terça-feira, 18 de setembro de 2007

21 anos depois....


Prontissima para dormir e o telefone toca desesperadamente. Olho o bina (coisa boa esse negócio de bina) e me surpreendo com a ligação de uma amiga meio sumidinha do mapa. Ela me ligou para contar que estava se separando após 17 anos de casamento, 2 de namoro e 2 de noivado.

Nossa! Fiquei meio atônita. Sabe àquele casal que você não vê defeitos socialmente? Foram os primeiros namorados um do outro, ela engravidou, anteciparam o casamento e levaram a vida crescendo juntos, ajudando um ao outro, sendo parceiros na dificuldade para poderem usufruir o bem estar ou a tranquilidade financeira sonhada, torceram pelo reconhecimento profissional um do outro e não rolava disputas ou havia desconforto de quem ganhava mais que o outro, dividiam todas as despesas. Era um casal agradabilíssimo de se conviver, nunca rolou um stress social, barracos, mal estar ou deixas diversas. Casal bacana mesmo de querer estar junto. E agora vem ela com a bendita separação e seus argumentos: Amiga, pensei, pensei, pensei e decidi - pedi o divórcio.


Os argumentos dela (por ela):

Trabalho, sou formada em 2 faculdades, tenho mestrado e várias especializações, ganho relativamente bem, os filhos estão bem criados, não dependo dele para nada financeiramente e o que estou fazendo dormindo ao lado do meu melhor amigo? Estava há dias incomodada com essa situação, achava que o problema era comigo, tipo TPM, bipolaridade, essas coisas de mulherzinha. Viajei, fiquei uns dias fora com as crianças e não senti a menor falta dele, comecei a imaginar a minha vida sem ele e me sai bem hipoteticamente. Madrugada passada, depois de muito rolar para cá e para lá, sentei na cama, catuquei ele, chamei para a conversa e decidimos pela separação. E estou me sentindo leve e feliz. Parece que tirei um peso das costas. Hoje, conversamos com as crianças, elas entenderam e aceitaram prontamente nossa decisão.

O Consenso ! (por ela)

Não rolou stress. Para minha alegre surpresa ele confessou que pensava nessa possibilidade. Durante a nossa conversa, a única exigência que ele fez foi de ficar com os Victor Hugo e Kafka (os cães labradores) e que judicialmente possamos sugerir uma guarda compartilhada das crianças e quer que preservemos o patrimônio das crianças.

Voltando ao telefone:

- Amiga, eu estava dormindo e transando com meu amigo. Definitivamente não dá para rolar sexo por sexo com o pai dos seus filhos. Acabou o amor. E você sabe que eu odeio barracos, tristeza, depressões, traições, mendicância de amor, conviver dentro de uma união morna; e antes que isso acontecesse ou fossêmos parar no divã de um analista, preferi terminar o casamento.

- Nossa! Simples assim? E como você está? Tudo bem? Em que posso te ajudar?

- Amiga, quando a gente quer é simples demais. Mas te liguei para te pedir um favor: me dá o telefone de um advogado especialista em direito de familia? Sabe como é...temos patrimônio... 4 filhos ainda menores. Quero saber como funciona esse negócio de guarda compartilhada, achei bacana essa idéia dele de dividirmos as responsabilidades com as educação das crianças. Você entende, não é mesmo?

- Anota ai!


******** O que me chamou mesmo a atenção nessa história de separação, foi o fato dela dizer: descobri que não sentia falta dele. Me lembrou o filme A Guerra dos Roses, onde, se não me engano, Oliver (Michel Douglas) enfartava e Bárbara (Kathleen Turner) não foi buscá-lo no hospital, preferiu fechar um negócio. Ela havia descoberto com o susto do enfarto dele que a vida dela continuava sem ele, então, para que continuar com ele se ela pode ser mais sem ele e se descobriu que ela não o amava mais?


Ainda bem que minha amiga não esperou o marido (que é gente boníssima) enfartar para descobrir que poderia recomeçar sem ele. E melhor ainda, a decisão foi consensual; diferentemente do ocorrido em A Guerra dos Roses.

10 comentários:

Adão Braga disse...

Eu sempre digo para quem quiser ouvir:

Não seja amigo de sua esposa. Esposa é esposa. Amigos não fazem sexo, não tem tesão um pelo outro, então nada dessas novidades de Ele(a) é meu amigo. Amizade só no inicio, mas, desde que começou a ter atração sexual, a amizade já foi pra casa do caixa-prego... e é melhor fazer assim mesmo... você pra lá, eu pra cá, as crianças no meio... isso é meu, isso é seu.

Falando de filme:

Num filme antigo o cara contrata um detetive para encontrar a mulher que fugiu com o amante e o detetive pergunta:

- E quando encontrar faço o que mato os dois?

- Não, que isso! Tome o carro e traga-o para mim.

Pitomba só tem lá pras bandas de Morro do Chapeu... + ou - 100 km... pertinho!!!

Pedro disse...

Ele adora àqueles cães, não imaginava coisa diferente.
Concordo com o Adão, amizade exacerbada em uma relação de marido e mulher não existe. Antes que acontecesse a traição, a falta de respeito, as brigas (coisas que não combinam com eles) optaram pela separação. Decisão acertada por ambos.
Há casais que vivem uma Guerra de Roses diária e acham que satisfaz, tampando o sol com a peneira após as contas pagas. O importante é pagar as contas, ver as crianças crescerem e fazer um sexo de vez em quando. Hoje, um jantar. Amanhã, um barraco. E a vida corre mais ou menos assim. São definitivamente fracos - ambos e não unilateralmente.
Nossos amigos foram pessoas maduras e mais do que isso, eles são realmente amigos um do outro. E vão continuar sendo. Independente dos bens a serem partilhados. Até nisso são bem resolvidos.

Beijão doce Liz
depois procura saber se vai rolar um chá de panela para o Felipe. hahahahahahahahahahaha

Pedro disse...

.... No final do filme eles morrem enquanto disputam pelo patrimônio.
Fiquei me me perguntando quantos casais morrem diariamente, lentamente, dia-a-dia na briga constante de egos. Um esperando o outro tomar o primeiro passo. Mas um belo dia fazem sexo, fica tudo bem, as contas são pagas, as crianças continuam crescendo, ela envelhece mais rapido do que ele, ele transa com outras e assim vai se vivendo, fazendo de conta que se é feliz.
Um dia o tempo nos cobra .........

Anônimo disse...

salvo engano, Barbara em nenhum momento foi visitar o marido no hospital.
Muito bom texto. Palmas ao seu casal de amigos que souberam resolver um dilema com sabedoria de verdadeiros amigos.

Poliedro disse...

Simpática Amiga:
Para mim o casamento é algo de profundo e maravilhoso porque requer uma constante troca de ideias, opiniões e partilha da vida. É significatvo de um gesto único.
Exige compreensão e respeito recíprocos, constantes. O carinho e a perfeição têm de ser adornados de diálogos intensos.
Tudo deve ser perfeito, correr bem, concordar com tudo?
NÃO! Se isso acontece soa a falso, esconde-se alguma coisa, alguma coisa falha. NÃO! Tem que se discutir e discordar. Só assim se cimenta mais o AMOR.
Quando acontece o divórcio quem sofre mais são os inocentes filhos que ficam indefesos e frágeis. Descaracterizados e inseguros.
O divórcio é o último gesto, a última atitude que se pratica no sentimento de uma família desextruturada e infeliz.
Bela abordagem a um tema pertinente e que acontece cada vex mais nas famílias falhas de informação e sofredoras. O casamento é algo como um harmonioso sentir e um confortável estar.
Muito Bem...!!!!!!!!!!
Gostei da riqueza linguística das palavras enfileiradas e certinhas. Penso que no devido lugar.
Escreve com muita beleza.
Beijos de estima e Amizade
pena

Tatá disse...

Como eu gostaria de ser assim!
A gente complica tanto as coisas, quando a resolução é bem simples.
Adorei o post, fiquei pensando aqui na sua amiga e consegui vizualizá-la falando contigo.
Felicidades a ela nessa nova etapa.
E felicidades a você também e muito sucesso.
Amei seu blog.
Bjs

Du disse...

Gnt.. q fofo!

n sou cruel nem nada. Mas achei mto legal da parte dela ter esse insight de q o casamento n tava mais dando certo e ter a atitude de terminar d uma forma digna.

merece aplausos! bjo

Pedro disse...

Du não acho crueldade sua. Longe disso. Você está certo quando diz que ela teve o insight. Há mulheres que preferem se arrastar, arrastar, arrastar, arrastar até chegar ao ostracismo conjugal.
Mulheres assim, decididas e firmes realmente merecem o aplauso.

Anônimo disse...

De: Cecília
Para: textinho de minha amiga Beth

Oi Beth. Oi Galera. Oi Pedinhoooooooo meu festivo amigo.
Sou a musa do textinho e parabéns Beth você transcreveu muito bem o que aconteceu! Então, foi simples assim...Tatá. Jamais passaria minha vida tomando taças de champagne´s, prosecco´s, vinhos e traindo e vivendo em analista para resolver numa eterna crise conjugal existencial (creio que alguém acima escreveu isto).
Depois de 21 anos de união, 5 filhos (1 menina e mais tenho 2 casais de gêmeos) e muita luta juntos; apenas descobri que quero voltar a amar. E ele também quer.
Estamos felizes. E verdadeiramente hoje somos muito mais amigos do que éramos.
Beth e Pedro (nossos amigos pessoais)..Felipe vai fazer um chá de panela na casa dele e é a Vanessinha que está organizando.
Bethinha...parabéns o blog é lindo! E obrigada pela força querida. Posso comentar os outros textos? Como faço para ver todos os textos? Que coisa lindinha teu cantinho virtual.

Gente obrigada pelo apoio e carinho nas palavras.


CECÍLIA

Anônimo disse...

Procure a felicidade!

Tenho 46 anos e casada a 22, brigamos sempre. Ele o cara perfeito socialmente, que agrada todo mundo, não porque seja divertido, mas porque não se envolve, o bonzinho. Eu, na opinião de todos, a poderosa, resolvo tudo, faço os melhores negócios, e assim foi nossa vida. Qualquer investimento era meu, ele sempre aceita tudo, porque dizia não se importar com dinheiro, porem ja tinha algum por causa da herança do pai. E assim foi, eu investindo, e ele bebendo, dando pit, gastando e gritando, e ai de mim se reclamasse, dizia que a culpa de tudo era minha, já que chegava em casa falava boa noite, dizia oi pras crianças, brincava com o cachorro e assistia a filmes, muitosssssss, sozinho é claro. Ai quando a coisa ficava seria, ele simplesmente ia pra uma chacara que eu com mais um dos meus investimentos havia conseguido comprar, dias depois se dizia arrependido, todo agradavel, e eu novamente caia nesta conversinha interminável. Com o passar do tempo fomos perdendo o respeito, a admiração. E na ultima briga pela primeira vez pedi que ele fosse embora, ele acreditando que seria como das outras tantas vezes, fez sua malinha todo seguro de que alguns dias depois voltariamos e tudo bem, mas o tempo passou, ele insisti, e eu digo não sinto mas nada por voce. Nem amor , nem odio, nem nada, mas ficou um vazio, porque quando começo a pensar, fico pasma de imaginar há quanto tmepo eu queria isso e não conseguia me libertar. To um pouco perdida. O que fazer?