terça-feira, 18 de março de 2008

Sobre o Fio da Navalha

asere_tu_equilibrista 

Fico sentada olhando os palhaços no picadeiro. Eles pulam, gritam, correm, dão cambalhotas, fazem palhaçadas, eles debocham, caçoam, riem de mim, me fazem rir. Lembrei-me de Chaplin. Me fazia rir com seu silêncio audível. Os palhaços, anunciam o próximo espetáculo.

Luzes azuis, brancas e vermelhas. Ela chega sob o rufar dos tambores dos palhaços. Linda, firme, serena. Fico na expectativa da equilibrista cair. Um corpo pendulando sobre o fio da navalha. Meu coração dispara descompassadamente, minhas palpebras estão dilatadas. Fico ansiosa a cada passo. É o fio da navalha. A cruz e a espada. 

E quem não vive sobre o fio da navalha? A loucura de um que incomoda e dilacera  a loucura de outro.  E assim, sobrevive-se um dia após o outro e com várias noites no meio. Não tem cura. Não há jeito. Na miséria de suas convicções errôneas e prejulgadas, caminha a humanidade. Me lembrou O Processo, de Franz Kafka. Humanos que tentam denegrir outros humanos. Desrespeitando-os, prejulgando-os. E assim morreu Josef K, condenado e morto por crime não revelado, no entanto, sua injusta morte ajudou revolucionar a matéria. Mas, a  loucura só recebe aplauso de outros loucos, apenas meros espectadores de uma grande peça de teatro com péssimos atores e que também têm medo de serem péssimos atores de suas próprias vidas.

Eu, continuo sentada e rindo daqueles humanos que se vestem de palhaços, tentando chegar a pretensão de serem Chaplin para me fazerem rir diante do trágico. Apenas Chaplin conseguia tal façanha.

A equilibrista chegou no seu destino de lugar nenhum. Ela apenas equilibra entre a razão e o irracional, sobre o fio da navalha. No seu destino final, apefacenas olhou pés feridos com cicatrizes rapidamente curadas. Eu aplaudo.

Lá vêm os palhaços.  Enquanto humanos houverem, o show não tem final.  Só nos despimos da purpurina e trocamos as máscaras.

 

 

6 comentários:

adaobraga disse...

Lembrei-me da história do homem que procurou um especialista e ele recomendou o seguinte:

- Ah! seu problema é stress, depressão. Você tem que aliviar suas tensões, se divertir. No final da rua, lá na praça tem um circo. O palhaço é ótimo!
- Quer dizer que meu caso não tem solução?
- Porque achas isto?
- Eu sou aquele palhaço!

sirdorego disse...

O melhor é quando voce diz que a loucura só recebe aplausos dos outros loucos....Isso é poesia´pura...é reflexão e filosofia juntas...isso é a síntese perfeita..Voce foi perfeita nesta reflexão...e traduziu muito do que para muitos não tem tradução...Magnifico o que li hoje aqui...
saudações sinceras pra ti guria

Gabriel quem escreve

Julie disse...

Maguinifico texto.
So nao concordo quanto aos aplausos...Seriamos todos loucos?
Adoro essa conotaçao em minha alma, assim, me desvencilho da loucura propriamente aceitavel...
Amo voce muito guria.

Kombi Azul disse...

Esse post me lembrou muito o teatro magico !!
té !

Felipe disse...

...minha vida era um palco iluminado;
eu vivia vestido de dourado;
palhaços das perdidas ilusoes.

Cheio dos risos falsos, da alegria;
andei cantando a minha fantasia...

Gabriel Fiorini disse...

A vida é um espetáculo onde palhaços e equilibristas somos nós que ficamos sob o fio da navalha tentando resolver nossos problemas e crises ao invés de apreciar o espetáculo da vida, e dar belas risadas...