quinta-feira, 30 de abril de 2009

AAAAAA tchim….

 

Meu irmão quando viajou para a Colombia me trouxe um imã de geladeira com a seguinte descrição: “Salve una vaca, coma pollo”. O problema é que essa vida de ser carnivoro anda cada vez mais complicada: Ora é a vaca que enlouquece. Depois o frango ficou constipado. Agora, o complemento da feijoada, resolveu fazer parte da festa dos doentinhos de plantão. Há salvação: Se o mar estiver para peixe, o lance é comer peixinho. Caso contrário, o jeito é comer matinho, raizes.

Mariposos e Bodega Cultural escreveram dois brilhantes textos sobre a gripe suina. Cada um com a personalidade própria e direcionamentos específicos de seus espaços – Adorei! Mas nisso tudo sabe o que acho interessante? A malária mata mais de 1,5 milhão de pessoas por ano e ninguém nunca chamou de epidemia, pandemia ou qualquer outra mia.

Chato isso né?

Seguindo a sugestão de Mariposo e aproveitando a baixa no turismo, as promoções que virão pós gripe, acho que vou passar minha lua-de-mel em Cáncun, fazer um turismo holistico por Teotihuacán. Sei lá…depois de ver minha amiga toda sorridente, em fotos,  na base de um vulcão ativo…estou mais animada para voltar a viver perigosamente.

Creio sinceramente que todos os órgãos competentes, governos e midia estão fazendo um bom trabalho informativo – apesar dos pesares – estão fazendo o seu papel. Se a informação é exarcebada, o povo reclama, entra em pânico. Se a informação é minima, o povo reclama, diz que é traição, descaso. Resumindo: O povo reclama de qualquer jeito. Daqui a pouco alguém é jogado da janela e o povo esquece da dengue, ops, do porco.

Mas me pergunto: Se fosse um problema local, se não tivesse atravessado fronteiras, se não fosse “um desconhecido virus” - teria o peso que tem hoje?

porco

 

Bom Feriado!

domingo, 26 de abril de 2009

O barato que sai caro

 

Por vezes me sinto vivendo no Mundo de Alice e cantarolando Somewhere over the rainbow. Talvez sejam essas constantes viagens que estejam me deixando meio a la chá de cogumelo ou no nirvana do santo daime. É sempre bom viajar, meio que se alienar dos problemas locais, dos noticiários a nivel nacional. Quando viajo sequer chego perto do computador, da televisão, do periodico diário ou semanal. Mas quando retorno…

tragadinha Agora que os governos e a sociedade estão acordando para o problema do crack no Rio de Janeiro? São Paulo a muitos anos já vinha sinalizando para um problema que não é tão somente mais deles. Sai do noticiário a cracolândia paulista e entra a cracolândia carioca. Meus amigos sociológos talvez me expliquem essa mudança preferencial da midia.

Todos os dias quando vou para o centro da cidade passo  diante de uma certa comunidade e, independente do horário que pegue o ônibus, pois o meu curso me disponibiliza essa flexibilidade em horários,  vejo pessoas (crianças, homens, mulheres e alienigenas) em verdadeiros exemplos de zumbis circulando pelas ruas ou escondidos em terrenos baldios. A cracolândia é velha conhecida dos moradores daquela região  a pelo menos uns cinco anos (segundo alguns clientes que moram dentro daquela comunidade ou nos arredores dela). E somente agora a sociedade carioca se preocupa? 

O fato de quase cadáveres ficarem a olhos vistos em plena avenida Dom Helder Câmara, uma das mais movimentada do subúrbio do Rio de Janeiro, esteja começando a agredir aos olhos dos hipócritas. Realmente é feio mesmo ver àquela gente feia, pobre, maltrapilha caminhando feito zumbis enquanto você segue em direção ao trabalho, ao estudo, ao seu lazer. Melhor cortar caminho pelas vias expressas que iluminam os olhos numa rota de fuga.  Talvez  eles estejam ali para chamar tua atenção, sinalizando a situação degradante que vivem e que o crack proporciona às suas  miseráveis vidas.

- Tia…tá me vendo aqui? Sou o lixo que resta de sua hipocrisia, da falta de trabalho, de estudos, de comida, de uma familia, de anos de ausência dos orgãos públicos”.

- E eu com isso meu filho? Se fosse pelo menos parecido com Selton Mello interpretando João Estrela, valeria a pena te dar ibope.

Calma Beth, calma! A grande maioria, quando passa por ali,  ainda está sonolenta ou cansada demais para perceber o que vinha crescendo gradativamente a olhos vistos.

Em tempos de visita do COI (Comitê Olimpico Internacional), talvez governo e sociedade consigam salvar àqueles pobres daquela situação deplorável, que caminham perdidos nas calçadas, com seus planos de ação  “a la choque elétrico”. Amanhã, durante o dia, numa manobra make up, talvez não os veja mais; quando meu ônibus passar em frente e eu ficar observando da janela àqueles pobres almas perdidas no purgatório de uma vida real. Talvez eles estejam a noite…quando tudo é silêncio, mistério, ausência, omissão, quando os gatos são pardos e o motorista do ônibus não para mais naquele ponto. Pena não terem percebido a tempo que o crack entrava pelas fronteiras e se instalava sorrateiramente, silenciosamente. Será que não perceberam?

“De acordo com dados da Secretaria Municipal de Assistência Social, o último mapeamento, de 2008, revelou que cerca de 400 crianças e adolescentes vivem nas ruas e noventa por cento delas são viciadas em crack”. Isso em 2008 - eles já sabiam. Portanto, não é um problema que cresceu de um ano para outro. O problema é que hoje está a olhos vistos, longe dos redutos da cracolândia e mais próxima do asfalto e para quem quiser ver – o que já era visto e sabido.

 

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Homens da capa preta em: Vossa Excelência me respeite.

 

 

Themis A voz do povo é a voz de Joaquim Barbosa?

O diálogo  fora do tom  entre os Excelentissimos Ministros do Supremo Tribunal Federal em mais um espetáculo para mídia ver e se deliciar,  me deixaram de cara passada e boca aberta.   Aguardarei Agamenon Mendes Pereira, em seu parecer final antes de guardar o ferro e fechar a boca.

Me veio aquela sensação de que havia algo engasgado, entalado; uma bomba pronta para ser detonada, pois só faltava apertar o botão em uma contagem regressiva.  O Ministro Gilmar Mendes apertou o botão e o vômito do Ministro Joaquim Barbosa me fez recordar “en passant” Fernando Gabeira, em âmbito legislativo.

Confesso que ingenuamente espero barracos circenses desse tipo nas casas do executivo e legislativo, de preferência em sessão plenária, como de costume. Jamais esperaria tal espetáculo em âmbito judiciário vindo de homens de “notável saber jurídico e reputação ilibada” (conforme reza art. 101 da CRFB), apesar de ter ciência de ser a segunda rusga entre ambos. Portanto, não tardará a terceira bomba suprema.  Espero que tal barraco não gere “súmula vinculante” a ser seguida  pelos tribunais.

Fulcrada no artigo 5º, IV, da nossa Carta Magna; Senhor Ministro Gilmar Mendes, vos digo: “a rua” nem sabe quem é o senhor, apesar de sentirem o peso final de vossas decisões. E o pouco que andei lendo em comentários dos leitores,  percebi que as cabeças que ainda pensam e questionam não estão do lado de Vossa Excelência. Aliás, faço coro com um dos leitores do Portal G1, entre tantas centenas de comentários lidos e do qual fiz parte, que em resumo disse: chega de decisões políticas, parciais, tendenciosas, protecionistas. Concordo e assino embaixo.

Se quer ser respeitado, faça-se respeitar! Frase feita, eu sei.  Serve para qualquer um, inclusive para os ministros supremos.

E com todo respeito: - Concessa máxima vênia Vossa Excelência, quem merece respeito é o povo.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Eles dançam. E eu me encanto.

 

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Em minha passagem pelo Nordeste, nas terras de painho e mainha,  pude reencontrar lugares outrora pisados. Assim como também conheci lugares que me encantaram. Um desses lugares é Caruaru/PE.

Na estrada já podia visualizar o mandacaru florido, o senhor que parecia estar vestido para a missa e seu chapéu panamá, as feiras repletas de sabores, os vendedores de pitomba na beira da estrada. Pitomba. Recordei-me de minha infância pendurada em árvores de pitomba.  Comprei cachos e mais cachos de pitomba. Apresentei ao grupo a pitomba, o umbu, a mangaba, a azeitona. Azeitona? É como eles chamam o jamelão. E a van parecia um carrinho de supermercado a caminho de Caruaru – A Princezinha do Agreste.

Subindo a Serra das Russas, o motorista nos sinalizava para um momento inesquecivel e que nos deixaria encantados. Máquinas e filmadoras a postos aguardando esse momento único aos olhos. “Pronto. Um túnel. O nosso túnel”. Tanta expectativa para um túnel? Antes que a decepção viesse, de imediato expliquei para o grupo que diferentemente de nós, moradores de grandes metrópoles, onde os túneis servem como rota de fuga ou aproximação entre os bairros, para eles é uma grande novidade. E que belo túnel. O mais belo dos túneis. Belo aos olhos daquele pernambucano, belo aos nossos olhos. Turista tem que ser assim, um ser encantado com as velhas e rotineiras novidades.

Caruaru estava logo a frente e da estrada podíamos observar o quão grande e intensa é Caruaru. O burburinho do centro, dos shoppings, as igrejas de um século passado. E a feira? A Feira de Caruaru era a grande expectativa. Um grande complexo turistico onde de tudo se compra. “De um lado, as frutas, as comidas, o shopping de carnes. Do outro lado, as barracas de roupas, os penduricalhos. Mais adiante, a feira de artesanato, as bandas de pifanos, os artistas locais, a obra de Mestre Vitalino sendo perpetuada, os odes à Luiz Gonzaga.

E foi  no pátio da Feira de Artesanato que deu inicio todo meu encantamento por àquele povo não acostumado as lágrimas.

Enquanto aguardava o grupo com suas compras artesanais, fiquei por algum tempo filmando, fotografando, observando os transeuntes que passavam pelo pátio da feira de artesanato. E ao observá-los constatei: Eles dançam. Eles estão dançando. De passagem, eles param para dançar.

DSC09969Bater de palmas, danças, sapateados eram vindos de qualquer um que adentrava ao pátio da feira de artesanato. De repente as pessoas dançavam. Que felicidade era aquela? Que alegria contagiante era aquela que fazia turistas e locais dançarem? Parecia que uma simples canção era motivo de comemorar a vida. Do palco vinham canções que eternizaram Luis Gonzaga ou homenageavam o Centenário de Mestre Vitalino. E eles dançavam, aplaudiam, cantavam junto com os artistas, saiam pelas ruas pulando. Eles pulavam no meio das ruas.

Que lugar era aquele? Não havia mar, nem água cristalina,  peixinhos coloridos, gente bonita ou extremamente elegante. Por que estar naquele lugar fazia as pessoas, naquele momento, felizes?

Seriam os meus olhos? Estaria eu contaminada por algo surreal a la chá de cogumelo, ou puro efeito da cachaça de caju?  Não. A paixão por sua terra, pela sua arte, pelo seu povo – esse era o segredo. E essa talvez seja a resposta. A resposta que encontrei ao visitar o museu do forró, do barro. Ao conhecer a história de Mestre Vitalino, de Luiz Gonzaga, de Ana das Carrancas tão bem explicada de forma emocionada pelo guia do museu.  O segredo está na terra, naquele povo que não tem tempo para chorar.

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E como dizia Mestre Vitalino: "Na minha terra, as mãos produzem comida, a cabeça só produz confusão"

Caruaru, merece o título de Princezinha do Agreste. Pena que não tirei tantas fotos e ainda não tive tempo de editar meu video de Caruaru e colocá-lo no no meu canal Youtube. Querem saber? Tamanho encantamento guardarei no coração com àquela vontade louca de retornar em breve à terra de Mestre Vitalino e tão bem cantada por Luiz Gonzaga!

Como diz o final do video abaixo: “…Se você não gosta do meu canto, vá s´embora seu calango. Vá viver no seu buraco.”

 

Feira de Caruaru,
Faz gosto a gente vê.
De tudo que há no mundo,
Nela tem pra vendê,
Na feira de Caruaru.

Tem massa de mandioca,
Batata assada, tem ovo cru,
Banana, laranja, manga,
Batata, doce, queijo e caju,
Cenoura, jabuticaba,
Guiné, galinha, pato e peru,
Tem bode, carneiro, porco,
Se duvidá... inté cururu.

Tem cesto, balaio, corda,
Tamanco, gréia, tem cuêi-tatu,
Tem fumo, tem tabaqueiro,
Feito de chifre de boi zebu,
Caneco acuvitêro,
Penêra boa e mé de uruçú,
Tem carça de arvorada,
Que é pra matuto não andá nú.


Tem rêde, tem balieira,
Mode minino caçá nambu,
Maxixe, cebola verde,
Tomate, cuento, couve e chuchu,
Armoço feito nas cordas,
Pirão mixido que nem angu,
Mubia de tamburête,
Feita do tronco do mulungú.


Tem louiça, tem ferro véio,
Sorvete de raspa que faz jaú,
Gelada, cardo de cana,
Fruta de paima e mandacaru.
Bunecos de Vitalino,
Que são cunhecidos inté no Sul,
De tudo que há no mundo,
Tem na Feira de Caruaru.

terça-feira, 14 de abril de 2009

O Barato da Vida

 

DSC00193 (foto de arquivo pessoal)

Durante o nosso retorno para o RJ, logo após a decolagem – depois passarmos alguns dias em Pernambuco e Paraiba -  falei para o maridão: - “Bicho, sabe qual é o barato da vida? É saber que em algum lugar lá embaixo está chovendo muito (haviamos saido de Recife debaixo de forte chuva) mas que o sol, de alguma forma, está  acima das camadas de nuvens de chuva. E mesmo que sejam muitas camadas acima, ele sempre estará brilhando. ”

A viagem foi maravilhosa tanto em âmbito profissional quanto pessoal; fiquei um pouco febril durante minha ida à Porto de Galinhas, mas não impediu de dar atenção ao grupo e um abraço apertado no saudoso e querido Wolverine (que está a mil por hora, cheio de planos, projetos e estudos. E que cara maravilhoso, educado, gentil e inteligente…).

Pena que com a correria do trabalho, eu e Juli Ribeiro não nos encontramos. Batemos um longo papo pelo telefone, pensamos em alguma alternativa de última hora para selarmos nosso encontro, mas não deu. Mas como ela é um sol…muito em breve estaremos juntas.

Apenas esqueci de dizer para o maridão que não é só e tão somente o sol que brilha acima das nuvens de chuva, mas as pessoas também brilham. Juli e Wolve são assim, partes desse barato da vida.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Um novo fim

 

passo

Nasceste no lar que precisavas, vestistes o corpo físico que merecias, moras onde melhor Deus te proporcionou, de acordo com o teu adiantamento.

Possuis os recursos financeiros coerentes com as tuas necessidades, nem mais nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas.

Teu ambiente de trabalho é o que elegeste espontaneamente para a tua realização.

Teus parentes e amigos são as almas que atraístes, com tua própria afinidade.

Portanto, teu destino está constantemente sob teu controle.

Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais, buscas, expulsas, modificas tudo aquilo que te rodeia a existência.

Teus pensamentos e vontades são a chave de teus atos e atitudes…

São as fontes de atração e repulsão na tua jornada de vivência.

Não reclames nem te faças de vítima.

Antes de tudo, analisa e observa.

A mudança está em tuas mãos.

Reprograma a tua meta, busca o bem e viverás melhor.

Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode  começar agora e fazer um novo fim.

CHICO XAVIER

Essa mensagem de Chico Xavier dedico à uma pessoa muito especial que está passando por um momento muito especial da vida dela – momentos de reencontros e reflexões  consigo mesma; mas é uma mensagem que serve para qualquer um de nós. E jamais esquecendo que: Deus não dá um fardo maior do que aquele que podemos carregar. 

Antecipadamente desejo a todos uma BOA PÁSCOA. Irei dar uma chegadinha em Recife/PE e adjacências - trabalhando, é claro -  logo retornarei.