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quinta-feira, 29 de julho de 2010

Insegurança em pixel

Querer (Pablo Neruda)


Não te quero senão porque te quero
E de querer-te a não querer-te chego
E de esperar-te quando não te espero
Passa meu coração do frio ao fogo.
Te quero só porque a ti te quero,
Te odeio sem fim, e odiando-te rogo,
E a medida de meu amor viageiro
É não ver-te e amar-te como um cego.
Talvez consumirá a luz de janeiro
Seu raio cruel, meu coração inteiro,
Roubando-me a chave do sossego.
Nesta história só eu morro
E morrerei de amor porque te quero,
Porque te quero, amor, a sangue e a fogo.

Por alguns instantes nada o que vinha dele era dedicado à ela. Nem os gestos, os sorrisos, os olhares furtivos, os elogios rasgados; sequer foi convidada para se juntar a roda de amigos.  E ela, no meio daquela multidão, buscava o que ele não queria lhe dar – atenção!

Não entendo mendicância de atenção.

Gritos inaudíveis de desespero ecoaram dentro dela ao se ver ameaçada por lembranças perenes de clicks digitais. Deletando a fotografia alheia seria uma forma de esquecer que não foi lhe dado o prazer de dividir o melhor momento dele. Ele,  espontâneamente feliz,  fugia do seu controle de Lolita decadente. A artimanha, própria de meninas inseguras que  ainda não aprenderam a ser mulher, fatalmente seria descoberta; afinal,  foi apenas um meio encontrado por ela de esquecer que os gestos, os sorriso, os olhares furtivos, os elogios rasgados que não lhe foram dedicados estariam perpetuados no sorriso de outra. A outra? Essa sim, era a dona da festa – alheia aos dilemas existencias de quem a rodeava, brindava a vida.

mulheres_alfa Quando, enfim, essas tolas meninas vão descobrir que o melhor do jogo da sedução está em se deixar seduzir? E que a insegurança é própria de quem não se sente plenamente desejada por olhos alheios e por seu próprio espelho? E que amor construido a sangue e fogo é parte da vida que se esvai.

Agora é tarde para amadurecer e se tornar Alfa…

segunda-feira, 2 de junho de 2008

E eu não morro de ciúmes...

"O ciume é uma constrangida homenagem
que a inferioridade presta ao mérito"

(Autor Desconhecido)

 

ciumes Se há um sentimento que não suporto e que me agonia quando está proximo de mim, é o ciúme. Não o sinto, não consigo sentí-lo. Já tentei sentí-lo para agradar, disfarçar, mas estava mentindo para mim mesma e para o meu parceiro. Não tenho esse sentimento de posse dentro de mim. Não sei se isso é bom ou ruim, mas prefiro exigir Respeito do que viver pedindo Amor. Sentir ciúmes, sempre foi visto por mim, como uma grande falta de confiança e credibilidade reciproca comigo mesma - Não confio nele e não confio em mim. Posso não confiar tanto nele, aliás, qual mulher colocaria a mão no fogo por um homem? Mas, confio pacas em mim e das minhas eternas capacidades de UP´s.

Não consigo estar do lado de pessoas ciumentas, de pessoas que gritam, falam alto, de pessoas possessivas, de pessoas que brigam o tempo todo...e isso serve para qualquer esfera de relacionamento. Gosto de vozes pausadas e suaves, de ter conversas tranquilas com gente que gosta de conversar. Não suporto amigos ciumentos muito menos relacionamentos contaminados pelo ciúme.

Quando decidimos ficar com alguém, acredito que além do bem querer, ou do amor (como queiram), deve-se imperar o respeito. Como ficar ao lado de alguém que não me respeita, a quem não tenho respeito, que faz da minha vida um inferno?

Sempre acreditei que o ciúme iria tirar o melhor de mim. O ciúme anula, controla, sufoca, diminui, escraviza, faz o sentimento de amor virar um cárcere de emoções. Nunca quis isso para minha vida. E na verdade, só temos duas opções numa situação dessas: nos libertarmos ou continuarmos adoecendo dentro de um relacionamento que nos mata, dilacera, consome dia após dia. Sempre optei por minha sanidade e minha auto-estima. Meu parceiro não pode ser mais importante do que eu mesma, nem mesmo os filhos, ou a familia constituida. Se, eu romper esse equilibrio comigo mesma, nada ao meu redor funcionará ou estará em harmonia.

Uma vez, já faz um tempinho isso, uma ex dele ligou aqui para casa. Não tenho nada contra apesar de que, para mim, ex é sempre ex e ponto final. Mas, respeito muito as relações de amizade que ficam e cada um sabe levar isso da forma que achar melhor; que cada um tem sua história, suas lembranças e isso tem que ser respeitado. Se souber gerenciar e não deixar afetar a harmonia do nosso lar, então, por mim, no stress - acho que boas amizades devem ser celebradas. E só subi nas tamancas quando a ex resolveu  dar uma de "Madalena arrependida" nas suas escolhas de um passado bem distante. Subi nas tamancas com ela, jamais com ele. Dei um jeitinho de colocá-la no seu devido lugar de ex, via torpedo. Coitadinha! Ela não estava contando com a hipótese de que ele me contava tudo o que recebia dela. E a ex é casadinha heim? Imagine se não fosse! Mas, soube me sair bem sem estragar meu salto agulha de 15 cm, minha escova e minha olheiras cultivadas em madrugadas em cima dos livros.

Outra vez, um amigo da faculdade, nos disse para tomarmos cuidado com o que escreviamos para ele em um site de relacionamentos, na época - o Gazzag. Ele dizia para todos que quem escrevia era a esposa, era ela nos e-mails, era ela no msn dele. Ele mesmo nem curtia muito internet e nem tinha paciência para o mundo virtual. Ela, a esposa, surtava num enredo tal que chegava ao ponto de brigar por causa de situações que ela mesma criava. Acabaram se separando. Ele casou novamente. Ela está no analista, mas antes frenquentou as reuniões do MADA (Mulheres que Amam Demais Anônimas). Aliás, a primeira regra do MADA é: quando o amor ultrapassa fronteiras e torna-se o nosso pior inimigo. Achávamos que amar demais e consequentemente sofrer demais era normal, mas, sofríamos as consequências de nossas atitudes...MADA - Mulheres que Amam Demais Anônimas é um programa de recuperação para mulheres que têm como objetivo primordial se recuperar da dependência de relacionamentos destrutivos, aprendendo a se relacionar de forma saudável consigo mesma e com os outros.

Ainda acredito que quando alguém escolhe outro alguém para dividir, somar, multiplicar...é por amar, gostar, querer bem. Acho tão deprimente a forma que as pessoas se expõem, se diminuem, viram um nada por nada,  tudo por causa da não solidão, ou pior, da dependência emocional. Pessoas assim, nunca vão saber o que é o amor...elas pensam que amaram...mas nunca amaram...porque nunca amaram a si próprias.  Como vou cobrar amor de alguém se nunca sequer me amei? Quando nunca olhei para meu espelho e vi o quanto sou capaz de ser feliz? Que entro em situações que só me fazem perder minha auto-estima? E...amor se cobra? Não. Amor se doa...ele não vem por mendicância.

Minha mãe costumava dizer: Quer ter um homem aos seus pés? Faça ele entender que você nunca será dele, mesmo que você o seja para o resto da sua vida. Ele só não precisa saber disso, deixe-o na dúvida...mas tudo muito bem dosado, caso contrário, a dúvida gera insegurança e insegurança gera ciúme.

Ontem, vi uma cena tão deprimente. No silêncio da madrugada, acordei por causa de uma tosse insistente. Ouvi gritos, coisas quebrando e uma TV de plasma criando asas numa vila proxima da minha casa. Ahhhhhhh...que triste. Bem que ela poderia ter me doado a TV. Ele acabou de fazer a mudança, saiu gritando que não suportava mais a louca e os ciumes doentios por causa do jogo de futebol com os amigos aos domingos.

 

O ciume é aquela dor que dá quando percebemos
que a pessoa amada pode ser feliz sem a gente!

(Rubens Alves)

 

A página oficial da MADA não está disponível na internet. Se alguém souber algum outro link oficial, favor informar. O texto que fala dos objetivos da MADA foi retirado de uma revista.