Passei uma tarde carioca em um dos corredores mais ultra badalados do roteiro Centro Histórico do Rio de Janeiro – a Rua do Lavradio. No entanto, não entrará no mérito a questão cultural, arquitetônica, histórica desta rua que carrega nas paredes de seus casarios vultos significativos do Rio de Janeiro. Esses fatos e detalhes guardarei para meus turistinhas.
Naquela rua estreita, durante o dia, circulam pessoas aceleradas, apressadas. Afinal, pertissimo dali estão as maiores estatais do pais, o Tribunal da Justiça do Trabalho e antiquários maravilhosos. A noite, o burburinho fashion, descolado, antenado, fãs da cultura brasileira circulam pelos seus restaurantes, casas de shows. Nos finais de semana, tudo se mistura numa grande efervescência. A rua do Lavradio é point.
Durante a aula sobre a Rua do Lavradio que envolvia história e arquitetura daquele espaço encantador, nos surpreendemos com algo que foi jogado de um dos casarios mais badalados daquela rua – diria badaladérrimo. Água e vinagre caiu em cheio em cima da nossa professora. Alguns alunos, inclusive alunos estrangeiros, ficaram indignados com aquela postura de “jogar o sujo pela janela”, não só porque caiu em cima da professora mas poderia cair em qualquer transeunte que passasse naquele momento – uma pessoa idosa, uma mãe com seus filhos...
Alunos entraram no estabelecimento e foram reclamar da postura daquele funcionário, outros ficaram comentando sobre a falta de educação de alguns cariocas; mas a professora, já acostumada com intempéries naturais e provocadas, amenizou o clima e continuou o passeio.
Nem tudo é artilharia de pombo que suja cabelos e roupas. Caquinha de pombo não incomoda tanto quanto a falta de educação, principalmente vinda de um funcionário que faz parte do cartão de boas vindas de um lugar ultra e mega badalado. É como você ligar para um call center e alguém te atender de mau humor. Todos funcionários, principalmente àqueles que lidam com o público, são cartão de visita das empresas; seja essa empresa uma banca de jornal, um boteco, um lugar ultra mega badalado, ou uma grande empresa multinacional.
O que adianta ter um estabelecimento que recebe mais de duas mil pessoas num final de semana se o funcionário, seja ele gerente ou faxineiro, faz da calçada uma extensão de sua própria vida? Se está insatisfeito…”pede prá sair”, já diria Capitão Nascimento.
Mas muitas vezes, o gerente não observa ou não fica atento a um problema que o funcionário esteja passado ou a insatisfação de um grupo de funcionários. E com isso erros vão sendo somados e tanto funcionário, cliente e transeuntes ficam insatisfeitos. Essa observação também serve para os funcionários em relação a sua gerência. Adianta trabalhar para alguém que não investe no crescimento de sua equipe? Que só quer saber de resultados, de dinheiro em caixa? Que puxa para baixo ou dificulta o crescimento de um funcionário? Que dificulta o máximo quando o funcionário precisa sair no horário para fazer uma prova? Quando uma simples jogada de água com vinagre voa janela abaixo, acho (e sei que achismos não são legais) está na hora de rever o seu trabalho, a sua postura, a sua equipe, sentar e conversar. Na maioria das vezes, o funcionário ou a equipe, ou o gerente são bons, de boa-fé, apenas estão passando por problemas pessoais e estão misturando esses problemas com vida profissional; mas para isso há consultores, psicológos, especialistas em RH que podem ser contratatos e fazer um trabalho direcionado com essa equipe. Boas empresas, adotam essa postura.
É claro que muitas vezes os donos ou a diretoria geral de um estabelecimento ou de uma empresa não tomam conhecimento do comportamento do funcionário, das atitudes desidiosas do mesmo. Mas tem que saber e deve saber e vai saber. Ao final, é o feedback que todos procuramos ter quando se refere a prestação de serviços.
Voltando à Rua do Lavradio: Não é por causa de um, que deixarei de frequentar ou de levar meus turistinhas interessados em Centro Histórico a um lugar super charmoso, com uma decoração encantadora e que faz parte de um cenário de cultura e lazer no turismo do Rio de Janeiro. Assim como nunca deixarei de reclamar do mau atendimento de determinada empresa, da comida de um restaurante, do péssimo atendimento de um hotel, dos serviços de uma empresa de táxi, ou do funcionário que resolve atirar na calçada a sujeira de seu trabalho, ou da insatisfação da sua vida.

