Teresinha, é daquelas amigas que reencontro uma vez depois de tantos anos depois. Não telefono, não mando e-mail´s, não fico batendo papo diariamente, muito menos encontro-a saracoteando no mundo virtual...ela não tem tempo para orkut, msn e não lê blog´s...vive numa correria enlouquecida entre a atividade de gerente numa grande corretora, familia, faculdade. Se bem a conheço, deve chegar em casa por volta da meia-noite, joga os sapatos para um lado, a bolsa e material de estudo para outro, toma um banho e se atira no sofá para dormir. Metódica na sua rotina, no seu jeito de ser.
Nos conhecemos em São Paulo, trabalhamos juntas por lá. Depois viemos para o Rio e trabalhamos novamente juntas por aqui. Ela voltou para São Paulo, morou em Curitiba, voltou novamente para São Paulo. Lá se vão uns 8 anos que não a vejo, a última vez foi durante o carnaval que ela passou por aqui - na Região dos Lagos. É daquelas que apenas dizem: "Tá viva? Então tá tudo certo. Para o incerto, dá-se um jeito...para a morte, não posso fazer nada."
O telefone toca. E do outro lado da linha àquele sotaque nordestino meio misturado com o sotaque paulista querendo saber as novidades do lado de cá. Era ela falando todos os palavrões do mundo ao ouvir minha voz. Foram longos minutos colocando a vida em dia. De repente, meio que distraida, falando pausadamente, parece mudar de assunto quando pergunto sobre as novidades do seu coração.
- Maninha, preciso te contar uma coisa. Acho que estou com anorexia, tá ligada?
- Jura? Como assim? Como você descobriu? Ca-ra-ca que chato! E ai? Como você está? Consegue falar de boa sobre isso?
- Menina, só pode ser anorexia...não estou comendo ninguém.
- P.Q.P...os anos passam e ainda caio nas tuas sacanagens.
- Por isso que a gente é amiga...adoro teu jeito leso de ser.
Só existe uma coisa melhor do que fazer novos amigos:
conservar os velhos.
(Elmer G. Letterman)
Mesmo com as gaiatices de Teresinha que apesar dos pesares de sua vida de retirante, ainda arrimo da familia que deixou em Arapiraca/AL, e que se permite sorrir e brincar com a loucura que é estar vivo; vale lembrar que a anorexia é uma doença séria que ainda vitima homens e mulheres. A ONG Astral que teve seus trabalhos iniciados com a advogada Maria Clara Siqueira Castro que passou por um problema de transtorno alimentar originado pela diabetes - desenvolveu a diabulimia -, tem um espaço muito interessante na internet (está procurando apoio para a construção da sede no Rio de Janeiro) que explica sofre os diversos transtornos alimentares (anorexia, bulimia, TA sem outra especificação, vigorexia), inclusive deixando um espaço aberto para os depoimentos de seus leitores/usuários/colaboradores.
Também vale a pena conhecer o blog Anorexia: Diário de Minha Outra Personalidade, onde a autora conta suas idas e vindas, seus medos e desabafos em relação ao problema com o qual convive a 20 anos...e com ajuda do marido, familia e principalmente dela mesma, cada dia é mais um dia a ser vencido. (sua ultima postagem foi em abril - uma pena - senti nos comentários que sua luta diária contra a Ana ajudou muito gente a se encontrar, a desabafar, a enxergar um problema dentro de casa - espero que ela tenha superado seus medos de que Ana voltasse a bater na sua porta)