expectativa, o primeiro passo, o segundo passo, o terceiro passo e pronto lá está você falando todos os palavrões possíveis e dizendo: ai que lindo! A mesma coisa é na vida pessoal, nas decisões que tomamos que hão sempre de requerer um sonho idealizado, o posterior primeiro passo, uma corrida, um vôo a ser alçado. Mas muitas vezes é necessário uma ralação antes de que esse primeiro passo possa ser dado, um preparo maior. Dá medo? Claro que dá, mas uma vez conseguido você sempre vai querer mais e mais. É assim no vôo livre, é assim na vida.

Mas no caso do meu amigo - é o seu segundo vôo. Talvez ele esteja querendo isso...uma emoção a mais na sua vida. Talvez durante o seu vôo ele sinta, ao enroscar na térmica, a força da natureza em suas futuras decisões. Tudo bem, mas o cara precisa fazer isso voando? É...tem gente que voa, salta, mergulha, rapela, escala, caminha, surfa, lê um livro, tem filho, estuda, dança, pisa sem querer em ninho de surucucu, ou dá de cara com tamanduá bandeira. O lance é não ficar olhando para o teto e achar que não há caminhos a serem seguidos, ou esperar que alguém tome a decisão de voar por você. E por que o cara vai voar no interior, não poderia ser em São Conra
do? Pois é, dizem que São Conrado estará fechado para o vôo durante o PAN por ser rota aérea da segurança do evento - tráfego de helicópteros. Mas como ninguém sabe, ninguém viu e ninguém diz nada, na dúvida e por não ser a única rampa existente no Estado destinada ao esporte, então o cara decidiu que quer voar no interior por ser mais "irado", mais "radical", mais "drena".

E por falar em voar... me fez lembrar que o Kiko e a Kika estão quietinhos, que o Alpine cobrou minha presença, Marcelo me lembrou do curso de parapente, o outro me chamou para ser resgate em Andradas/MG, o outro para ir num campeonato...e toda vez que olho para o céu me lembro do Sabiá e do meu medo ainda a ser vencido. Ah! voltarei a dormir...

Como não vou postar nada esse final de semana, pois estarei enroladissima, então vou deixar um vídeo meu aqui. O problema é qual video colocar...asa ou parapente, parapente ou asa? Ah! Quer saber? Meus videos estão todos no Youtube, mas aqui vou colar um muito legal só por causa da música do Bon Jovi e Joan Jett e pôr sempre dizer na hora da decolagem - Ai Jesus! -, e na hora do espiral, sempre pergunto se vou cair e fico gritando como uma retardada (tudo palhaçada). Mas não é nada disso, meu amigo, o grande motivador do texto me disse que toda vez que pensa em mudança ele olha esse video, os meus gritos, a música, a paisagem e se questiona de muita coisa na vida dele, de suas decisões e as suas motivações. Esse video é para ele. E os votos à ele de um bom vôo na próxima semana e que os bons ventos estejam presentes, as térmicas estejam brotando ferozmente e os urubus estejam estampando no céu do interior. E que ele consiga atingir o seu objetivo posterior.




segunda-feira, 25 de junho de 2007

Há algo além de mim...

Muitas pessoas me perguntam o porque mantenho esses tipos de fotos no meu orkutinho. Normalmente, respondo dizendo que são fotos que me fazem relembrar que sempre tenho que andar descalça em vez de constantes saltos altos, e que há algo muito mais importante para me preocupar do que manter um album bonitinho no Orkut. Essas fotos sempre me fazem pensar que há um mundo real que realmente precisa muito de todos nós...e sempre vai precisar.


"Você não pode saber o significado de sua vida até que esteja conectado ao poder que o criou"
(Shri Mataji)


O OPOSTO DO AMOR NÃO É ÓDIO MAS A INDIFERENÇA
(ÉRICO VERISSIMO)



Ama a teu próximo como a ti mesmo
(Jesus Cristo)



Tudo o que vive é teu próximo
(Gandhi)


Não sei quem são os autores das montagens, mas quem quer que sejam, saibam que há sempre alguém que me pergunta: posso pegar uma foto do teu album? E quando vou verificar qual foto utilizaram, sempre vejo que não é a mais bonita, mas sim a mais significativa, àquela que vai fazer a diferença. Até hoje são as fotos que nunca saem daquele espaço pessoal que um dia me procurou. Todas mudam, incluem umas, saem outras...mas essas estarão sempre por lá. Inclusive no meu album.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Tudo nos ensina....


Essa madrugada, ao fazer o "meme" que me foi passado pela Juli, do Sorrisos e Lágrimas tive a oportunidade de sentar em frente à minha bibliotequinha particular e rever alguns títulos os quais fazia tempo que não manuseava. E mais do que comprar novas obras, eu adoro reler o que já possuo.

E um dos títulos que mais gosto, foi um que ganhei de presente de aniversário de uma grande amiga. Aliás esse ano ela me deu outro maravilhoso, mas não consigo atingir o propósito do livro - ler um capítulo por dia, afinal, sou dispersa demais para ler um capitulo diariamente. Sei que o autor não vai saber que não estou lendo um capitulo por dia, mas quem mandou ele colocar isso na introdução? Pronto! Tenho que ser obediente ao autor, mas é difícil. É o meu livro de cabeçeira que nunca termino de ler.

Mas para atingir o objetivo proposto pela Juli, acabei reencontrando "As Bençãos do Meu Avô", de Rachel Naomi Remen, da Editora Sextante. Só não o indiquei, pois toda vez que vou comprá-lo para dar de presente, ele sempre está com edição esgotada e nunca tem uma data prevista para retornar às prateleiras.

Estava aqui pronta para postar algo quando resolvo abrir o livro aleatóriamente, em qualquer página dele, tipo folheando, acabei lendo um trecho que veio de encontro com o texto que eu iria colocar no lugar deste. Enfim, estava pronta para digitar mais uma das minha percepções quando vejo que o universo comunga com nossos pensamentos. Mas parei e li o capitulo inteiro e logo de cara, nas primeiras linhas, Rachel fala de algo que já comentei abaixo em Amar é... e mais uma vez as palavras se encontram, os pensamentos comungam e tudo vira uma energia só. A nossa energia. E quer mais uma prova? O título do capítulo tem tudo a ver com o livro de cabeçeira que está aguardando que uma certa menina seja mais centrada e se proponha a ler seus capitulos diariamente. Eu tinha que largar o livro em cima da mesa, olhar para ele, abrí-lo, folheá-lo, lê-lo, para relembrar que há outro tão lindo quanto me aguardando. Tudo nos ensina.

Me sinto super iluminada quando percebo essas sincronias vindas do universo, pois nem sempre a gente percebe os sinais. Qual o sinal? Não sei, tem que começar a caminhada para saber.

"A vida oferece sua sabedoria com generosidade. Tudo nos ensina. Nem todos aprendem. A vida nos pede o mesmo que nos era exigido nas salas de aula: "Acorde", "Preste atenção". Mas prestar atenção não é algo simples. É preciso que não nos deixemos distrair por expectativas, experiências passadas, rótulos e máscaras. Não podemos tirar conclusões precipitadas. A sabedoria alcança mais facilmente àqueles que tem coragem de abraçar a vida e que se dispõe a esperar sem saber, algumas vezes por um longo tempo. Pode ser preciso sofrer. Porém, no final, seremos muito mais do que éramos quado começamos. Existe a semente de uma plenitude maior em cada um de nós." (Rachel Naomi Remen *)


* Rachel, é medica e conselheira de pacientes terminais e de doenças crônicas há mais de 20 anos. No livro Rachel aplica os ensinamentos judaicos no dia-a-dia com seus pacientes, ensinamentos estes transmitidios por seu avô, rabino e grande estudioso da cabala.




segunda-feira, 21 de maio de 2007

Qual o sentido da vida?




A resposta está dentro de você. Acredite!!!
Boa Semana

sábado, 5 de maio de 2007

Momento Certo

Uma hora nós havíamos de nos entender.

Enquanto os "meninos" brincavam de olhar o céu, decifrar nuvens...me afastei. Que natureza linda! As nuvens que me perdoem, o céu que seja benevolente comigo - mas irei colher cores.


Tentei atravessar águas, pisar em pedras, escorregar no limo só para estar perto dela - não consegui, desisti. Eu era pequena demais diante da força e agilidade de suas asas.

- "Desistiu de mim? Cá estou. Só vim para me despedir. Volte sempre". Disse ela abrindo e fechando suas lindas asas de boa sorte; permitindo perpetuar-se em imagens. Ela determinara o momento certo.

- Ah...voltarei. Voltarei, sabendo que o momento certo estará sempre em plena comunhão com os objetivos.


“Ser borboleta significa tanta coisa…
Nos dá tantas sensações…
Ser borboleta é…
Ser mulher
Ser livre
Ser inconstante
Ser o renascimento da alma
Ser delicada
Ser segura
Ser alguém em busca de sonhos
Ah, ser borboleta é quase um êxtase vital.
E eu sou e estou borboleta..“

(autor desconhecido)

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Acasos?

Dezenas de pessoas perambulam diariamente por nossa vida. Algumas, deixam cicatrizes profundas, ou bons ensinamentos e vão embora. Outras, estão realmente de passagem e sequer se despedem, ou dizem: muito prazer em te conhecer; preciso ir. E ainda, há àquelas que permanecem por um longo tempo, quiçá, por uma vida inteira.

Muitas vezes, faz-se necessário, ser andarilho solitário. Aprender a se conhecer, para poder, enfim, se doar. Entender, em um futuro próximo, o motivo dessa permuta entre almas que se encontram e se reencontram em suas trajetórias. Afinal, nada é por acaso - tem que acontecer. Ciclos necessitam serem finalizados, para que outros sejam iniciados.



..."apenas uma deixa para o próximo texto... em um futuro próximo."


domingo, 29 de abril de 2007

Propósitos


Gosto de ficar me lendo. As vezes sento aqui e leio desde o primeiro texto e fico procurando minhas evoluções como ser humano, como mulher, como menina. Ela cresceu, amadureceu? Sempre me coloco na terceira pessoa e tento observar algum amadurecimento como leitora de mim mesma. Ah! por vezes ainda descubro ser uma tola menina de saia plissada, meias 3/4, sapato boneca e blusa de tergal que estudava em um colégio de freiras (acho que isso me lembrou a Cassia Eller). E no fundo eu vejo o quanto ainda quero o colinho da mamãe.

Hoje, um amigo me perguntou depois de ler um dos textos que escrevi. "Me diz onde errei na minha vida? Caraca, se ele não sabe, sou eu quem vai saber?

É claro que fui prestatativa com minha psicologia d
e botequim e, com minhas frases feitas e certeiras, pedi, clamei, implorei para que ele olhasse para o inicio de tudo, pois ele, somente ele, saberia dizer onde havia começado a errar, em qual bifurcação teve a opção de escolher o seu caminho.

Tem horas que não adianta tocar mais no assunto com quem teima em bater repetitivamente na mesma tecla - DÓ, DÓ, DÓ ...tenham dó de mim, eu faço merda o tempo todo, mas tenham dó de mim...DÓ, DÓ, DÓ.

Nada é muito simples de ser resolvido, até para nascer há sofrimento. O parto é um processo de dor, tanto para a mãe quanto para o bebê. Você já nasce gerando dor na sua mãe, mas logo depois ela ri de felicidade e paparica você o resto da sua vida. E você passa a vida assim; rindo, chorando, aprendendo, se decepcionando, lutando, conquistando, afinal, ninguém passa pela vida ileso no corpo e na alma. Agora, viver dentro de um processo de angústia, tristeza e auto-destruição é opção sua, é problema seu ficar aguardando eternamente a bonança depois das tempestades.

Tudo bem, vamos novamente parar tudo. Vou perguntar novamente: Qual o propósito da tua vida? Qual a tua motivação? Qual o pedaço de você que está faltando? Eu disse: TUA VIDA, ASSIM MESMO, EGOISTICAMENTE FALANDO.

Só você sabe a resposta e o caminho a seguir. Não vou poder te ajudar mesmo. Eu também tenho que cuidar de mim, também quero colinho, quero um beijinho do Richard Gere e tem um navio com destino à Paris que está me aguardando ansiosamente para poder partir.





quarta-feira, 25 de abril de 2007

Segundo Passo


"...mas tristeza compõe a maior parte dos momentos da vida, certo?", disse minha amiga, minha inspiradora do textinho anterior. Ela foi avisada, de que havia me fornecido, novamente, uma outra percepção, para mais uma nova crônica. Ela riu.

Certo. Errado. O que importa? Cada um com seu cada um, e todos juntos, formamos uma grande escola onde, almas aprendem com outras almas alguma coisa de útil para sua breve vida terrestre.

Li uma vez, em algum blog, o quão bom seria se houvessem apenas reticências na nossa vida, no nosso pensar, na nossa escrita. Nada de pontos, virgulas, ponto e virgulas; apenas reticências. Desta vez, com todos os achismos, eu acho realmente que foi isso que li. Por um momento, um breve momento, concordei, porém, rapidamente vejo o quanto é necessário um hiato na nossa existência.

Colocar um hiato temporário, para poder dar um ponto final. Sair por aí de porta em porta distribuindo intermináveis pontos finais em nossas tormentas, naquilo ou naqueles que nos tornam infelizes. No entanto, não é tão fácil assim e continuamos atormentados, afinal, há responsabilidades diárias com estudos, casa, trabalho, família, filhos. De olhos fechados, sabemos qual o caminho a seguir, mas nos permitimos protelar nas bifurcações. Ah! Quem sabe um dia eu resolvo. E os dias passam, o tempo passa, a uva passa, o ferro passa, você envelhece, nada se resolve e a conta do analista aumenta.

Menina, vou te colocar de castigo da próxima vez que você me falar que "tristeza compõe a maioria de nossa existência".

A responsabilidade de nossa felicidade é uma carga pesada demais para jogarmos nas costas de alguém. Sabemos o caminho, conhecemos a resposta, todavia, haverá algo que impedirá de dar o segundo passo - o desconhecido. Mas uma hora qualquer você vai dar o segundo, o terceiro, o quarto passo e vai caminhar em direção à algo ou alguém , que te faça verdadeiramente feliz. Desta vez, sem pontos finais - ou não.

Desconhecido? O que seria o desconhecido? - me fiz essa pergunta. Simples. Já sabia a resposta antes de fazê-la. Eu sou o desconhecido. O receio de dar o segundo passo, está implicito no medo que temos de nós mesmos, na insegurança de olharmos no espelho e falarmos em voz alta para que nossos ouvidos nos escute - Eu sou o único culpado por essa situação.

Voltemos lá para o inicio. Certo? Errado? Erradíssimo. A vida, o destino, a vizinha, sua mãe, seu pai, o namorado, o marido, o filho, o patrão, a empregada, ex-amigo...quiçá Deus, enfim, eles não têm culpa de suas escolhas. Reconhecer isso, EU ACHO, é o primeiro passo, para que seja dado o segundo passo. Mas não se demore muito, pois o tempo passa, o tempo voa e a poupança Bamerindus não existe mais.

Não troque sua felicidade por uma viagem com tudo pago à Paris. A cidade das luzes continuará lá, linda! Mas, e a sua luz? Onde estará? Fácil assim? Não. É difícil prá cacete e por demais dolorido. Mas apenas é difícil, jamais impossível. Impossível é Deus pecar.




domingo, 22 de abril de 2007

Recomeço

"Todos os dias Deus nos da um momento em que é possível trocar tudo o que nos faz infelizes. O instante mágico é o momento em que um sim o um não podem trocar toda a nossa existência".

(Paulo Coelho)

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Ut fata trahunt



Ando por demais reflexiva. Mas isso não interessa a ninguém, coisas intimas, as quais só converso com os mais intimos (rs rs rs rs). Na verdade, já ia dormir, tomei meu chá de maçã com canela e já me deu sono. Vou deixar de ser notivoga, de ser morceguinha e dormir as benditas oito horas por dia. Mas me prendi ao noticiário sobre o ocorrido na Virginia, nos EUA, sobre mais um massacre dentro do âmbito escolar.

Eu só queria contar uma historinha, de vida real, da atriz Claudia Gimenez e que muitas vezes quando estou reflexiva demais faço questão de lembrar, de guardar como um grande exemplo de vida, de alegria, determinação e fé, acima de tudo, fé em Deus e em si mesma. Na verdade, estou mandando recado para alguém, então, aproveito e relembro desses belos exemplos de vida, de querer viver, de lutar pela vida.

Claudia teve cancêr e ela contou uma coisa muito engraçada que aconteceu no hospital. Ela mesma ri do ocorrido. Uma vez, passeando pelo hospital em um dos seus tratamentos de quimioterapia, sem querer, ela esbarrou em uma senhora com a perna engessada, ou algo parecido; a senhora gritou e muito zangada perguntou se a Claudia não havia enxergado a perna engessada dela. Bem, Claudia, já quase sem cabelo, mas com uma fitinha daquelas que se coloca em bebês presa em um restinho de cabelo que ainda possuia, olhou para a senhora e disse gritando e igualmente zangada: - Ei, não está vendo que estou com cancêr?

Não adianta protelar muito em sofrimentos. Tem coisas que só são resolvidas com muito bom humor, principalmente nossos desafios mais intimos, coisas de alma, de interior, de nós mesmos. E como diria meu amigo Pedro: "Vou me estressar? Se o problema tem solução, vou me preocupar por quê? E se não tem solução, vou me preocupar por quê? "

Tudo se ajeita, no seu devido tempo. Ut fata trahunt