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quarta-feira, 5 de novembro de 2008

De Médico e Louco…

 

Doutor_louco! Meu médico ‘psiquiatra’ me deu o texto abaixo para ler numa das consultas que fiz recentemente. Coincidentemente uma amiga me enviou esse mesmo texto por e-mail. Psiquiatra? Como assim, endoidei de vez? Calma povo e pova, vou explicar.

Quase dois anos depois, enfim, resolvi procurar um psiquiatra. Procurei o tal especialista motivada pela ‘descoberta’ ano retrasado de uma ‘depressão e sindrome do pânico’. Quando cheguei no seu consultório e contei todo o histórico, ele resumiu da seguinte forma: “nunca atendi alguém depressivo e com sindrome do pânico tão tagarela, gestual, que adora viajar, dançar, passear, que fala rindo, é feliz no seu relacionamento  e ainda por cima gosta de voar de parapente. Normalmente, em regra, pessoas com essas sindromes têm na casa o seu refúgio, culpam os outros por seus fracassos e você é totalmente o inverso. O que você tem é uma coisa normal em qualquer mulher da sua idade e com assuntos ainda pendentes: frescurite aguda”.

- Frescurite Aguda? Então, mal comecei e já estou de alta? Eu não tenho nada? Jura? E minha tiroide, meus hormônios, meu coração acelerado? Doutor…tenho 40 anos, tenho olheiras e minhas celulites começaram a aparecer.

- Calma! Sou psiquiatra e não psicólogo e muito menos endocrinologista, cardiologista, dermatologista  ou geriatra. Vou te dar um castigo mensal, me visitar. E de vez em quando, pule um axé-music na sala quando for necessário, exercite a velocidade cinco. Continue namorando a vida como você sempre fez que todas essas nóias fantasmagóricas irão passar, se distraia mais.

- Nada de remédios coloridos? Uma indicação à análise? Tô a fim de detonar meu plano de saúde e os benefícios que ele me fornece.

- O melhor remédio e o melhor analista, por enquanto, no seu caso, é você mesma. E você tem consciência disso.

- Mas tenho que voltar? Prá que?

- De repente descubro que você é uma hipocondriaca, dessas que aparecem querendo um remedinho para dormir. Mas, entendeu o texto mocinha tagarela?

- Ham Ham! Então tenho que me acostumar a ser normal?

- Mais ou menos: de médico e louco, todos temos um pouco. Estou há trinta e cinco anos me acostumando a ser médico. Pare de se cobrar que tudo dá certo. Seja o seu amante.

louco 1

QUEM É O SEU AMANTE?**

(Dr. Jorge Bucay - PSICÓLOGO - tradução do original 'Hay que buscarse un Amante)

Muitas pessoas têm um amante e outras gostariam de ter um.  Há também as que  não têm, e as que tinham e perderam.  Geralmente são essas últimas as que vêem ao meu consultório para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de  insônia, apatia, pessimismo, crises de choro ou as mais diversas dores.

Elas me contam que suas vidas transcorrem de forma monótona e sem  perspectivas, que trabalham apenas para sobreviver e que  não sabem como  ocupar seu tempo livre. Enfim, são várias as maneiras que  elas encontram  para dizer que estão simplesmente perdendo a esperança.

Antes de me contarem tudo isto, elas já haviam visitado outros consultórios,  onde receberam as condolências de um diagnóstico firme:  'Depressão', além da inevitável receita do  anti-depressivo do momento.

Assim, após escutá-las a tentamente, eu lhes digo que  elas não precisam de  nenhum anti-depressivo; digo-lhes que elas precisam de um  AMANTE! É  impressionante ver a expressão dos olhos delas ao  receberem meu conselho.

Há as que pensam: 'Como é possível que um profissional se atreva a sugerir  uma coisa dessas?' Há também as que, chocadas,  escandalizadas, se despedem e  não voltam nunca mais.  Àquelas, porém, que decidem ficar e não fogem horrorizadas, eu explico o seguinte: AMANTE é 'aquilo que nos apaixona'. É o  que toma conta do nosso pensamento antes de pegarmos no sono e é também aquilo  que, as vezes, nos  impede de dormir.

O nosso AMANTE é aquilo que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta. É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida. Às vezes encontramos o nosso amante em nosso parceiro, outras, em  alguém que não é  nosso parceiro, mas que nos desperta as maiores paixões e  sensações  incríveis. Também podemos encontrá-lo na pesquisa  científica ou na  literatura, na música, na política, no esporte, no trabalho, na necessidade de transcender espiritualmente, na boa mesa, no estudo ou  no prazer  obsessivo do passatempo predileto...Enfim, é 'alguém' ou 'algo' que nos faz  'namorar' a vida e nos afasta do  triste destino de 'ir levando'.

*E o que é 'ir levando'? Ir levando é ter medo de viver. É o vigiar a forma como os outros vivem, é o se deixar dominar pela pressão,  perambular por  consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos,  afastar-se do que é gratificante, observar decepcionado cada ruga nova que o espelho mostra, é se aborrecer com o calor ou com o frio, com a umidade, com o sol ou com a chuva. Ir levando é adiar a possibilidade de desfrutar o hoje,  fingindo se contentar com a incerta e frágil ilusão de que talvez possamos realizar algo amanhã*.

Por favor, não se contente com 'ir levando'; procure um amante, seja também um amante e um protagonista... DA SUA VIDA!  Acredite: o trágico não é morrer; afinal a morte tem boa memória e nunca se esqueceu de ninguém. O trágico é desistir de viver; por  isso, e sem mais  delongas, procure um Amante ...

A psicologia, após estudar muito sobre o tema, descobriu  algo  Transcendental: 'PARA SE ESTAR SATISFEITO, ATIVO E  SENTIR-SE JOVEM E FELIZ, É PRECISO NAMORAR A VIDA.'