segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Perder sem se perder

“…Algo novo se posta junto da poltrona onde talvez estivéssemos inocentemente vendo televisão. Uma palavra ouvida, uma frase lida, um rosto novo, um velho conhecido, um quase-nada nos toca. Saimos do gostoso torpor, botamos a cabeça fora do casulo para ver melhor.

Podemos optar:

Vou ficar dormindo.

Vou até a próxima esquina ver o que acontece.

Esse momento define a continuação de uma existência em movimento ou cristalizada, afinada ou fora de sintonia.

Essa possilibidade de escolher assusta mas é apenas um sinal de que estamos embarcados, estamos em movimento e em transformação.

Talvez a gente nem compreenda ainda, mas a sorte – que prepara as armadilhas boas e ruins onde fatalmente cairemos porque estamos vivos – sorri acenando com a nossa nova amante: a vida.

O futuro pousa outra vez na nossa mão.”

(Lya Luft, in Perdas & Ganhos)

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O elevador

 

Só comecei a me preocupar com a gripe suina essa semana. Estive em São Paulo e pude perceber um monte de gente andando com máscaras higiênicas pelas ruas. Ainda em Sampa, maridão me ligou e avisou que a  faculdade, após reunião com a Secretaria Estadual de Saúde, decidiu suspender as aulas em todas as unidades de ensino – “retornaremos às aulas no dia 17”. Ainda meio desconfiada, penso: “beleza, sem pressa para retornar”. Mas, o que adianta suspender as aulas se  preciso ir ao fórum, banco, supermercado, pegar ônibus, van, metrô, trem, avião? Se irei, de qualquer forma, estar rodeada de gente por metro quadrado?

Entrei no elevador meio que lotado e, entre um andar e outro, o  ascensorista espirrou. “É a treva” – disse a menininha para a mãe após o espirro.

Há algum lugar seguro onde eu não precise ficar desconfiada por estar no meio de gente que espirra, tosse, não lava as mãos, não usa lenços descartáveis e respira o mesmo ar que respiro?

- Saúde! – desejaram ao ascensorista.

- Para todos nós. Aqui no prédio tem uma agência que faz turismo para o Chile. Respondeu o ascensorista de forma simpatica e seguido de outro espirro.

- Não falei mamãe que era a treva? – Complementou a garotinha.

PS: Dúvidas sobre a gripe suina? Consulte o site “Resposta a Gripe Suina”

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Deleite…

 

Tudo me gira em torno. A expectativa me faz sentir vertigens.
O deleite imaginário é de tal modo doce
Que me encanta os sentidos.
(Shaekespeare, em Tróilo e Cressida, III:11)

E, em pleno deleite, apresento-vos dois espaços maravilhosos. Que valem muito a pena serem conhecidos, indicados e reverenciados. Sou fã dos dois.

Linhas do Desassossego – de Wagner Marques, um cara de Garanhuns/PE. Que, como ele mesmo diz - “numa maneira desesperada de suportar a vida” - encanta com textos ma-ra-vi-lho-sos. Conheci Wagner com seus pitacos no meu espaço de poesia.

Como era bom fazer sexo – do Paulo Tamburro, um cara *fodástico aqui do RJ. Aliás, o Paulo já possui um outro blog chamado Humor em Texto. Mas essa nova cria dele me fez, literalmente, mijar de tanto rir.

Duas linhas diferentes e que abrilhantam em leitura. Meninos, do jeito que vocês andam criativos vou ter que aumentar as sessões de fisioterapia na cervical e deixar quadrada minha derrière – mas somente quando a ociosidade novamente me permitir em horas, dias…ou alguns breves minutos no balançar na rede.

* Desculpem pelo fodástico, mas para Tamburro não há outro adjetivo; ele é foda.

 

sábado, 1 de agosto de 2009

Cadê Você?

 

Calma. Não quero saber por onde andam os queridos blogueros que andam sumidos. Na verdade, sou da corrente minoritária que acredita num mundo muito além dos muros virtuais. Quanto menos eu precisar sentar minha derrière na cadeira e ficar alimentando minha tendinite, melhor para mim e minha cervical também agradece.

Recentemente li num portal de notícias  que um blog foi criado por amigos ou  familiares dos policiais que estão sendo acusados do desaparecimento e morte da engenheira  Patricia Franco. Fui lá, vi, li e conferi. Eles procuram, de alguma forma, arrumar uma outra explicação para o “aparentemente óbvio” e que pode não ser tão “aparentemente óbvio”.  Eles questionam o procedimento investigatório e da polícia técnica.  E particularmente, não vejo nada demais familiares ou amigos tentarem provar a inocência dos acusados. Até porque não temos, em nossa polícia técnica os famosos CSI´s, Medical Detectives ou os agentes do Criminal Minds; e, a familia deve correr atrás se acredita que houve falhas na investigação; contratar peritos particulares – é um caminho. Além do mais, os anais da justiça criminal já demonstrou tanta injustiça e tanta lacunas não preenchidas sob o prisma do clamor público que meu desconfiômetro sempre fica ligado. Não sei se os policiais são realmente culpados, mas creio ser direito da familia/amigos dos acusados manterem um espaço, divulgar sua tese e tentarem provar a inocência deles.

Na verdade, ando mais preocupada com as balas de fuzis que são capazes de furar um carro blindado e que andam entrando no Rio de Janeiro; e numa coincidência incrivel, na mesma semana chefes do tráfico estavam prestes em retornar a sua terra natal num ping-pong de vai ou fica? Enquanto a midia divulga que mais de duas mil balas foram apreendidas, outras milhares já entraram na cidade. Aliás, alguém duvida que àquela moça que foi presa ao portar uma mala carregada de fuzis era apenas uma bucha para distrair a atenção da quantidade real que está entrando?

Esse caso de Patricia, desde o inicio, me pareceu muito estranho; o local do acidente/desaparecimento não é um local ermo. Por ali existem residências, restaurantes carérrimos, terminal de ônibus, pessoas que madrugam para caminhar na praia e ver o sol nascer no quebra-mar, aldeia de pescadores, marina e uma bela placa onde se lê: “Sorria, você está na Barra” (ou coisa parecida). Fora isso, um carro caindo de uma certa altura, não é coisa inaudível.

Mas enquanto muitos silenciam, uns defendem e outros acusam; várias perguntas continuam sem respostas. E como não sou muito fã de Direito Penal…continuo com as perguntas sem respostas.

Cadê Patricia Franco?

Cadê Priscilla Belfort?

Cadê os meninos de Acari?

Cadê Carlinhos Ramires? (famoso caso dos anos 70)

Cadê o Anderson?

Quem é Anderson? Ele foi um amigo meu da adolescência que desapareceu após se envolver com a mulher errada – era mulher de policial.  Até hoje o corpo de Anderson não foi localizado, a familia acabou, a mãe dele pirou, a esposa casou novamente. E lá se vão mais de 15 anos. Os policiais foram julgados e condenados. E como o destino é incrivel, meu antigo professor de Direito Penal, foi advogado dos policiais acusados do desaparecimento de Anderson. Assisti ao Juri – como aluna. Mas, no caso do Anderson, várias pessoas serviram de testemunhas e os policiais puderam ser identificados. E como eu sempre digo: até os diabos precisam de advogado, desde que pague os honorários – é claro – não aceitamos almas como forma de pagamento!