Brillat-Savarin disse que "a descoberta de um novo manjar causa mais felicidade ao gênero humano que a descoberta de uma estrela".
Mas o novo manjar, além de nos dar felicidade, pode causar a obstrução de nossas veias, com resultados fatais. Ah, esse maniqueísmo...
(Rubem Fonseca)
A resposta dele foi o silêncio. Ela não mereceria nada mais além do que o silêncio.
Para ela, nada era mais lúgubre que o silêncio dele após descobrir que havia um outro nem tão importante assim na vida dela. Era apenas um outro - em argumentos - apenas diversão, fantasia, loucura, vazio, nada. O silêncio dele, era um punhal penetrando em sua carne. Antes quebrasse a casa, xingasse, batesse nela, mostrasse sua raiva, seu ódio, sua decepção.
Ele nada disse, silenciou. Arrumou as malas. Passou os olhos pela casa. Pensou. Não partiu. Ligou para o arquiteto amigo, encomendou reforma do apartamento recém adquirido. Atormentou-a - nada proposital - com presença diária em passos pesados pela casa.
Como esposa, visualizava uma nova chance na não partida dele; tentou recuperar o elo rompido. Se tornou presente onde antes era ausência.
O apartamento está pronto. Taciturnamente, ele partiu.
O homem pode suportar as desgraças, elas são acidentais e vêm de fora: o que realmente dói, na vida, é sofrer pelas próprias culpas.
(Oscar Wilde)