domingo, 24 de junho de 2007

Viajar é cultura

Um dos meus maiores prazeres é ligar o carro e pegar a estrada. Nem que seja para resolver pepinos da casa de praia, como foi dessa vez. Mas o simples fato de sair por uns dias é um prazer imensurável. Dia desses levei um amigo para conhecer o roteiro das antigas fazendas de café da antiga estrada Rio-São Paulo. Ele pirou na batatinha. Entrar naqueles casarões onde o assoalho nunca foi trocado e que range a cada pisar, ou sentir a energia das intocáveis antigas senzalas. Ele me disse extasiado que não dava para apagar nossa história e pediu perdão ao segurar nas mãos os grilhões que algum dia escravizou alguma alma. Achei aquelas palavras tão lindas, até chorei.

O que mais gosto mesmo é de descobrir coisas novas em lugares antes já pisados por mim. Na minha recente viagem à São Tomé das Letras/MG, apenas uma coisa me fascinou realmente, afinal, são mais de 15 anos frequentando àquelas terras. Mas a procissão de Corpus Christi me pegou de jeito e me fez parar para observar. Bem, não a procissão propriamente dita, mas a forma como os moradores a recebem. Não haviam tapetes de sal, nem grandes cantorias, mas havia algo que nunca tinha visto e que deve ser próprio de cidades interioranas - me corrijam se estiver errada. Nas ruas onde a procissão passaria, as casas enfeitam suas janelas e varandas com panos brancos. Onde há varandas também se colocam flores vermelhas, brancas e uma imagem sacra. As casas se enfeitam para receber alegremente a procissão que iria passar e todos os pequenos oratórios da cidade estavam abertos e enfeitados. Eu fiquei encantada com isso, nunca tinha visto coisa tão linda que simboliza não tão somente a fé, mas também uma cultura própria daquela cidade tão acostumada com o sincretismo de seus visitantes.

Estamos em épocas de festas juninas. Estou me lembrando que me devo há bons longos anos uma visita à Campina Grande/PB e Caruaru/PE, onde ainda imperam os vestidos de chita, laçinhos no cabelo e dança-se ao som do baião de Luiz Gonzaga. Lamento à época em que morei em Recife não ter curtido o trem do forró, parece que ele não existe mais, foi o que me disseram. Adoraria ter pego esse trem - de Recife à Caruaru - era só forró. Preferi ficar longe dos festejos juninos, na belissima Ilha de Itamaracá. Se soubesse que não haveria mais oportunidade de pegar o trem, com certeza não teria perdido a viagem. Mas ele realmente acabou?

Andando ontem a noite por algumas festas juninas organizadas por igrejas locais, pude perceber, que ainda resta um cadinho de bom senso junino. Festa junina com samba, axé e funk - é totalmente bizarro, fora de propósito. Mas nessas festas em que fui, ouvi muito Luiz Gonzaga, Nando Cordel, Elba Ramalho, Alceu Valença...fora a dança das quadrilhas que é tudo de muito bom de ouvir e de se ver. E as comidas? Tapioca, curau de milho verde, pamonha...eu adoro, me perco no máximo de minha gula.

Ainda bem que há cidades e pessoas que lutam para preservar a cultura de sua região, ou divulgar cultura de outras regiões. Isso é muito legal e sempre dá vontade de voltar ou de dar uma chegadinha para conhecer. Por falar nisso, preciso saber quando é a festa de Garantido e Caprichoso. Mas deve ser uma viagem porreta de cara. Tem coisas que não dá para fazer de sopetão, o jeito é me organizar para poder ir na festa de Parintins.

E como hoje é dia de São João...

- Olha a chuva!
- É mentiiiiiiiiiiiira!





2 comentários:

Anônimo disse...

Não sei se todas, mas algumas cidades de Minas Gerais mantêm essa tradição de enfeitar casas para a procissão passar. Realmente é um belissimo espetáculo. Coisas de interior, pois na capital, em BH, nunca vi.

Joaquim Medeiros - BH

Pedro disse...

Nando Cordel? uauuuuuuuuuuuuuuu
que delicia ouvir Nando Cordel!