Trabalhar com turismo é bem gostoso, mas é um trabalho bem cheio de responsabilidades operacionais e civis. Qualquer vacilo é uma dor de cabeça daquelas que nem a Neosa, Jesus ou Buda resolvem.
Quando minha mãe diz: “Quero fazer excursão para tal lugar”…putz, começa a minha dor de cabeça com a operacionalidade de um roteiro, reservas e etc e tal – fico noites e noites sem dormir até ter o feedback de todos os cantos e recantos dos contatos, agências, contratos fechados e devidamente assinados. Normalmente essas coisas acontecem com alguns meses de antecedência e é extremamente cercado e vigiado até a véspera da viagem.
Mas, o que mais me estressa não é guiar o grupo, acompanhá-los e contar detalhes históricos de determinado lugar - quando domino o mesmo – caso contrário, contrata-se guia local para fazer àquele city-tour básico. O que mais me estressa é fazer todo o operacional, que foi preparado previamente, dar certo antes mesmo do desembarque acontecer. Com isso, prever todos os contratempos é coisa de bater palmas para maluco dançar. Deixar tudo pronto e cronometrado é uma dor de cabeça daquelas que só compensa mesmo ao ver o resultado final: as fotos, os videos, as despedidas, trocas de telefones, amigos ocultos, as lembranças que restaram, as novidades contadas.
Me desligo de tudo quando estou trabalhando com receptivo, quando estou no meio de confecção de um roteiro, ou de uma viagem em andamento. Mas fico observando os passageiros e não entendo como eles, ou melhor, como alguns podem viver em lan house´s, internet e etc e tal…estando em lugares lindos e cheios de grandes informações, novas culturas, cores e encantamento a olhos vistos. Seria pressa em contar as novidades? Em registar por letras os fatos vistos em fotos? Espalhar para o mundo: “Ei…estou em Porto Seguro, estou no RJ diante do Cristo Redentor, estou em Bonito…” Mas para que pressa diante do descanso tão procurado? Enfim…mesmo trabalhando eu me divirto como se cliente fosse e respiro cada canto da cidade onde estou.
Me desliguei de tudo e todos. Mas…como nada é perfeito e há mais trabalho para ser agendado e operacionalizado, faculdade começando, então tive que retornar…mas é àquele retorno com vontade de ficar mais uma cadinho…após esquecer os dias, as horas, os minutos e segundos diante de dias de puro sol, mar, descontração, relaxamento…e uma boa preguiça baiana com uma pitada de caldinho de sururu, caranguejo e muito camarão. E ainda sem entender o que prende as pessoas ao mundo virtual diante de tão lindo mundo real que brilha como o sol diante dos olhos dos navegantes…talvez seja o fato de que tudo é perene, passageiro, com data de retorno.