sexta-feira, 27 de março de 2009

Nem tudo é artilharia de pombo

 

 

Passei uma tarde carioca em um dos corredores mais ultra badalados do roteiro Centro Histórico do Rio de Janeiro – a Rua do Lavradio. No entanto, não entrará no mérito a questão cultural, arquitetônica, histórica desta rua que carrega nas paredes de seus casarios vultos significativos do Rio de Janeiro. Esses fatos e detalhes guardarei para meus turistinhas.

Naquela rua estreita, durante o dia, circulam pessoas aceleradas, apressadas.  Afinal, pertissimo dali estão as maiores estatais do pais, o Tribunal da Justiça do Trabalho e antiquários maravilhosos.  A noite, o burburinho fashion, descolado, antenado,  fãs da cultura brasileira circulam  pelos seus restaurantes, casas de shows.  Nos finais de semana, tudo se mistura numa grande efervescência. A rua do Lavradio é point.

Durante a aula sobre a Rua do Lavradio que envolvia história e arquitetura daquele espaço encantador, nos surpreendemos com algo que foi jogado de um dos casarios mais badalados daquela rua – diria badaladérrimo. Água e vinagre caiu em cheio em cima da nossa professora. Alguns alunos, inclusive alunos estrangeiros, ficaram indignados com aquela postura de “jogar o sujo pela janela”, não só porque caiu em cima da professora mas poderia cair em qualquer transeunte que passasse naquele momento – uma pessoa idosa, uma mãe com seus filhos...

Alunos entraram no estabelecimento e foram reclamar da postura daquele  funcionário, outros ficaram comentando sobre a falta de educação de alguns cariocas; mas a professora, já acostumada com intempéries naturais e provocadas,  amenizou o clima e continuou o passeio.

Nem tudo é artilharia de pombo que suja cabelos e roupas. Caquinha de pombo não incomoda tanto quanto a falta de educação, principalmente vinda de um funcionário que faz parte do cartão de boas vindas de um lugar ultra e mega badalado. É como você ligar para um  call center e alguém te atender de mau humor.  Todos funcionários, principalmente àqueles que lidam com o público, são  cartão de visita das empresas; seja essa empresa uma banca de jornal, um  boteco, um lugar ultra mega badalado, ou uma grande empresa multinacional.

O que adianta ter um estabelecimento que recebe mais de duas mil pessoas num final de semana se o funcionário, seja ele gerente ou faxineiro, faz da calçada uma extensão de sua própria vida? Se está insatisfeito…”pede prá sair”,  já diria Capitão Nascimento.

Mas muitas vezes, o gerente não observa ou não fica atento a um problema que o funcionário esteja passado ou a insatisfação de um grupo de funcionários. E com isso erros vão sendo somados e tanto funcionário, cliente e transeuntes ficam insatisfeitos. Essa observação também serve para os funcionários em relação a sua gerência. Adianta trabalhar para alguém que não investe no crescimento de sua equipe? Que só quer saber de resultados, de dinheiro em caixa? Que puxa para baixo ou dificulta o crescimento de um funcionário? Que dificulta o máximo quando o funcionário precisa sair no horário para fazer uma prova? Quando uma simples jogada de água com vinagre voa janela abaixo, acho (e sei que achismos não são legais) está na hora de rever o seu trabalho, a sua postura, a sua equipe, sentar e conversar.  Na maioria das vezes, o funcionário ou a equipe, ou o gerente são bons, de boa-fé, apenas estão passando por problemas pessoais e estão misturando esses problemas com vida profissional; mas para isso há consultores, psicológos, especialistas em RH que podem ser contratatos e fazer um trabalho direcionado com essa equipe. Boas empresas, adotam essa postura.

É claro que muitas vezes os donos ou a diretoria geral  de um estabelecimento ou de uma empresa não tomam conhecimento  do comportamento do funcionário, das atitudes desidiosas do mesmo.  Mas tem que saber e deve saber e vai saber. Ao final, é o feedback que todos procuramos ter quando se refere a prestação de serviços.

Voltando à Rua do Lavradio: Não é por causa de um, que deixarei de frequentar ou de levar meus turistinhas interessados em Centro Histórico a um lugar super charmoso, com uma decoração encantadora e que faz parte de um cenário de cultura e lazer no turismo do Rio de Janeiro. Assim como nunca deixarei de reclamar do mau atendimento de determinada empresa,  da comida de um restaurante, do péssimo atendimento de um hotel, dos serviços de uma empresa de táxi, ou do funcionário que resolve atirar na calçada a sujeira de seu trabalho, ou da insatisfação da sua vida.

10 comentários:

Maldita Futebol Clube disse...

Minha linda e adorada guia carioca...saudades viu? a rua do lavradio é uma aula de história urbana com seus contos elendas de um rio antigo, boêmio e tradicional. belo artigo...beijos aparece viu?

NiNah disse...

Quanto tempo não venho aqui.
Beth, isso é questão de educação e coisa que se aprende desde pequeno em casa. E você está certa ao dizer que voltará lá não devemos generalizar as coisas.

Quando a senhorita passar novamente pelo centro me avise, tá?
Bjo

Debora disse...

Queridissima Beth, na última vez que estive no Rio aproveitei para caminhar e conhecer todo o centro da cidade. Fiquei especialmente encantada com com as igrejas, o Saara, o Mosteiro de São Bento e o canto gregoriano durante a missa de domingo.
Infelizmente em qualquer lugar existem pessoas assim, sem o menor bom senso. Gostei da atitude dos alunos em adentrar no estabelecimento e cobrar uma postura do responsável, bem como da sua em expor um problema que é comum no ambito empresarial - a insatisfação. O funcionário não atingiu diretamente um grupo especializado, mas atingiu a qualquer cidadão que por ali passa a qualquer hora do dia. Como você bem disse, poderia ser um idoso, uma mãe acompanhada de seus filhos, um deficiente. Jogar pela janela de um sobrado o lixo de seu estabelecimento? É o cúmulo da falta de educação e desrespeito com a população.

luzdeluma disse...

Beth, eu também reclamo de qualquer coisa errada que presencio. Recentemente nem foi água misturada, foi água pura que caiu em cima de um pobre coitado, que vive nos arredores da minha casa. Ele sobrevive de reciclagem e fica com sua carrocinha, parado defronte o muro de um condomínio de edifícios. Não incomoda ninguém, é super educado, bem humorado e sempre quando saio para caminhar está presente na rua - já faz parte do nosso dia a dia. Numa dessas vi que um funcionário do tal condominio estava com uma mangueira e direcionou a água pra ele. Deixou ele todo molhado e quando reclamei, disse que estava molhando as plantas e não o viu ali. Oras, não viu? Olhasse primeiro! Pessoas passam pela rua, é questão de respeito pelos transeuntes. Fiz queixa no livro de reclamações do condomínio e avisei o funcionário que se acontecesse de novo, eu mesma iria processá-lo por dano moral. Foi só uma pressãozinha, mas não custa!! É engraçado como respeito no Brasil se mede com o tamanho da conta bancária que o outro possui. Mas se todos tomassem medidas quando lesados isso acabaria, mesmo que demore a resolução, é uma pedra no sapato!
Bom fim de semana! Beijus

Marcelo disse...

Beth...adorei saber mais sobre o Rio de Janeiro muito bom este naspecto antigo do Rio que fica escondido das novelas geradas ai ou melhor que bom, pois, assim se tem mantida a preservação...sempre achei dificil reclamar sobre coisas ocorridas por mal atendimento até que eu comecei a elogiar as pessoas que prestam bons serviços...essa semana escrevi para uma fabrica de coadores de café porque o produto que eles vendem é duravel e de boa qualidade...então seguindo, eu ponderava e se for uma pessoa que precisa ou tem problemas? - então relaxei pq eu tenho problemas, eu tambem preciso de emprego e não saio jogando farpas nas pessoas...então aprendi me atendeu mal eu reclamo começando a falar baixo e termino num tom altissimo capaz de quebrar cristais...rs rs rs rs

ainda não pesquisei a barraca...bom fds!

Adao Braga disse...

Fantástico! Que mescla! Turismo, realidade, indignação, história, administração, ...

Ontem ficamos, todos da região de Irecê sem Internet. Culpa da Telemar/NovaOi/VelhosCostumes.

Katia sempre diz que o que permitimos aos filhos fazerem em casa, eles farão aonde estiverem, seja bom ou ruim. Esta atitude de jogar coisas pela janela foi permitido antes e agora, mesmo, estando em lugar elevado, pensa ele, ser normal e corriqueiro, porque esta é a sua atitude sempre.

Você aparece neste texto como sempre: Radiante!

Adao Braga disse...

Eu li seu comentário e vim verificar se eu tinha escrito: Holistica... he he he

A Holistica, a Velox e também a Eletrocel, empresas de internet ficaram todas sem poder oferecer internet aos seus clientes, porque a TELEMAR/NOVAOI/VELHOS COSTUMES, parou de funcionar e deixou-nos desconectados por mais de 24 horas. Só conseguiamos acessar a página e os e-mail nos provedores locais, Holistica e Eletrocel. A velox até as 18:00 ainda não havia retornado, ou seja, quem é cliente velox está a mais de 30 horas sem conexão.

Isso ai, ou isto aqui é quinta região, dizem alguns.

Heloisa disse...

Proximo programa sera no Centro Histórico do Rio de Janeiro – a Rua do Lavradio.
Adorei o texto
abraço
Helô

Heloisa disse...

Sugestão.

Beth, voce poderia colocar "seguidores" em seu blog. Acho interessante receber noticias de postagens como as suas.

Abraço
Helo

Ela disse...

Eu , pra variar adorei, cada faceta sua que s e descobre a torna mais e mais interessante.
E esta versão , batalhar pelos direitos, ficou ótima.

Você é uma mulher multifacetada. rsrrs Entenda como um bom elogio.
abraço