domingo, 13 de janeiro de 2008

Não assisti Tropa de Elite...nem no Youtube!!

 

Em tempos de carnaval, na possível ausência dos gatissimos Papa Charles  que talvez entrem em greve...só mesmo com máscara do Capitão Nascimento para garantir a Insegurança Pública Momesca.

Mas voltemos ao título do post. Uma vez, comentei no espaço da super Claudya, que não assisti e nem pretendo assistir Tropa de Elite. Nada contra a obra, mas como carioca que sou, acaba cansando ler, cansando ouvir, cansando saber de tanto bang bang ou ratatata´s diários na cidade; definitivamente não preciso pagar para ver o que já sei.

Recentemente (nem tanto assim), li no jornal local, como foi a preparação do ator Wagner Moura para incorporar o Capitão Nascimento. E quão difícil foi para a equipe essa incorporação, haja vista, o ator viver um período de nirvana, muita paz e amor após o nascimento de seu primeiro filho. Wagner obedecia a tudo sem grandes problemas. No entanto, o Capitão Nascimento não era um cara tão zen assim, ele precisava nascer, precisava surgir, precisava sair das ruas e entrar no ator. Então, Paulo Storani, ex-BOPE, um dos preparadores, falou baixinho no ouvido do ator: imagine o que um cara desses é capaz de fazer com uma criança. Pronto! Sai o pai Wagner Moura e nasce Capitão Nascimento que dá um soco direto e reto na cara de Paulo Storani.

Mas, Capitão Nascimento e sua turma saiu das telas e virou moda no verão, a música é indispensável às festas  e a máscara será a máxima no carnaval carioca. O novo herói tupiniquim virou a grande piada do povo contra o sistema, ou será o sistema o grande piadista da vez?  Afinal, quem é ou o que é  o sistema? Selton Melo descobriu? Nem vi o seriado, era muito chato. Mas, o fato é que meu herói ainda é o He-Man que tinha como único inimigo o fofíssimo do Esqueleto.

Admiro o trabalho do BOPE,  é claro!! Já fui noiva de um policial militar. Sei o que é perder seu melhor homem numa operação, sei o que é sair de madrugada para comandar um operação, sei o que é ficar desanimado com a chegada do pagamento, sei o que é correr por fora para pagar a faculdade, sei o que é andar com a arma debaixo do banco do carro, sei o que é ficar alerta ao menor movimento estranho ao seu redor, sei o que é ser abandonado pelo sistema enquanto lá dentro tem mais de 60 devidamente armados até os dentes. Sei como é difícil o homem acostumado a violência, a cadáveres, a escória humana, ter o olhar doce e carinhoso que toda mulher procura. (Epa! Meu ex sobreviveu a tudo isso, ainda é um apreciador de música clássica nos momentos de folga e um gentleman que ainda manda flores no meu aniversário).

No entanto, não é por saber X que tenho que aceitar Y e que somente vestindo fantasia de Capitão Nascimento estarei protegida do sistema. Ainda prefiro sair fantasiada de bate-bola no carnaval.

O filme ainda está em cartaz? Não sei, nem quero saber. Só sei que a banca de camelô aqui perto de casa anda vendendo Tropa de elite 2 - O retorno do baiano -  Por onde anda Capitão Nascimento?  Cadê o baiano? Bem, o único baiano que conheço, e que não é baiano é mineiro, anda lá pelas bandas de Irecê. Dizem que nem o diretor está sabendo que ele gravou Tropa de Elite 2. E Capitão Nascimento deve estar em algum interior tentando convencer a mulher a voltar para ele.

** O artigo abaixo é uma critica bem inteligente à todo esse endeusamento ao novo "heroi nacional kid" e  a tudo o que o envolve.

 

Artigo de Valdo Barcelos, Professor e Escritor - UFSM.

DEVORANDO O CAPITÃO...

"Não falta muito para o Capitão Nascimento, ou seria o ator Wagner Moura? Aquele do filme Tropa de Elite ou do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) receber o título de Cidadão Emérito da Cidade Maravilhosa. Muito provavelmente o carnaval carioca de 2008 (talvez do Brasil todo) ganhe um novo personagem que terá como fantasia a inconfundível caveira símbolo do temível Bope que barbariza uns e provoca frenesi em outros. Nos ambientes virtuais está tudo dominado. São centenas de Blogs, Orkuts, no YouTube o sucesso é total, comunidades as mais diversas e efêmeras surgem e desaparecem como num passe de mágica, ou como as incursões repentinas do Capitão Nascimento e seus bravos nos morros cariocas. Chegam, barbarizam e desaparecem, para aparecer novamente em outro lugar. Quem viu, viu. Quem vacilou, dançou.

Enquanto isto os sociólogos, antropólogos e politólogos de plantão na Academia se esmeram em buscar explicações filosóficas e sociológicas para o fenômeno do Capitão justiceiro. Até agora o mais longe que chegaram foi repetir o velho e surrado bordão de que tudo é “culpa do sistema”. Nas salas climatizadas e acarpetadas dos cinemas, cidadãos(ãs) bem comportados e religiosos aplaudem de pé a truculência do Capitão Nascimento e de seus soldados 01, 02, 03! São essas mesmas “pessoas de bem” que na missa dominical são vistas compenetradas meditando e dedilhando as contas de seus rosários por entre os dedos brancos de suas mãos delicadas. Nos estádios de futebol os craques já começam a imitar os gestos dos matadores do Bope após mandarem a bola para o fundo da rede. As lojas já estão vendendo a fantasia do Capitão Nascimento para o maior evento antropofágico e pop do Brasil: o Carnaval.

Em meio a tantas teorizações e análises acadêmicas sobre o que vai sobrar de tudo isto, prefiro ficar com a nossa velha, criativa e boa Antropofagia Cultural, que já devorou bispos, portugueses e bandeirantes. Na minha previsão o Capitão Nascimento e seus “meninos” do Bope serão devorados, ruminados, regurgitados e então o povão vai ver o que vale a pena digerir.

O resto? Bem, o resto será solene e cordialmente vomitado e irá parar nas valas do esgoto das ruas da Cidade Maravilhosa. Enquanto isto os acadêmicos estarão muito ocupados nas próximas décadas orientando Teses e Dissertações sobre o Capitão Wagner Moura ou seria o ator Wagner Nascimento? Como se pode perceber, continuam perdidos e fora do mundo. Mas e as autoridades de segurança e a polícia, onde estarão? Onde sempre estiveram: as primeiras nos gabinetes fazendo política e a segunda nas ruas negociando com traficantes, dando porrada na chinelagem, chutando porta de barraco, suspeitando de todo cidadão negro que encontrarem pela frente, etc. etc.

Agora só falta aparecer alguém para concluir que o BOPE é pop."

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Ahhhh! isso me lembrou uma música do Engenheiros do Hawai!

O BOPE É POP

O BOPE É POP

O BOPE NÃO POUPA NINGUÉM!

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Xi! Errei! Era o Papa que não poupava

11 comentários:

Menina do Rio disse...

Estive um tempo sem Pc e acho que me atrasei nos votos de um novo e feliz ano, mas quero deixar-te meu carinho e agradecer por tua presença em meus dias.

Um ano de amor, sabedoria , indulgência, humildade e discernimento a todos nós!

Ricardo Rayol disse...

mandou muito bem nesse texto. foi fundo na ferida. E mostrou um lado intrigante.

Adao Braga disse...

Eu hein! Eu no tropa de Elite, como o baiano, que se lasca no final??? tô fora!

Pedro disse...

Esqueleto fofissimo? Mas ele só tinha ossos! rsrsrs
Gostei do trocadilho com a música dos Engenheiros - muito criativo de sua parte.
Olha! Ambos os textos estão excelentes. O seu, com todo o seu sarcasmo. E o do professor e o seu combate ao que ele chama de Antropofagia Cultural - boa escolha.
Enquanto uns procuram a resposta, o povo continuará com sua idolatria aos novos idolos, agora virtuais.
Beijão gatona

Nil Brito disse...

Oi, Beth,
Normalmente, não assisto a filme brasileiro. Já tive preconceito. Agora, é questão apenas de hábito, não assistir. O último que assisti foi Central do Brasil (que gostei). E o Tropa de Elite. Assisti em casa, DVD pirata que meu filho trouxe. E gostei. Gostei do trabalho dos atores, do Wagner Moura, do roteiro, da produção, direção, enfim. Gostei. Agora, não entro nessa discussão toda pq acho uma coisa meio babaca. Todo mundo quer dar uma de "intelectual entendido na problemática nacional", e não chega a lugar nenhum. A questão é o filme em si: se ele provocou todo esse debate, ele é bom! E viva o Capitão Nascimento! (rs)

abs do nil

MUTUMUTUM disse...

"O retorno do Baiano"?!?! Kkkkk... ficaria cool... um Baiano com a cara furada por causa de um tiro de uma bala grosso calibre :) Bem Batman, Homem-Aranha e adjacentes :)

De qq forma, belo post. A realidade é dura, mesmo... e o povo insiste em enxergar, apenas, os filmes... as fantasias...

Beijos o/

Thiane disse...

É, eu estou com essa sensação em relação o Meu Nome Não è Johny. Me parece exatamente como tudo o que a gente já sabe. Espero que vc esteja bem. Em breve o blog novo estará no ar. Beijos

Thiane disse...

Espero que vc esteja bem querido.
Daqui a pouco o blog volta.
Beijos

Vinicius disse...

huauha gostei rs..
vou roubar essa letra pra minha banda gora rs..
o bope é pop.. o bope é pop...

Gabriel (Sir DoRêgo) disse...

perfect o escrito....eu tambem nao queria ver...mas aqui em Portugal parece que a febre chegou...e acabei assistindo...até para ver como eles nos veem e só se confirmou...o meu medo em nao querer assistir e ter que explicar o inexplicavel...
mas no fim acabei por deixar pra lá e até que o filme tem algumas cenas engraçadas...eu disse algumas...
saudações a voce guria...

Tatiana disse...

o que me deixa revoltada é saber que crianças viram o filme. Não poderia ser assim e usam o jargões próprios do personagem principal nas ruas, escolas.
beijos amiga