sexta-feira, 23 de março de 2007

Longas Madrugadas


Adoro àqueles relógios imponentes que vemos em filmes antigos, ou filmes de época. Meia noite e o badalar sonoro anunciando a chegada do Conde Drácula. Ou, então, ele avisa à Cinderela que era chegada a hora dela correr do príncipe encantado para que ele não a veja de piranha no cabelo.

Adoro antiquários. Se tivesse grana sobrando com certeza só viveria num antiquário. E a primeira coisa que faria seria comprar um relógio cuco inglês do século XIX. Adoro coisas antigas, clássicas. De modernidade e tecnologia só me interessam o computador e o celular. E nem é por gostar, mas sim pela praticidade e no caso de alguma emergência. Não me importo nem com a máquina digital, sou daquelas que guardam os rolinhos das máquinas comuns por longos meses.

Um relógio desses me lembraria com toda sua sonoridade que é meia-noite e está na hora de menina dormir. Ah! Queria ser uma pessoa normal, tipo daquelas que já estariam entregues aos braços de Morfeu. Mas sou notívaga assumida e pago por não ter as trinta e seis horas diárias disponíveis e desejadas por todo notívago. Que culpa temos que nossa mente só produz no silêncio. O dia nos dispersa, nos deixa cansados. E o pior, é quando acordamos cedo para trabalhar, estudar e fazer tarefas normais à todos os mortais, menos para nós, os morceguinhos; nos arrastamos para fazer tudo isso depois de uma longa madrugada produtiva.

Dia desses vi o dia nascer lendo Saramago. Quando olhei àquela claridade apontando pela janela, me desesperei ao perceber que em poucas horas estaria assistindo aula de Direito Internacional Privado. Você não sabe o que é assistir aula de Direito Internacional Privado às sete horas da manhã. É claro, dormi durante a aula.

Me recordo dos quatorze anos em que fui secretária executiva. Acordava cedo, trabalhava, encarava chefes mal humorados, produzia como uma louca, pegava trem, ia correndo para faculdade, saia com os amigos, namorava e ainda era notivaga. E sabe o que restou desta época? Rugas e linhas de expressão? ... que nada boba... já tentei convencer meu dermatologista a me aplicar botox. Faltei apanhar. Mas tem um maço de cigarros logo ali e uma garrafa de café...resquício dos quatorze anos e mal de quase todo morceguinho.

Sabe o que é bom de ser notivaga e ainda estar com o MSN ligado? É poder encontrar amigos cosmopolitas que por causa do fuso, sempre aparecem na madruga. Ver que tem "oito leitores" junto com você no blog lendo as besteiras que você escreve.

Oi leitores! Sejam bem vindos. Beijinhos para vocês. Mas isso são horas de vocês me lerem? Duas e vinte e cinco da madrugada? Mais notivagos na área.

Um comentário:

Marcelo disse...

estava finalizando o texto é?
muito engraçadinha você. maneiraço morcegona.
beijocas