sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Uma manhã no pasto


Muita gente sabe que faço curso de vôo livre, estou aprendendo a ser piloto de parapente, apesar de ter uma paixonite aguda pela asa-delta; mas ano passado ferrei o joelho no treinamento de asa-delta e fiquei meio medrosa de me machucar novamente e o treino de parapente é infinitamente muito mais tranquilo. Mas modalidades preferenciais a parte, pois o objetivo é voar; estava euzinha no treinamento, no morrinho-escola (depois de 10 dias ralando na UFRJ), que fica na zona oeste do Rio de Janeiro, no bairro de Paciência (haja paciência!!! sair do Fundão para Paciência...haja paciência!!) dando uma de curiosa das atividades dos capiaus locais. Onde treinamos é uma fazenda, ou um grande sítio e por lá há muito cavalo e boi no pasto.

Dias desses enquanto o outro aluno decolava, fiquei observando uns catadores no meio do pasto. Pensei: será que eles estão catando cogumelo? Bem, curiosa que sou, fui lá xeretar o que eles estavam catando no meio do pasto. E para minha surpresa eles estavam pegando bosta para fazer o estrume para plantação. Mas até aí "morreu Neves", pois isso é coisa normal de acontecer em sitios, fazendas, granjas e locais do gênero.

Mas minha curiosidade era maior do que o "morreu Neves".

- Moço, como o senhor sabe qual é o excremento bom para preparar o estrume?
- Eu pego o da vaca. O do cavalo não serve.
- Mas qual é o da vaca e qual é o do cavalo?

Bem, passei bons e longos minutos, em vez de treinar, andando com o tal moço pelo pasto e procurando saber a diferenciação entre a bosta do cavalo, a bosta do boi, a bosta da vaca, a bosta do bezerro. E como se preparava um bom estrume.

Marcelo, o meu instrutor, não sabia se olhava para o aluno decolando ou se prestava atenção nas minhas perguntas inusitadas ao catador de bosta. Custando a acreditar na cena que via ao seu redor. Ao terminar minha aula extra com o catador de excrementos bovinos, Marcelo me perguntou se eu havia virado especialista em bosta. Bem, respondi que era interessante saber onde estava se pisando.

Minutos depois, enquanto o outro aluno continua treinando, eu olho para o outro lado do morrinho e vejo algo de estranho.

- Marcelo, aquilo é um boi morto ou uma pedra?

E antes que ele pudesse responder lá estava eu me embrenhando pelo pasto e perguntando ao capataz o que era àquele objeto inerte adiante. Já sabendo a resposta, convoquei imediatamente o meu instrutor para me acompanhar naquela aventura cadavérica bovina, sendo que, antes que ele dissesse um sonoro não, sai andando com o capataz pasto adentro para ver o boizinho morto.

- Porque mulher tem que ser curiosa? Volta aqui sua doida, vai subir o morro para decolar. Eu mereço. Eu mereço. "Aluno é a imagem do cão" - sempre resmunga Marcelo repetindo a frase de seu antigo mestre que lhe ensinou a arte de voar há 12 anos atrás.

Pelo menos descobri o porquê o couro do boi é a última coisa que o urubu come.

Ah! Eu adoro e me divirto com essas coisas simples da vida. Só espero nunca dar de cara com uma cobra ou uma onça por causa da minha curiosidade, já me bastam àquelas que não rastejam e que têm duas pernas.




9 comentários:

Pedro disse...

hahahahahahahahahahahahahaha fiqei imaginando a cena com o catador de estrume.
só tú mesmo Liz hahahahahhaha
beijão

cuidado com os bichos que pensam.

Ana Paula disse...

Beth... Bosta de vaca? Ahahahahaha! Tô rindo sozinha aqui... Nossa. paciência é longe pra caramba.
Mulher é muito curiosa, mesmo... Sou demais. Depois, se vc não estava em horário de treinamento, nada melhor que um passatempo no melhor estilo "Globo Rural"!
Quanto às cobras que não rastejam... Ignore-as!

Fernanda disse...

Até parece que estava a ver o filme, Beth, kakakakka....muito divertido!
Engraçado esse mundo rural tão perto do Rio, não imaginei...
Bom fim semana.
Bjo!

Anônimo disse...

rsrsrsrs

tudo bem beth mas você não disse o porquê a ultima coisa que o urubu come é o couro. fiquei por demais curioso.

fernanda no rj a roça é logo ali.

rsrsrsrsrsrs

Rodrigo

Ricardo Rayol disse...

ahahahaha fico lembrando da época que meu pai praticava voo livre no morrote. quanta bosta ele pisou ahahah

Adão Braga disse...

Eu já fiz isso Beth... e também já utilizamos bosta de vaca para afugentar pernilongos...

Aqui na região de Irecê, quando cheguei, numa certa altura de uma discussão o marido perguntou pra esposa:

- Você sabe porque alguns ovinos cagam bolinhas?
- Não! Eu não sei não! E o que tem isso com nossa discussão?
- É porque você não entende de merda de nada, torce pro fluminense e ainda quer saber mais do que eu sobre isto aqui?

Já viste um bezouro: rola-bosta???
Você disse que não comentei essa semana... comentei sim!!!

Du disse...

hauha.. caraca! qq semelhança com uma criança de 6 anos não eh mera coincidencia! kkkk

mas tah certa.. tah mto certa! afinal, se n eh perguntando, como eh q vai descobrir, neh? e jah tava por lah mesmo... tinha mais eh q conhecer mesmo.

e vc? voadora? q LUUUUXO! hehe

bjo

Anônimo disse...

Amiga você é muito doidaaaaaaaaaaa
eu ia morrer de rir do desespero do Marcelo vendo você se destrair do treinamento.
Querida boa sorte no seu treinamento. Filma tudo, tira foto. Quero ver você voando muito, saracoteando por ai nos ares!

Que saudades de você
beijinhos MARINA

Beth disse...

Gente ....... realmente eu tenho uma tiradas que nem eu mesma me aguento. Du ... vc está certissimo, coisa de criança... mas o pior é que me divirto ... acho graça de tudo.

Rayol, seu pai foi piloto ?? Que legal !!!!

beijinhos