segunda-feira, 17 de setembro de 2007

O Torpedo II


Três mocinhas elegantes - cobra, jacaré e elefante!

M - Muito engraçadinha você.
B - Sou mesmo, uma graçinha, diga-se de passagem.

D, M e B estavam saracoteando pela Coutê D´Azur, após a aventura do carro que foi devidamente resgatado daquele banco de areia que surgiu de repente na frente do carango. Até hoje B jura que não fez nada de errado naquela manobra.

Quando as três moçoilas, enfim, estavam desfrutando dos peixinhos, cervejinha e um belíssimo pôr de sol com àquele vento frio a beira mar, aparece uma saracoteante senhora à mesa perguntando se alguma delas era casada. Sendo que, essa saracoteante senhora ficou estrategicamente posicionada atrás de B.

M muito séria, diga-se de passagem, como toda causídica que se preze deve ser (pelo menos faz de conta que é), levantou a sobrancelha e imediatamente ao mesmo tempo em que respondia que era a casada do grupo, sinalizava astutamente para B desconfiando da intenção daquela senhora para com B. Com o olhar dizia tipo assim: é contigo minha nêga!

- Bem, vou ser sincera com vocês. Estou trazendo um bilhete de um amigo que ficou muito interessado em você moreninha. Ele está ali naquela mesa, olhando para cá, o moreno alto, bonito e sensual.

B - Esse bilhete é para mim?

- Bilhete? Disse a senhora saracoteante. Não, é o cartão de visitas dele, com telefone, endereço, nome da empresa e sua função presidencial.


D e M se puseram a rir daquela sinuca que B sem querer se meteu. A astuta e saracoteante senhora, além de ser portadora do seu pretendente, era uma tagarela de marca maior. Falou toda sua vida em questão de minutos, disse inclusive que era gay, mas que era casada e que sua companheira era muito ciumenta, entre outras coisas mais. Além disso, fez B jurar que iria ligar para o pretendente, passou para ela todo o curriculum vitae dele, vida intima e social. E quando menos B espera, o tal pretendente senta-se a mesa. "Nossa! Que moreno bonito, simpático, que sorriso lindo" - Epa! Não foram as palavras de B, foram as conclusões finais de D e M para o pretendente de B.

O papo que deveria ser entre D, M e B numa linda tarde fria a beira mar, acabou tendo a companhia de mais dois personagens que souberam simpaticamente e estrategicamente ganhar a simpatia do grupo.

- Vocês vão fazer o que hoje a noite? Ele perguntou, é claro!
D - Vamos à Buzios!
- E amanhã? (insistente ele heim?)
D - Vamos à Rio das Ostras, na praia tal....!
- Adoro essa praia, podemos nos encontrar por lá. O que acham? (chatonildo!)
D - Ótimo! Almoçaremos todos juntos!
- Posso ligar para você? (olhando para B) Para confirmar em que quiosque vocês estarão?
B - ham ham!
- Esse telefone é o seu mesmo?
B - ham ham!
- Então, combinado assim. Amanhã nos encontraremos ok?
B - ham ham!

Despedidas a parte, conta paga, as três decidiram descansar antes da noitada em Búzios. No caminho para casa, relembram a conversa com pretendente de B.

M - O que você achou B?
B - Hoje, não iremos à Buzios, iremos à Cabo Frio. Amanhã não vamos mais à Rio das Ostras, iremos à Buzios. E me lembrem de desligar meu celular?
D e M - Como assim? Você não gostou dele? Perguntaram chocadas
B - Fala sério! A primeira coisa que vi foi ele se levantar da mesa onde estava, ir no banheiro, não lavou as mãos no lavatório e ainda sentou na nossa mesa. E as otárias manezinhas ainda apertaram a mão dele.
D e M - Que nojo!

B depois de ouvir a defesa da parte ré que tentava argumentar o quão interessante era o pretendente, disparou: -Meninas! Vamos combinar? Deixemos o banheiro e mãos não lavadas a parte, mas há coisa mais brega do que o velho cartão de visitas empresarial numa conquista? Soa como algo vendável; ele está se vendendo e eu comprando. Não rola. Ainda prefiro a estratégia do velho e bom papelzinho de guardanapo com letra de próprio punho entregue pelo garçom.

D - Concordo com você, de próprio punho é mais interessante.
M - Jamais vou me perdoar por ter apertado a mão dele.
D e M - Mas que ele é uma gracinha, isso ele é - deixa a gente ver o cartão dele?
B - Sei!

Muitas e muitas luas e luas depois, B remexendo na sua carteira de documentos descobre que o cartão ainda estava lá, devidamente guardado.

- De quem é esse cartão? Um certo cara perguntou curioso.
B - Pois então...veja bem...!
- Ham...Ham! Sei! Outro torpedo?
B - Pô, faz maior tempão isso ai.
- Sei! Se não estou enganado, faz pouco tempo que a senhorita foi à Coutê D´Azur.
B - É mesmo? Nem me lembrava.


*** Até hoje B não descobriu se foi D ou M que deu o telefone dela para o tal cara do torpedo.

5 comentários:

Pedro disse...

hahahahahahaha outro torpedo?

Carlos disse...

seiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

Paola a Estranha disse...

hahaha
Já viu o que me aconteceu ontem amada? kkkk
Bjks

Poliedro disse...

Texto profundamente envolvente numa bela atitude de sedução e conquista.
Excelente jogo de palavras, adornadas com diálogos que não maçam ou incomodam.
Leitura fácil de assimilar.
Adorei!
O Torpedo!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Beijos de sinceridade e afecto
pena

Beth disse...

Paola = acho que combinamos algo, mas o meu faz um certo tempinho.

Poeliedro = sempre tão gentil.

Pedro = amore de my life, pois é .... estou virando uma mulher bombardeada por torpedos.

Carlos = os papéis se inverteram neh ?