domingo, 24 de fevereiro de 2008

Gargarejo de vinagre e sal

 

0067"Se não abrirmos os olhos para o que deixamos de ser, para o que largamos na caminhada, nunca encontremos o que buscamos na vida, nem nosso caminho de casa".

Começo escrevendo com uma frase de um artigo de Márcia Peltier. Aliás, sou fã de Márcia e de sua forma de escrever  dando apenas uma resposta para tudo. "Só depende de você" - frase feita, mas certeira. Quem me conhece, sabe que sou adepta dessa corrente superlativa e objetiva sem muito de "comiserações pessoais".

A resposta é simples: Sem essa de guerra dos sexos. A única guerra que conheço é a de diferença salarial no mercado de trabalho! O que existe é um bando de gente carente que fica escolhendo o parceiro por predicados diversos! E como não conseguem juntar alhos + bugalhos acabam choramingando por ai.  Qual é a cor do seu namorado: preto, branco, loiro ou moreno (lembram da brincadeira? Ela ainda existe? E desde quando loiro é cor de alguém?)

Dia desses estava lendo um artigo de Marcia e fiquei pensando em quantas vezes olhei para o espelho e fiquei me observando. E dia desses fiz isso (aliás, sempre faço isso para espantar meus fantasmas interiores). Na crise dos 40 (me permito ter essa crise), descobri que quatro décadas depois meus peitos não cairam (ainda passam no teste do lápis - Adão me perguntou que teste do lápis era esse - imaginem eu explicando!!!), não há rugas (apenas olheiras pela ausência das oito horas de sono - segundo a dermato), celulites em dia, bumbum no lugar, um cabelo brilhoso  com muitos fios brancos - apesar das quimicas,  um cadinho de barriguinha (ando comilona demais)...Hum...Mas o principal ainda consegui enxergar lá dentro do espelho - a menina ainda mora dentro de mim e ainda sorri com o canto da boca quando tem vontade de aprontar algo, disputa atenção da mãe com o irmão, adora ser pirracenta e finge chorar para conseguir algo. A menina ainda se permite existir.

Falando sério: fiquei pensando em quem nunca se olhou no espelho e não viu o tempo passar seja na vida pessoal ou na profissional. E de repente enxerga que não há mais espaço para você nas boates, nos papos-cabeças de amigos que progrediram, no mercado de trabalho, dentro do seu lar e o pior dentro de você mesma.  E vai culpar  o mundo pelo seu próximo inferno astral que está prestes a chegar - e está vindo a galope de um corcel negro.

Qual a linha tênue entre a solidão escolhida, um novo recomeço  ou a próxima decepção com um chifre recebido, as próximas brigas, ou a próxima vez que você vai silenciar para a paz reinar? E quantas e quantas vezes será necessário você emudecer e viver a vida vendendo uma imagem mentirosa de você mesmo para os outros lhe aplaudirem?  E se você descobrir após anos que àquele cara frequentava prostibulos para fazer suruba enquanto você o aguardava em casa? E se você descobrir que ela falava mal de você no trabalho e que você era conhecido como o corno do século pelos amigos dela? E se você descobrir que seu melhor amigo sempre foi apaixonado por sua namorada e aguardou vocês se afastarem para se aproximar e conquistá-la.  E se você descobrir que enquanto você era uma noiva fiel e dedicada ele tinha uma segunda noiva fiel e dedicada. E se você descobrir que...Esquece...É melhor nem saber, nem sempre encontrar um jornalista curioso pela frente faz bem.

Minha amiga, 33 anos, já  na porta do altar...desistiu de casar! Outro amigo, precisou casar com sua musa e três meses depois percebeu que não era ela a escolhida para passar os dias ao seu lado. Ambos, rapidamente, entenderam o que procuravam e fizeram suas escolhas em busca do respeito, do amor e da equilibro mental. (Acho que vou promover um encontro entre ambos...quem sabe?!?)

Quanta coragem desses meus amigos! Remar contra a maré...enquanto muitos estão chorando esses desencontros e preferem os chifres à solidão. Eles, vêm e dispensam qualquer oportunidade de serem a princesa e o maridão  da vez.

"Quantas de nós emudecemos por receio, medo ou até comodismo e, lá na frente, nem nos reconhecemos mais?" - Me perguntou Márcia na sua crônica. Sim! Me perguntou. Leio e tomo para mim cada crônica, depois olho para meu umbigo, corto minha carne e ai sim...estou pronta para escrever, opinar, questionar, debater...

Medo de gritar? Gritar faz um bem danado, as vezes gera uma rouquidão, mas nada que um gargarejo com vinagre e sal não resolva.

6 comentários:

adaobraga disse...

Quantas e quantas vezes elas e eles acharem necessárias. Este estilo de vida é muito comum. Uma parte da população acha maior graça e se diz feliz, contente, alegre, vivendo assim comiserando sempre e constantemente:

- Você não sente pena de mim?

- Minha vida é tão triste, que outro dia, estava contando para uma amiga, e tinha uma carroça por perto, e minha história é tão triste que até aquela burra chorou!

Pedro disse...

"Quem tem pena é galinha. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come."
Felicidade é possivel, principalmente para quem tem amor-próprio. Vale muito mais a pena estar sozinho do que se prostituindo emocionalmente em relações tendem sempre aos altos e baixos dos fracassos.
beijão gatona

Luciana Cantanhede disse...

Seria bom se todos tomassem atitudes ao invés de se queixar da vida e de Deus.

Ana Paula disse...

Nossa, somos mais parecidas do que eu imaginava. Me explico: medrosa assumida, não quero nem pensar em voar... Mas ainda passo no teste do lápis com maestria, ainda não tenho rugas, meu cabelo me enche de orgulho... Ainda vejo a menina dentro de mim, ela ainda faz bico, cruza os braços, bate o pezinho... Também tenho os mesmos questionamentos, as mesmas posições diante da vida...

Paola disse...

Ai, Beth quanto tempo não passo por aqui e vejo este post.
Assim como vc, a AP, também passo no teste do lápis e tenho meus questionamentos diante dessa vida...
Beijos

*Me, hoje pensativa*

Thiago dos Reis disse...

belo texto, muito bom mesmo.

eu tenho uma barreira. eu não confio em ninguém, nunca. eu não me apaixono e não me deixo amar.

eu evoluo sozinho, monto minha escada e construo meu próprio caminho.

ainda sou jovem, tenho muito pela frente e espero acertar mais do que errar.

beijo!