Começou o processo de canonização, como sempre comandado pelos hipócritas. Michael Jackson, o negrinho metido a branquelo, o pedófilo, o malucão de todas as manias, agora é reconhecido, pelos mesmos que o crucificaram em vida, como o artista importante que foi - um dos maiores do século XX. O que mais se vê na mídia é gente chorando lágrimas de crocodilo. Mas Michael, na morte como na vida, está muitos quilômetros acima dessas miseráveis carpideiras. (Aguinaldo Silva, em seu blog)
Nada mais a acrescentar ao comentário de Aguinaldo Silva. Estava faltando mais alguém vomitar, além de meu amigo Adão Braga em seu brilhante texto.
Escolhi Happy, no post anterior, como forma de demonstrar meu luto, minha tristeza, meu nó na garganta; a cremação de parte de minha adolescência dançando de rostinho colado nas festas americanas, do primeiro beijo roubado no ponto de ônibus. Não vivi Rodolfo Valentino – não fui uma de suas viúvas. Não amei, nem rebolei com Elvis. Não transcendi com os Beatles. Vivi, transcendi, amei, dancei, curti, respirei, sonhei, beijei com Michael e pirei com Cazuza: “meus heróis morreram de overdose”. Overdose de vida.
Morre o homem. Fica o mito – assim falou alguém que não sei quem. O homem que se isolou do mundo, mas soube abrir frestas de sua janela para observar o mundo. Somente os grandes mitos sabem abrir frestas e deixar em sua lápide obras como Heal The World…e são capazes de mobilizar uma humanidade em lágrimas e homenagens (vejam a homenagem em dança feita pelos presos nas Filipinas – em trabalho coordenado por Byron Garcia, diretor do presidio) e conseguir a redenção “temporária” dos hipócritas.
Michel – o mito - será ressuscitado pelos educadores, sociólogos, psicólogos, criticos. Michael – o homem, o menino Peter Pan - morreu. A música? Essa é eterna. E eu fico com a música.
Heal the world
Make it a better place
For you and for me
And the entire human race
There are people dying
If you care enough for the living
Make it a better place
For you and for me