O Mané é daqueles caras que não tem nome, cabeça, tronco e membros; é uma coisa que navega pelos mares da rede virtual, talvez, mais do que isso; ele vive na rede, mora dentro dela, é um fake real, com uma vida virtual. Mané namora pela rede, manda curriculun´s pela rede, sofre pela rede, faz barraco pela rede, desabafa pela rede, confessa pela rede, acho até que transa pela rede. Suas namoradas e novos amigos moram na rede. Chega ao ponto, de ficar com um laptop deitado no sofá, sem levantar o traseiro para correr atrás de seus interesses, pois a rede o atende muito bem, afinal, para que o Mané vai gastar sola de sapatos?
Recentemente, Mané vendeu seu botijão de gás, computador e cuecas só para viver uma aventura virtual sexual que conheceu pela rede. E lá foi o Mané feliz da vida viajar alguns quilômetros, atravessar alguns Estados, comer muito pão com mortadela só para conhecer sua musa virtual sexual e virar Piu-Piu de Marapendi em nova versão: Chegando lá, eu vou me dar bem.
Como não poderia deixa ser, pois quem avisa amigo é e, se conselho fosse bom não se dava, vendia; chegando no seu destino nordestino, Mané percebeu que nada era o nirvana pretendido ou que aparentava ser, que a seca e a caatinga era uma real, que o Nirvana não existia mais, que Curt Cobain era um doidão que se matou por estar em crise existencial e que nem sempre o virtual é tão gozo total quando dá ares de real. E Mané voltou com as mãos atadas, ferrado, duro, cheio de dívidas, sem computador (sua ferramenta de trabalho) e com àquela velha história do dó, dó, dó, tenham dó de mim, se compadeçam de mim; sou um pobre coitado na vida, ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de meu amor e sem muito entender o que deu de errado na longínqua empreitada. Mané adora se fazer de vítima, pois sempre haverá uma alma compadecida feminina, querendo lhe dar colo, após saber de suas merdinhas.
Ele é tão viajante na maionese no mundo virtual que recentemente a sua musa sexual virtual andou tendo uns peripaques e as noticias chegavam via torpedo. “Ei Mané, ela foi internada, ela está no soro, o médico suspeita de meningite, ela está na CTI, ela chora te chamando, ela vai morrer. Opa! Mané, presta atenção, não é meningite é depressão...”. Ai chega a insana que vos escreve, e diz: Mané, posso te fazer uma pergunta? Desde quando saúde, risco de vida se trata por torpedos? Eu e minha língua, pois tem horas que é melhor deixar alguém viver no mundo de Alice. Mas, com a pulga instalada atrás da orelha, o Mané liga para a casa da musa sexual virtual e ela atende o telefone e virtualmente desmaia. Outros torpedos se seguiram: ela fugiu do hospital, ela foi para casa, o telefone tocou, ela ouviu tua voz e desmaiou. E o Mané com cara de otário, acreditou.
E Mané, mesmo sem computador, conseguiu bravamente mudar o rumo de sua história, virou o otário da vez que canta de galo. Tornou-se o comedor virtual, ciscando em todos os galinheiros, currais e pocilgas disponíveis, fica à caça de camisinhas, lubrificantes, fantasias de Robin, algemas, videos pornôs, calcinhas exocet e faz novas amigas sexuais virtuais e anda lambuzado de tanto comer mel. E salve, salve às lan´s.
- Posso te fazer uma pergunta? Diz, timidamente e muito sem graça o Mané.
- Se eu souber responder.
- Como um HPV se manifesta num homem?
- Estou falando sério.
- Eu também Mané. O virtual tem respostas excelentes para a crueldade da vida real.
Acorda Mané Cerol. César cobra seus tribunos e o mundo gira Giramundo.
***** Por falar em Mané e Manés, os jornalistas Arthur Dapieve, Gustavo Poli e Sérgio Rodrigues lançaram em 2003 o Manual do Mané. Guia de auto-ajuda para o homem que vacila. Não sei se ainda está sendo editado, mas vale muito a pena procurar.