terça-feira, 17 de abril de 2007

Um dia nada atípico


Como há gente mal humorada nesse mundo. Há pessoas que nascem mal humoradas, sem dose nenhuma de felicidade, ou de pequena alegria no rosto. E temos, por vezes, que entrar na vida dessas pessoas, nem que sejam, por breves minutos.

Hoje fui ao médico. Fui e voltei de táxi. Na ida, pura coincidência, um senhor muito simpático, que já havia me transportado algum tempo atrás foi novamente o meu motorista.

- Nossa! Eu conheço o senhor.
- Eu levei a senhora para se encontrar com seu namorado. Lembra?
- Ex-namorado. Por favor!
- Mas já? Por isso que a senhora está mais bonita. Tem gente que não faz bem estar do nosso lado. A senhora está tão bonita, deve ter se livrado de uma boa. Esse seu perfume é inesquecível moça.

Fico abismada como tem gente que acha que faz parte da nossa vida intima. Ah! Obrigada pelo mais bonita. O perfume? É segredo de Estado. Andar de táxi, por vezes, requer um grau de paciência, bom humor e disposição para fazer parte da vida daquele ser que talvez você nunca mais encontre. No entanto, você está lá, ouvindo e falando de si para uma estranho ao volante. Definitivamente é um verdadeiro exercício de alguma coisa.

Fui ao meu querido e amado e galanteador médico. O único homem que literalmente me conhece por dentro e por fora, além do que, diga-se de passagem, salvou a minha vida. Uma vez, em algum lugar perdido no passado, meu lindo médico, me chamou para jantar fora. É claro que não fui. Podem me chamar de burra, pois ele é maravilhoso, um gentleman, lindo. Mas como poderia jantar com o único homem que obedeço, sem fazer charminho, quando diz para eu tirar a roupa, me deitar e abrir as pernas? E se ele me perguntasse na hora do jantar? - Você está bem? Que horror! Eu certamente diria: - Se você não sabe, sou eu quem vai saber? E se, depois do jantar, eu fosse namorada dele? E se o namoro terminasse? Ele continuaria sendo meu médico, mas na condição de ex-namorado continuaria me vendo nua e deitada com a pernas abertas? Definintivamente, não dá. Tem coisas que não sei gerenciar. Prometo que antes de morrer dou um beijo na boca dele e partirei feliz. Ah! mas n
ão pensem que hoje ele matou as saudades do corpinho de sua paciente preferida. Minha tireoide está dando pitis nervosos e ele só passou uns exames para fazer, antes de encarar o bisturi novamente.

Mas o problema é o mal humor de uns e outros. Bem, na volta, é claro, peguei um táxi novamente e pude testar minha paciência zen budista.

- Por favor, tenho pressa!
- Só se o táxi virar um avião.
???????????????
- O senhor poderia pegar o túnel Noel Rosa?
- A senhora é a única no Rio de Janeiro inteiro que gostaria de cortar caminho pelo Noel Rosa.
???????????????
- Está havendo algum tiroteio no Noel Rosa neste momento?
- A senhora não soube? O foco hoje foi no túnel Santa Barbara.
- Não sabia. É mesmo?
- Onde a senhora estava que não sabia?
???????????????
- No médico. Façamos o seguinte, escolha o caminho que o senhor quiser. Eu tenho um pouco de pressa.
- Agora a pressa é pouca? Nesse horário? Crianças nervosas e pais neuróticos saindo da escola? Pressa é tudo o que a senhora não pode ter.
???????????????

Bem, o que continuei fazendo dentro do táxi do motorista nervosinho e mal humorado? Nem eu mesma sei. Só queria chegar em casa, e no fundo, minha alma ferina, estava ansiosa para ter um pretexto e dar um fora naquele mala que estava com a minha vida nas mãos dele. Afinal, uma hora ele iria dar uma brecha e com isso eu mandaria o cara para àquele lugar.

- Pronto chegamos. O senhor pode ficar com o troco.
- A senhora é muito gentil. (olha a brecha para minha vingança)
- Ah! Senhora é a sua avó. (já estando devidamente com os dois pés fora do táxi)
- Dona! Dia desses eu chamei uma menina de quinze anos de senhora. Sou educado.
- Ah!
- A senhora anota o telefone do posto que toda vez que a senhora precisar eu trago a senhora.
- Ham ham

5 comentários:

Pedro disse...

Esse teu lance com o seu médico é coisa antiiiiiiiiiga. Pelo menos os cuidados com você serão dobrados. E ai? como foi a consulta? Mais tarde dou uma ligada, mas pelo teu bom humor acho que está tudo ok.
Falar de taxistas é algo sem comentários, são figuras raras, ora eu os amo, ora eu os odeio, principalmente em dias de chuva, em São Paulo e em Nova York.
beijão grande Liz

Kaká disse...

ahahahah adoro esse seu jeito de falar! falou do médico, dos taxistas... olha, taxistas são peças raríssimas! pra bem ou pra mal, realmente... só que no caso dos que são "pra mal", deixa de lado sua "hora de vingança"... rssss... vai saber o q os pobres coitados tiveram de passar até chegar em vc! com um sorrivo vc os desarma, pode estar cerrta!!! :) um abração!

Beth disse...

É verdade Kaká ... pesei tudo isso com o tadinho do taxista. Ele tinha tido uma manhã terrivel. Mas o bom é que eu estava serena e de bom humor. hahahahahahaha

Pois é Pedrinho ... Cuidados redobrados e abraços para lá de apertados. U-huuuuuuuuuu

Daniela Eloise disse...

Bethinha..vc é muito boa, concordo com vc em g~enero, numero e grau...acho que isso ocorre em qualquer lugar do mundo, a diferença é que em outras línguas quando não entendemos podemos xingar e ser xingadas, com elegancia e um sorriso no rosto..bjos e se cuida.

Marcelo disse...

Morri de rir com teu dilema. Ou o médico vira namora e deixa de ser médico. Ou vira ex-namorado e ex-médico. Ou simplesmente continua sendo médico e arruma outro namorado. Hilário. Engraçadérrimo. Adorei querida

beijos e cuida dessa saúde e mantenha sempre esse humor.

Marina