terça-feira, 26 de junho de 2007

Ausência de valores

O Rio de Janeiro, diariamente, vive um caso seríssimo de segurança pública a olhos vistos, o tempo todo, em qualquer lugar. Poderíamos nem nos importar com o mais recente caso dos ditos "pitboys" que agrediram injustificadamente uma jovem cidadã. Nem mesmo nos escandalizaríamos com mais duas jovens, de classe média, estudantes de direito, que foram pegas furtando roupas num famoso shopping da Barra da Tijuca ontem a noite. Mas a sociedade pensante se pergunta: o que está havendo? De um lado a violência anormal das grandes cidades: tráfico de drogas, homicidios, comunidades recuadas, enfim, mas acontece aqui um pouco mais, acontece acolá um pouco menos. Acabamos por nos acostumar com o que não deveríamos nos acostumar.

Mas o que dizer quando, mais uma vez, vemos jovens, na flor da idade, cometerem atrocidades injustificáveis, independente da classe social em que são classificados na pirâmide social. Alguém lembra dos casos Daniela Perez, Indio Galdino, da cadelinha Preta, dos jovens pedófilos? Entre tantos outros casos que ganham a notoriedade da midia, ou não.

Está faltando equilibrio familiar, maior participação dos pais na vida dos filhos. Nesse ponto eu concordo plenamente com o pai da Sirlei, a mais recente vítima dos pitboys cariocas, quando ele disse aos reportéres que "os jovens de hoje têm muita mordomia, liberdade. Os pais devem tentar saber o que os filhos fazem fora de casa, depois das 22 h." O que nos choca é a ausência de moral, de valores familiares, o descaso dos pais com o dia-a-dia de seus filhos.



Me compadeço da família desses jovens, pois devem estar passando por uma crise moral indescritivel. Devem estar no desespero se perguntando onde foi que erraram. Mas agora? Será que adianta se perguntar? O pai de um dos acusados, no alto de seu desespero paternal declarou que achava injusto a prisão dos jovens e pedia que não fossem tratados como outros bandidos, pois eram primários e estudantes e que fora apenas um deslize na vida deles. Sinceramente, acredito que esse pai desesperado saiba o que acontece, na vida prisional, com quem comete esses "deslizes". Talvez seja esse o motivo de seus comentários desesperados. Mas e se fosse ao contrário? Será que esse pai pensaria da mesma forma?

"É na educação dos filhos que se revelam as virtudes dos pais".
Coelho Neto

Não me arriscarei na aplicabilidade da pena no caso desses jovens, mas o pouco que conheço de direito penal e processual penal, podem ter a certeza, esses jovens cariocas agressores irão passar maus bocados até serem beneficiados por alguma atenuante (não consegui visualizar nenhuma), pela primariedade ou pelo beneficio da liberdade provisória após cumprido 1/3 da pena, além do que, há uma grande chance de sofrerem um belo processo na área civilista. Dura lex, sed lex - deveria ser para todos, sem distinção. Espero que sirva de lição para tantos outros jovens, bem como, para que famílias não esqueçam que há algo de muito errado dentro do âmbito familiar e que ainda há ainda tempo de se resgatar valores.

Não me recordo o caso, mas jamais esquecerei de uma mãe desesperada, enquanto na delegacia, dava uma bela surra no filho, na frente dos policiais e dos reporteres. E do pai, de um dos algozes de João Hélio que denunciou o próprio filho. Corta-se a própria carne, mas mesmo tardiamente ainda luta-se pelo amor dedicado, pelos valores de dignidade, de moral, de indole que foram passados ao longo de uma criação.

"É, em grande parte, no seio das família que se prepara o destino das nações"
Papa Leão XIII


11 comentários:

Marcelo disse...

É fácil ter filhos, o dificil é saber criá-los. Até agora espero não ter errado a mão na criação dos meus. Sempre que posso levo todos para meus trabalhos assistencias para verem que há o outro lado da moeda.
E que Deus tenha piedade de todos nós.

Eu e Ela disse...

Acho que pior do que ver um filho morto é ver um filho preso, ser punido por alguém que pouco sabe da sua vida, que não passou noites velando seu sono, esperando uma febre ceder, que não viu dar os primeiros passos, que não sentiu orgulho quando ainda no jardim de infancia batia em todos os coleguinhas, puxava os cabelos das meninas, alguém que nunca se preocupou em encontrar uma explicação para os indicios dos desvios de carater.
Deve ser muito triste.........
Sempre o julgamento também é dos pais.
Na madrugada do ultimo sabado um amigo foi agredido por um companheiro de noitada, quase perdeu alguns dentes, pasmem a mãe do agressor ofereceu o pagamento de todo o tratamento dentario em troca de manter seu filho(tem por volta de 24 anos) longe da delegacia.
é muito triste "o futuro sem valores morais"

Pedro disse...

muito complicado pensar nisso quando se é pai/mãe, quando fazemos de tudo para darmos uma educação digna e ensinamos, falamos o tempo todo sobre moral, dignidade, honra.

Dificil opinar sobre o caso. Lamento por haver mais famílias destruidas. Enquanto escrevo olho para os meus filhos e me faço mil perguntas. Sempre digo para eles:
- Pense antes de fazer
- Na dúvida, não tenha vergonha de perguntar
- Se mesmo assim fizer o errado, saiba que serei teu pior critico.

Isso tem dado certo e espero que continue dando até que eles tenham capacidade de seguirem seus próprios caminhos que sempre serão vigiados de longe ou de perto por mim.

Fico muito entristecido quando tomo conhecimento de casos como esse.

DM disse...

Ai Vaca Beth, primeiro, matando saudades como fiz na Thiane! Tô trabalhando demais ...
O caso relatado é seríssimo... e tem de levar a sociedade a repensar valores ...
Como sabes, tenho um pimpolho de 7 anos adorável, por ele abdiquei de uma vida profissional durante esses sete anos que antes parecia promissora, agora estou recomeçando aos poucos ... Trabalho em casa em meu "office", justamente para não descuidar da vida do pequeno, da sua formação ... Nunca o deixei com empregadas ou babás, pego e levo na escola, no sport, procuro conhecer os amigos, as mães e famílias dos amigos, ele ainda é pequeno, mas procuro passar valores de vida significativos ... Mas quem me garante que em um futuro não tão distante, por força de companhias ele eventualmente esqueça de todos esses valores ?

Pensando na adolescência em que o mundo se desnuda para nós como ele é ... Complicado dos dois lados ! Pelo, se é que serve de consolo, como mãe tento passar todos os valores certos !!! Ai esse "post" virou missa, também fazia tempo hem ...

Amo as músiquinhas de seu "post", parabéns pelo bom gosto musical !!!

Beijos

Obm disse...

Primeiro, bem vinda ao meu blog.
E através do seu comentário, descobri o teu.

Li esse post apenas, mas vou explorar na sequencia.

Quanto a esse post, acredito que atos como o desses camaradas são reflexos da sociedade em que vivemos.

Não acredito que seja uma sociedade sem valores, mas sim uma sociedade de valores tortos.

A nossa sociedade é segregada. Divide-se entre os que consomem e os que não consomem.

Garotos de barriga e cara cheia encontram uma pessoa garota no ponto de ônibus. Logo, se anda de ônibus não vale nada. Hummm. Divirtam-se. E dalhe porrada na menina.

O mais impressionante é que para justificar o ataque, os garotos declararam que pensaram que ela era uma prostituta. COMO ASSIM? Totalmente desprovidos de inteligência os moleques. Do mesmo jeito que os que queimaram o índio disseram que acharam que ele era um mendigo.

Queimar mendigo e espancar puta então tá valendo? Sinistro.

adaobraga@holistica.com.br disse...

Aos meus filhos digo: Se eu sou ruim, experimente ser tratado pela policia. Se você acha que sou bruto, espere ter certos tipos de chefe.

Aqui em casa nos esforçamos para manter os bons costumes, mas sabemos que o perigo esta la fora, longe dos nossos olhos e alcance.

Pensando assim, algumas vezes, saio de casa e vou ficar de espia para saber como meus filhos se comportam sem minha presença. Vou a escola e peço permissão de ficar oculto e olhar como ele se comporta no recreio; deixo-o na porta da escola e dou a volta no quarteirão e fico olhando o comportamento dele.

Podem me chamar de ditador e violador de direitos constitucionais, porém eu prefiro ser assim, do que ser traído por excesso de confiança, e dizer: "nunca imaginei que meu filho fosse capaz de fazer tal coisa"

A regra em casa são simples: Eu e a mãe mandamos, e quem não obedece é punido com o rigor necessário.

Digo sempre, não sou amigo de meus filhos, eu sou pai. Amigos ele encontra faz na vizinhança, na escola, nas festinhas que vamos, nos clubes que somos sócios, e mesmo assim, há uma linha dura de censura. Há aqueles que dizemos: Afasta! Não trás mais aqui, e não ande mais com ele.

Eneida disse...

Vim agradecer e retribuir a visita. Gostei do que vi. Lembrou-me de um tempo em que eu gostaria de ter um veículo para soltar minha voz, mas ainda não havia nada semelhante aos blogs. Pena. Hoje tô mais pacata, acomodada, e prefiro falar de abelhas e flores (Pra não dizer que não falei de flores...).
Parabéns pelo blog!

Pedro disse...

Adão você está certo.

Sou pai "solteiro" e tenho a dupla responsabilidade na educação das figurinhas. Mas sempre digo: sou seu pai, não sou seu amigo. E experimenta chegar em casa depois do horário que eu estipular? Se afasta daquela menina que ela não serve para andar na tua companhia. Cara...me vi em você com as palavras que você utilizou.

Quando o Rafa chegou em casa me pedindo um video-game levei ele no shopping e no meio do corredor entre uma loja de surf e uma loja de eletrodomésticos fiz ele fazer sua primeira escolha. Disse: você tem a opção de viajar, curtir a natureza ou ficar preso em casa viciado em jogos. Escolhe. Ele escolheu a prancha e hoje ela vai para onde ele for. Não gosta de videos-games e nem de televisão.

Acho sinceramente que falta uma participação maior dos pais, como pais, na vida dos filhos. Os papéis se inverteram. E está ocasionando esse desastre social.

Faço o meu papel e se mesmo assim eles errarem, jamais faria como a mãe do depoimento acima fez. Eu seria o primeiro a levá-los para a DP. Jamais compraria a liberdade de meu filho com um tratamento dentário e jamais permitiria que eles se corrompessem a tal ponto. Sua honra ser trocada por um tratamento? Como foi citado acima em um depoimento?

Os valores religiosos também são importantes. Nunca determinei qual religião seguir mas fico contente quando vejo a Eugenia ir ao templo budista duas vezes por semana e o Rafael pronto para fazer a primeira comunhão. Escolhas que eles fizeram depois de muito procurar saber, perguntar, questionar.

É uma gama de conhecimentos passados pelos pais que formam grandes homens, mulheres, futuros cidadãos. E não é só transmitir, mas acompanhar também, zelar por esses passos que são dados.

Mariano disse...

Acho q culpar os pais não é o caminho!

O livre arbitrio esta para ser usado!
O que é moral, o que é amoral?

A culpa de tudo isso são os exemplos...
A impunidade com certeza não é um dos bons!

Eu e Ela disse...

adão

alguns pais tem medo de parecerem ditadores em querer saber quem são os amigos dos filhos, quem são os filhos na sua ausencia.
Diante da minha posição que é bem parecida com a sua, quando faço um convite paras os amigos do meus filhos sempre me apresento e coloco um telefone a disposição, poucos pais se interessam em saber na casa de quem os filhos estão, mandam os filhos e pronto.
Me assusta por que assim também não tem como eu saber quem são.
A maioria das crianças ja me conhecem e sabem que reispeito e educação pelo menos dentro da minha casa é uma regra, e sabe que eles não me acham chata?
Tem regras mais também tem afeto, amizade. As vezes meu filho fica até com um pouco de ciumes, mas ele entende e aceita quando digo "esse eu não quero mais aqui", geralmente ele percebe antes de mim que não tem nada haver.
Educar não é facil, requer paciencia e dedicação.
Mas o resultado é incrivel.
Vejo por minhã mãe, 4 filhos nenhum se tornou uma grande figura, mas todos pessoas de bem.

Pedro disse...

Culpo os pais sim. Me culparia também se algo desse errado na criação que dei, na formação de caráter de meus filhos. Insisto que o problema é moral, ético, ausência de bases sólidas dentro do âmbito da familiar.

Se fosse uma prostituta, um mendingo, um nordestino, um negro, um favelado, tal agressão seria justificada? Meu Deus! Esses valores éticos, de respeito ao ser humanos são bases familiares, que se adquirem dentro de um seio familiar. Eles disseram: Pensamos que fosse uma prostituta. E se fosse uma prostituta? Caberia a agressão, a violência gratuita? E se fosse uma prostituta loira, branca, de lindos olhos azuis e um corpo escultural e estudante universitária como existem muitas por ai?

Eu creio que esses pais devam estar se sentindo assim, fracassados e culpando-se por não observar o óbvio. Um simples cheiro de alcool é sentindo longe. O cara bebe, passa a madrugada na rua, bebendo, cheirando, fumando e o pai não vê? Não tem tempo de ver que seu filho está se destruindo? Vou achar normal ver um filho meu chegar alcoolizado, fedendo a alcool e não faço nada? Ahhhhh ele é jovem, nada acontece aos jovens. Esses caras poderiam no minimo ter sofrido um acidente gravissimo, pois estavam alcoolizados.

Eu vejo nesse comportamento e nessas agressões uma infinidade de preconceitos camuflados nessa turminha, inclusive preconceitos sociais e raciais.

Ser pai, ser mãe é ter uma responsabilidade para toda vida. Maridos e esposas não nos prendem emocionalmente, mas filhos sim.

Concordo quando os psicologos dizem que 90% da formação de uma pessoa está dentro de casa e são poucas as exceções de filhos cabeça com pais neuróticos ou doidões. Os outros 10% adquire-se na vida, no mundo. Mas se não houver uam base sólida na formação você não terá filhos no minimo saudáveis para saber lidar com os conflitos de um dia-a-dia nem sempre simpatico. Com chefes mal humorados, amigos que traem, fome, dificuldade, contas a pagar, doenças, desempregos. Oba estou com um diploma, mas estou desempregado, vou beber para esquecer, vou bater na minha mulher, vou matar o passarinho do vizinho. Essa força encontra-se dentro de sua casa.

Fui criado em Ipanema, moro na Califórnia, fui morar sozinho com 18 anos para ter liberdade e não brigar com meu pai. Sei o que é não ter uma comida dentro de casa para comer, mas foi opção minha largar minha vida de playboy. Para sobreviver e não depender de papaizinho passei no meu primeiro concurso com 19 anos. Poderia ter sido como esses caras, pois eu também tive tudo. Mas meus 10% de chance adquiri sempre me recordando dos meus 90% que meus pais me deram.

Sou pai solteiro porque adotei sendo solteiro, sou presente, sou ausente, viajo muito a trabalho, estudo, pratico esporte e filho nenhum meu levantou a voz para mim ou me questionou em alguma decisão. Posso estar na Austrália surfando, em Macaé trabalhando, mas estou com os olhos em San Diego vigiando. Cobro e cobro muito. E não me arrependo das cobranças que faço. Na minha casa, sob o meu teto quem manda ainda sou eu - foram as palavras do meu pai e faço delas as minhas palavras na educação que dou aos meus filhos. E só dei valor à essas palavras quando resolvi assumir a responsabilidade de ser pai.