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quarta-feira, 16 de abril de 2008

Cosmopolita

Cansa esse papo de dengue para cá e dengue para lá. E adianta? O problema é mais do que saúde pública, é pura falta de  educação e higiene de um povo. Então, até o próximo verão com a epidemia de dengue 4 assustando, novamente, a todos. Descredito? Não. Mas, o que esperar de quem sequer se lembra em quem votou no último pleito eleitoral?

Uma amiga me disse após perceber que estou com um atchim alérgico daqueles e causado pelo envenamento voluntário de inseticidas e repelentes: Beth, tô nem ai e nem me enveneno...bebo tanto que se eu morrer o mosquito morre junto e ainda vai sofrer de coma alcoolica. Eita bom humor do cacete.

E quer saber? Quanto mais preocupado ficar, mais chama o problema para si. Tinha tanto medo do apendice, que um dia ele necrosou, fiquei na CTI, operei duas vezes e quase que passo dessa para melhor. Tinha tanto medo de furar o pneu num lugar ermo que, um dia, os dois pneus furaram num lugar ermo. Tinha tanto medo que o carro quebrasse no meio de um engarrafamento e subindo uma ponte que, ele quebrou no meio de um engarrafamento e subindo uma ponte.

Hoje? Passo até na Faixa de Gaza de madrugada, a 150 km por hora. Afinal, moro no Rio 40º, cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos. E não vou deixar de viver por causa de um mosquitinho safado, nem por causa de bandidões armados. E nem vou ficar andando com o famoso adesivo de um haras para condicionar conhecimento a segurança do meu carango. E se eu passo em área de rival? Nada de correr riscos. Deixa levar, o seguro paga.

Voltando a observar os transeuntes, nem tão transeuntes assim...

Uma das coisas que mais lhe dá prazer, é viajar. Mais do que gozar, comer, beber, dançar, voar. Toda e qualquer trip, é um gozo diferente. Drena pura, causada pela expectativa de sair fora uns dias. Destino? Qualquer destino, de preferência com o Guia 4 Rodas nas mãos, amigos na mala e um benhê no coração. O simples fato de conhecer novos lugares, diferentes cheiros e sabores a faz delirar, como se estivesse ouvindo Enya cantando do seu lado e com ópio na mente. Uma insana, que sente o cheiro da mata, do verde molhado que ainda beira nas estradas.

O cheiro do eucalipto na subida da serra, ainda é presente quando andou de moto pela Dutra com destino à Campinas. Àquele frio de cortar os ossos ao chegar em Jundiaí, se torna, ainda, inesquecível. 

Gosta de retornar à lugares os quais seus pés descalços já pisaram. Gosta de ver a mudança desses lugares - alguns não mudaram, outros estão irreconhecíveis e descaracterizados. No entanto, sente um loucura quixotesca em pisar nos lugares que nunca foi e, se um dia lá estiver, talvez nunca mais retorne, a não ser nos seus saudosos desejos.

Quer conhecer o sertão e o deserto do Jalapão. Quer encontrar seu oásis no mandacarú e saciar sua fome comendo calango. Calango? Para quem já comeu jacaré e cobra em Corumbá, um calanguinho frito não faz mal a ninguém, melhor do que passar fome - Ela sempre diz.

Desejar não faz mal, só nos obriga a planejar para que o desejo se concretize. Cruel são as recordações. Não sei se é tão bom lembrar, recordar, pois dá vontade de retornar, entrar na máquina do tempo e reviver àquela madrugada ao redor da fogueira, bebendo vinho do porto no gargalo. Vinho do porto no gargalo? Acontece...

A revoada das andorinhas na praça central daquela pequena cidade, na hora da Ave Maria. A igreja tocava Ave Maria e o bando de andorinhas voavam fazendo daquele espetáculo, uma oração. A cidade não é mais tão pequena. Que pena!

Os pescadores que a ensinaram a mergulhar no Boqueirão, a limpar lula e comer fruta pão. Àquela aldeia que só conhecia a luz do sol e a energia de um gerador que ora funcionava, ora não funcionava. E havia o neto de pescadores que abria seu sorriso toda vez que olhava a cativa traneira chegar no cais. E que neto!!! Moreno, alto, bonito e sensual....uma perdição.

Lembrava-se do cheiro fétido dos mercados municipais por onde andou e dos sabores que ali conheceu, experimentou. Ainda ouvia o burburinho das feiras de mangaio.

Os quiosques na estrada, onde se vendia whisky de alambique; deveria estar a caminho daquela pequena cidade, onde a única diversão era beber cachaça.

Àquele rio de azul interiorano, de águas cristalinas, mas que pede socorro quando chega na capital.  Ainda ouvia as corredeira de um outro rio cantado nas modas de viola.

Não gostava de retornar à lugares onde todos vão, estão, foram descobertos de uns anos para cá.  Lugares que viraram muvuca de gente em feriados. Nunca mais haveria de retornar àquela praia que não é mais a mesma praia, onde as ondas deixavam desenhos na areia. Mas, as vezes, é bom retonar e descobrir que ali perto há um lugar onde poucos sabem chegar. Tem que entrar na mata cheia de cactos, subir nas pedras, pisar em conchas e descobrir um novo pedaço de mar. Quem sabe, agora, não retorne e veja por um outro ângulo os golfinhos e baleias que por lá ainda aparecem?

Foram tantos os lugares. E ainda muitos estão por vir.

Pena que as andorinhas não voam mais na praça central. "Até as árvores daquela praça foram cortadas", disse o vendedor de refrigerantes.

- Para tudo! Ali tem uma placa escondida no mato. Vamos conhecer essa praia?

E como é bom ser reconhecida, tão somente pelo seu sotaque.

- Dona! A senhora é carioca. Meu sonho era ser carioca, acho tão bonitinho como vocês falam.

- Jura mermão? Caraaaaaca brother, irado essa parada de sotaque ae. Mas se liga, meu sonho era ser cosmopolita bicho.

 

Sou um pouco de todos que conheci,
um pouco dos lugares que fui,
um pouco das saudades que dexei,
sou muito das coisas que gostei.
Entre umas e outras errei,
entre muitas e outras conquistei

Ramon Hasman

domingo, 14 de outubro de 2007

Sua dica de viagem...


Passei aqui para dar uma dica de um site maneirissimo. Dia desses recebi um recadinho no orkut onde o usuário me convidava à participar de um site que dava dicas de viagens, isto é, o turista tradicional e suas máquinas, os mochileiros, os pés-de-chinelo, caroneiros, os nababos e afins são àqueles que fazem os roteiros turísticos, inclusive, orientando como evitar "as roubadas" locais.

Nossa! Ainda não dei minha cooperação, afinal, são tantos lugares que conheço que não saberia por onde começar. De acampamentos à resorts...eu faria uma festa de dicas. Acho bárbaro conhecer lugares. E quantas e quantas e quantas vezes viajei só com o dinheiro da passagem e o ticket refeição no bolso? Ou quantas e quantas vezes viajei quilômetros só para conhecer um famoso restaurante e voltar no dia seguinte? Ou fiz mil conexões, peguei ônibus, balsa, só para passar o findi e reencontrar meu amor no Pantanal ou passar um Reveillon numa ilha quase deserta. Uau...achei bárbara essa dica do meu colega orkuteiro. Será que alguém vai na minha dica e experimentar a carne de jacaré que comi em Corumbá/MS?

Bem, enquanto não participo com minhas dicas de trip, convido vocês à participarem. Isto é, deste que o roteiro indicado não tenha sido conhecido via Google Earth. Tem que ser tipo: viajar na real e não na maionese.

O nome do site é DIG TRIP


RODOVIÁRIA DE MALUCO É POSTO DE GASOLINA
(VENTANIA)






domingo, 24 de junho de 2007

Meu amigo em Salvador

Um amigo está desembarcando em Salvador/BA e me pediu dicas. Pronto, desandei a falar da capital baiana em poucas linhas. Não deixe disso, não deixe daquilo, vá aqui e acolá. Mas só não faça como a uma amiga, foi em Salvador e não saiu da Barra. Fala sério! Ela não foi à Salvador, ela passou por Salvador.

Nunca fui no carnaval em Salvador, não curto o perido de carnaval na cidade. Sou mais Alceu, as virgens e o Galo da Madrugada, nas minhas lindas Récife e Ólinda (assim mesmo com acento agudo para imitar o sotaque da terra de painho). Acho um tumulto só o período de carnaval em Salvador. Mas Salvador é Salvador em qualquer época do ano, pois a cidade, culturalmente falando, é riquissima em qualquer estação. Da fotografia no farol da Barra, passando pela compra de pulseiras do Senhor do Bonfim, dando uma chegadinha nos ensaios do Olodum, é um pecado não conhecer Salvador e o seu povo que não nasce - estréia. Antes de partir dessa para melhor, não deixem de ir à Salvador, passem no Rio Vermelho, peçam a proteção da Iemanjá e sigam em direção ao mercado modelo para fazer comprinhas.

Se o Marcos for um cara esperto, ainda vai pegar o carro e conhecer o Projeto Tamar na Praia do Forte e de quebra ainda dar uma passada em Arembepe. Que maravilha pisar no templo da cultura hippie dos anos 70!

Ir à Salvador é uma excelente pedida para as férias no meio do ano, ou melhor qualquer férias, qualquer feriado prolongado. Corre-se o risco de chover um pouco, pois no inverno é um período de chuvas no Nordeste, mas e daí? Alguém encolhe se chover? E além do mais, o clima está tão doido que pode-se dar a sorte de ter um inverno nada chuvoso, ou como é de praxe em algumas cidades do Nordeste - sol durante o dia e chuvinha final da tarde.

- Mas Beth, estava pensando em ver o Pan no RJ. Você estará em casa? Posso ficar hospedado por ai?

- PAN? Eu? No RJ? ... esquece! Eu heim! Torcerei a distância. A casa é toda sua, mas deixe o dinheiro da faxineira debaixo da televisão ok?

Viajar é cultura

Um dos meus maiores prazeres é ligar o carro e pegar a estrada. Nem que seja para resolver pepinos da casa de praia, como foi dessa vez. Mas o simples fato de sair por uns dias é um prazer imensurável. Dia desses levei um amigo para conhecer o roteiro das antigas fazendas de café da antiga estrada Rio-São Paulo. Ele pirou na batatinha. Entrar naqueles casarões onde o assoalho nunca foi trocado e que range a cada pisar, ou sentir a energia das intocáveis antigas senzalas. Ele me disse extasiado que não dava para apagar nossa história e pediu perdão ao segurar nas mãos os grilhões que algum dia escravizou alguma alma. Achei aquelas palavras tão lindas, até chorei.

O que mais gosto mesmo é de descobrir coisas novas em lugares antes já pisados por mim. Na minha recente viagem à São Tomé das Letras/MG, apenas uma coisa me fascinou realmente, afinal, são mais de 15 anos frequentando àquelas terras. Mas a procissão de Corpus Christi me pegou de jeito e me fez parar para observar. Bem, não a procissão propriamente dita, mas a forma como os moradores a recebem. Não haviam tapetes de sal, nem grandes cantorias, mas havia algo que nunca tinha visto e que deve ser próprio de cidades interioranas - me corrijam se estiver errada. Nas ruas onde a procissão passaria, as casas enfeitam suas janelas e varandas com panos brancos. Onde há varandas também se colocam flores vermelhas, brancas e uma imagem sacra. As casas se enfeitam para receber alegremente a procissão que iria passar e todos os pequenos oratórios da cidade estavam abertos e enfeitados. Eu fiquei encantada com isso, nunca tinha visto coisa tão linda que simboliza não tão somente a fé, mas também uma cultura própria daquela cidade tão acostumada com o sincretismo de seus visitantes.

Estamos em épocas de festas juninas. Estou me lembrando que me devo há bons longos anos uma visita à Campina Grande/PB e Caruaru/PE, onde ainda imperam os vestidos de chita, laçinhos no cabelo e dança-se ao som do baião de Luiz Gonzaga. Lamento à época em que morei em Recife não ter curtido o trem do forró, parece que ele não existe mais, foi o que me disseram. Adoraria ter pego esse trem - de Recife à Caruaru - era só forró. Preferi ficar longe dos festejos juninos, na belissima Ilha de Itamaracá. Se soubesse que não haveria mais oportunidade de pegar o trem, com certeza não teria perdido a viagem. Mas ele realmente acabou?

Andando ontem a noite por algumas festas juninas organizadas por igrejas locais, pude perceber, que ainda resta um cadinho de bom senso junino. Festa junina com samba, axé e funk - é totalmente bizarro, fora de propósito. Mas nessas festas em que fui, ouvi muito Luiz Gonzaga, Nando Cordel, Elba Ramalho, Alceu Valença...fora a dança das quadrilhas que é tudo de muito bom de ouvir e de se ver. E as comidas? Tapioca, curau de milho verde, pamonha...eu adoro, me perco no máximo de minha gula.

Ainda bem que há cidades e pessoas que lutam para preservar a cultura de sua região, ou divulgar cultura de outras regiões. Isso é muito legal e sempre dá vontade de voltar ou de dar uma chegadinha para conhecer. Por falar nisso, preciso saber quando é a festa de Garantido e Caprichoso. Mas deve ser uma viagem porreta de cara. Tem coisas que não dá para fazer de sopetão, o jeito é me organizar para poder ir na festa de Parintins.

E como hoje é dia de São João...

- Olha a chuva!
- É mentiiiiiiiiiiiira!





domingo, 3 de junho de 2007

Em tuas ruas...me reencontro.

São Tomé das Letras/MG
Tela de Marilyn Diggs

Estou indo para São Tomé das Letras...

São Tomé
Das letras
Das fantasias
Das montanhas mágicas
Ó...linda terra das Minas Gerais

São Tomé
Das letras nas grutas
Das escritas mal escritas

Dos olhos voltados para o céu
Das palavras benditas

São Tomé
Dos gnomos e duendes

Das fadas e Iara
Do rosto da bruxa na pedra

Dos olhos que enxergam por mim

São Tomé
Dos malucos e chapados
Dos hippies e caretas
Dos cogumelos no pasto

Das letras do poeta Ventania

São Tomé

Da lenda de Chico
Das vozes nas cachoeiras
Das borboletas azuis

Das pedras chutadas no caminho

São Tomé
Das casas e ruas de pedra
Dos meninos descalços
Do céu límpido
Das estrelas cadentes


São Tomé

Das noites frias
Do luau na pirâmide
Do back no cruzeiro
Da cachaça ao som de Raul

São Tomé
Sempre que precisar
Irei me reencontrar em ti.




sexta-feira, 1 de junho de 2007

Projeto Carioquinha


De 01 até 30 de junho os cariocas e fluminenses poderão usufruir do Projeto Carioquinha. Este projeto é interessante, a meu ver, pois possibilita que o morador tenha acesso de forma menos onerosa não só aos pontos turisticos da cidade, mas aos eventos em geral e em tudo o que o Estado possa proporcionar de lazer e cultura, haja vista o projeto estar em outras cidades, tais como Arraial do Cabo, Búzios.

No site há a disponibilidade dos parceiros do projeto bem como a agenda durante esse mês em que ele estará em vigor.

A única crítica é que o projeto veio de encontro a um período de não férias escolares e pela pouca durabilidade dele, apenas 1 mês. Acho que ele deveria ser extendido no mês de julho e no verão.