sábado, 24 de março de 2007

Linha Tênue

Estou a quinze dias tentando escrever algo meio delicado, mas ontem ultrapassei o linear de minhas ponderações emocionais; coisas que beiram ao absurdo e que são eternamente incompreensíveis aos olhos. Nunca, na minha vida, presenciei cenas que vi nessas últimas semanas. Juro que não me chamo Rapuzel e não fiquei anos presa na torre esperando o cabelo crescer, o sapo virar príncipe e me tirar daquele sufoco. Mas pressuponho, que os céus e meus bons graus de amizade sempre me pouparam de ver tais cenas.


Vi um jovem e belo mancebo arrastar sua mulher pelos cabelos, e ainda gritava para ninguém se meter. O que? Como assim? E eu por acaso sou ninguém? Mas é claro que me meti e ainda dei um chute discreto no que àquele verme tem de mais precioso na vida, mas antes que ele se recuperasse do susto e sobrasse para mim, chegou àquela bendita turma do deixa disso. Depois daquela confusão "babanesca", que estatizou um restaurante inteiro, me vi no “toillet” com a dita cuja e sua filha de doze anos. E ainda fui obrigada a escutar aos prantos que àquela alma o amava e que ela tinha certeza que ele a amava. Como assim? “É falta de vergonha mesmo tia”, me disse a pré-aborrecente, filha da alma penada. Como assim?, pensei cá com meus botões.


Que raio de amor é esse que é superior ao seu amor próprio? Que dependência é essa? Dependência sexual, emocional, financeira? Nos meus piores devaneios não me imagino sendo arrastada pelos cabelos e ainda continuar amando um homem desses. Por favor, posso pagar com minha língua um dia, mas se um dia isso acontecer, ME IN-TER-NEM, estarei fora da minha razão, estarei virando mendiga de amor e jamais olharia nos olhos de minha família, dos meus amigos.


Poderia cair nas considerações jurídicas e falar da Lei Maria da Penha, mas só queria deixar registrada minha indignação à esta bendita impotência emocional. Impossível, a não ser em um espaço jurídico (que um dia irei criar), explanar sobre a violência silenciosa que beira ao escravagismo matrimonial sofrido por muitas mulheres, quando - em verdade vos digo - existe também a violência psicológica, afetiva, e muitas vezes, a violência física sofrida por muitos homens. Ambos os sexos, de alguma forma, ou por algum motivo se permitem passar por tais constrangimentos. No entanto, tal profundidade, na discussão do tema, não terá a extensão devida neste espaço, pois é destinado apenas à minha indignação e questionamento diante dos mais recentes acontecimentos. Indico, porém, a leitura no site do Instituto Patricia Galvão.


Tudo bem. Já vomitei. Passou. Vou curtir meu Saturday Night. Eu jurei que não ia trazer o “lápis topis”, mas eu sabia que algo ia acontecer, pura intuição de cronista. Por enquanto, cada um com seu cada um.


“Eu adoraria ser Delegado nessa hora”, disse meu amigo após a confusão. E eu comungando com essa bela frase, disse que adoraria ser membro do Parquet.


Como é que eu ia esquecendo? O resultado do barraco? Ah...é claro, que eles foram embora aparentemente calmos; vocês ainda duvidavam disso? Mas àquela bendita pré-aborrecente olhou para mim, com um sorriso sem graça e com a sapiência de sua juventude, disse – “não falei que é falta de vergonha tia?” Ah! Tudo bem, mas tenho certeza de que as noites do seu papai serão improdutivas - apenas pensei.


É ! tchauzinho! O meu amigo futuro delegado já buzinou umas trocentas vezes para a futura promotora.


"A Lei de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher recebe o nome de Maria da Penha, em homenagem à mulher que ficou paraplégica em conseqüência de um tiro que recebeu do marido. Depois de inúmeras tentativas vãs de que a justiça fosse feita, ela recorreu às Corte Interamericana de Direitos Humanos em busca de justiça e punição para seu agressor."

4 comentários:

Marcelo disse...

de todo esse dramalhão mexicanos só ficamos com pena da aborrecente. grande referencia ela vai ter para um futuro. Deus a proteja.
Mas confessa. Chute discreto? A defensora dos frascos e comprimidos deve ter aleijado o cara. kkkkkk
na pascoa estaremos ai. grande beijo da family trololó brand

Marcelo disse...

virou uma mulher internacional?
estou vendo o novo contador.
França, Portugal, Espanha, Estados Unidos. Dinamarca ......... é o Jander, essa matei na hora. Super legal isso. Bom final de semana querida. Aproveita.
grande beijo
familia trololó

Kaká disse...

Os profissionais ligados a este tipo de situação afirmam sempre: "o abuso emocional sempre precede o abuso físico". vc presenciou - e, claro, sabe disso! - uma situação de abuso "quase" extremo. mas um abuso é sempre um abuso. e por conta disso, já q vc viu a cena, participou, e contou aqui, vou te mandar um email (não sei se em breve ou não) pra compartilhar "algos". um abraço forte e Deus a faça promotora, pois é de autoridades assim que este país grande e bobo e seu povo precisamos.

Beth disse...

Kaká
Lembra de Quintana?

"Com o tempo, voce vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela."

E olhe ... dito por um homem !