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sábado, 2 de agosto de 2008

Maniqueistas

 

Brillat-Savarin disse que "a descoberta de um novo manjar causa mais felicidade ao gênero humano que a descoberta de uma estrela". 
Mas o novo manjar, além de nos dar felicidade, pode causar a obstrução de nossas veias, com resultados fatais. Ah, esse maniqueísmo...

(Rubem Fonseca)

A resposta dele foi o silêncio. Ela não mereceria nada mais além do que o silêncio.

Para ela, nada era mais lúgubre que o silêncio dele após descobrir que havia um outro nem tão importante assim na vida dela. Era apenas um outro - em argumentos -  apenas diversão, fantasia, loucura, vazio, nada.  O silêncio dele, era um punhal penetrando em sua carne. Antes  quebrasse a casa, xingasse, batesse nela,  mostrasse sua raiva, seu ódio, sua decepção.

Ele nada disse,  silenciou. Arrumou as malas. Passou os olhos pela casa. Pensou. Não partiu. Ligou para o arquiteto amigo, encomendou  reforma do apartamento recém adquirido. Atormentou-a - nada proposital - com presença diária em  passos pesados pela casa.

Como esposa, visualizava uma nova chance na  não partida dele; tentou recuperar o elo rompido. Se tornou presente onde antes era ausência.

O apartamento está pronto. Taciturnamente, ele partiu.

 

O homem pode suportar as desgraças, elas são acidentais e vêm de fora: o que realmente dói, na vida, é sofrer pelas próprias culpas.

(Oscar Wilde)