sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Ficando mocinha

 

menina-moça- Tia Beth, tenho uma coisa para te contar. Fiquei mocinha.

- Caraca…que merda heim?

- Pôxa tia…a senhora acha uma merda eu ficar mocinha?. 

- Não meu amor, eu acho uma merda menstruar. Vai ser um saco sangrar todo mês, sujar as calcinhas, se policiar nos seus modos ao sentar, cruzar as pernas, não poder usar roupa branca naqueles dias famigerados, pois corre o risco de você parecer a bandeira da Suíça ou da Dinamarca. O pior mesmo é começar a olhar o menino mais bonito da escola como o lobo-mau que vai te desvirginar quando na verdade ele não tá nem ai para você, ele só pensa em jogar bola com os amigos e você, na visão dele, ainda é um ser esquisito rodeada de outros seres mais esquisitos. E tua avó vai ficar falando, tua mãe te orientando, teu pai tendo ataques de ciúmes, teu irmão te dedurando e tuas tias e primas vão dizer: parabéns. E as cólicas? PQP…que merda são as cólicas que te deixam travada em cima de uma cama e tomando buscopan. Pior mesmo é ouvir a avó falar: Quando casar passa…

- O que tia? Como assim?

- Por sua vez, vai ser lindo ver os seios despontarem, comprar o primeiro sutien, a vaidade desabrochar, o brilho no olhar acontecer, o coração palpitar…quando ele, o futuro lobo-mau,  cruzar por você. O desejo do primeiro beijo, o primeiro arrepio involuntário, a primeira espinha, as formas tomando conta de você, o diário menina-moça1 secreto, os cadernos de respostas e perguntas, o segredos trocados com as melhores amigas de toda uma vida. Ahhhh meu amor, parabéns ! Posso contar para o tio benhê?

- Tia, você é muito engraçada, por isso que eu queria logo te contar a novidade. Claro que pode contar ao tio.

E quando o tio soube, foi logo dizendo: Fudeu…vai ser àquele esquenta em cima, esquenta em baixo,…cuidado heim mocinha! Agora é que o bicho pega. Esse lance de ser adolescente hoje em dia é uma merda…sexo, drogas, internet, rock n´roll…cuidado…muito cuidado.

- Ai credo tio! Foda ter tios tipo assim…muito fodas.

Em unissona voz, proferimos: “olha o palavrão…mocinha”

Agora, findada as férias, longe e já saudosos dela ficamos olhando as fotos tiradas e os videos editados, comentamos: “Ela está ficando linda, uma mocinha. E que linda moça

 

Menina e Moça

(Machado de Assis)

Está naquela idade inquieta e duvidosa,
Que não é dia claro e é já o alvorecer;
Entreaberto botão, entrefechada rosa,
Um pouco de menina e um pouco de mulher.


Às vezes recatada, outras estouvadinha,
Casa no mesmo gesto a loucura e o pudor;
Tem coisas de criança e modos de mocinha,
Estuda o catecismo e lê versos de amor.


Outras vezes valsando, e seio lhe palpita,
De cansaço talvez, talvez de comoção.
Quando a boca vermelha os lábios abre e agita,
Não sei se pede um beijo ou faz uma oração.


Outras vezes beijando a boneca enfeitada,
Olha furtivamente o primo que sorri;
E se corre parece, à brisa enamorada,
Abrir asas de um anjo e tranças de uma huri.


Quando a sala atravessa, é raro que não lance
Os olhos para o espelho; e raro que ao deitar
Não leia, um quarto de hora, as folhas de um romance
Em que a dama conjugue o eterno verbo amar.


Tem na alcova em que dorme, e descansa de dia,
A cama da boneca ao pé do toucador;
Quando sonha, repete, em santa companhia,
Os livros do colégio e o nome de um doutor.


Alegra-se em ouvindo os compassos da orquestra;
E quando entra num baile, é já dama do tom;
Compensa-lhe a modista os enfados da mestra;
Tem respeito a Geslin, mas adora a Dazon.


Dos cuidados da vida o mais tristonho e acerbo
Para ela é o estudo, excetuando talvez
A lição de sintaxe em que combina o verbo
To love, mas sorrindo ao professor de inglês.


Quantas vezes, porém, fitando o olhar no espaço,
Parece acompanhar uma etérea visão;
Quantas cruzando ao seio o delicado braço
Comprime as pulsações do inquieto coração!


Ah! se nesse momento alucinado, fores
Cair-lhes aos pés, confiar-lhe uma esperança vã,
Hás de vê-la zombar dos teus tristes amores,
Rir da tua aventura e contá-la à mamã.


É que esta criatura, adorável, divina,
Nem se pode explicar, nem se pode entender:
Procura-se a mulher e encontra-se a menina,
Quer-se ver a menina e encontra-se a mulher!

 

 

domingo, 25 de janeiro de 2009

Ossos do Ofício

 

Rio de janeiro_Page000

Recentemente, uma familia de Santos me contratou para fazer um city-tour, em épocas diferentes, num período de poucas horas;  durante uma parada  de um cruzeiro marítimo que estão fazendo pelo litoral brasileiro. O primeiro city-tour foi feito um um lindissimo dia de sol, dias antes do meu embarque para Porto Seguro. O segundo city será daqui alguns dias…

Por aqui, enquanto eu estava em Porto Seguro, só choveu!! Hahahaha….e lá muito sol, sol, sol. E por falar em chuva, putz,  a situação das estradas, algumas cidades por quais passei…JESUS CHRIST…só tristeza devido as enchentes de dezembro e ainda vistas, da janela do ônibus. Adoro viajar de avião, já passei anos de minha vida em aeroportos fazendo ponte-aerea Rio/Recife/Rio, mas as viagens rodoviárias nos aproximam mais da realidade. Mas isso é assunto para um outro tópico.

Voltemos ao city. Putz…que legal ! Adoro essas coisas meio que corridas de  apresentar a cidade em tão poucas horas disponíveis – àquele roteirinho básico que gringo adora, turista brasileiro deslumbra-se  e carioca reclama. Fazer city-tour é um dos meus trabalhos preferidos – eu juro -, principalmente por adorar minha cidade. É o que chamo de trabalhar com prazer e lazer.

E como o Rio de Janeiro continua lindo visto dos seus mais belos pontos turisticos! Mas de todo àquele roteiro básico de city-tour, ir ao  Cristo Redentor, em pleno fervo de alta temporada,  é um inferno; principalmente se for num final-de-semana..

Epa…me perdoe Christ Redeemer…peço perdão pelo inferno proferido diante do inferno encontrado numa das sete maravilhas do mundo moderno. Ir ao Cristo Redentor em plena alta temporada é um programa de indio emocionante e desesperador. Mas depois do escândalo de desvio de verba ocorrido em 2007 na cobrança do pedágio e que chegava a estimativa de 300 mil reais por mês – cerca de 90% da arrecadação –, filas quilométricas de carros, das licitações feitas posteriormente para regularizar a situação; pensei que nessa alta temporada as coisas estarariam mais “mamão com açucar”. Afinal, escândalo resolvido, licitação feita, organização mais transparente…mas não esperava a famigerada confusão a vista, filas e mais filas, sobe e desce, entra e sai. Aliás, brasileiro adora encarar uma fila para isso e outra para aquilo.

Para chegar ao Cristo Redentor há 3 opções:

1 – Ir de trenzinho = R$ 45,00 (lindissima vista)

2 – Ir de Van = R$ 45,00 (ainda tem o previlégio de parar no Mirante Dona Marta)

3 – Ir de carro e lá em cima, na entrada do parque, estacionar o carro em qualquer ponto da estrada, andar a pé e pegar uma van autorizada por licitação que te deixa nas escadarias que leva até a estátua = R$ 13,00. Chegando nas escadarias, você encarar um outra fila para entregar o ticket que você recebeu da van autorizada por licitação.

Legal…tudo lindo e maravilhoso. Boas opções com excelente preços. Mas como nada é perfeito em um final de semana de alta temporada, acontece o seguinte.

1 – Se for de trenzinho então acorde cedo e garanta seu lugar, caso contrário, você compra um ingresso; mas sairá 2 horas depois.

2 – Se for de van. Ótimo, os caras são nota dez em gentileza e presteza. Mas em determinado ponto você pega congestionamento, desce da van e fica num fila enorme aguardando o ticket (que os caras compram para você – já incluso no preço) e um novo embarque em outras vans (àquelas que cobram R$ 13,00 e que te deixam nas escadarias). Perde-se as mesmas duas horas do item 1.

Aliás, uma sugestão: esses mesmos caras que fazem o transporte da Rua das Laranjeiras até o “pedágio” onde compra-se ticket´s para entrar nas outras vans que levam até a escadaria do Cristo Redentor, poderiam também entrar no parque e deixar os turistas no pátio da escadaria. Eu, como turista, veria como uma grande desorganização esse sobe e desce, entra e sai em van´s. O tempo que se perde com isso, é muito desagradável. O bom é que enquanto você espera na fila, observa-se macacos-prego, borboletas, cobras, passarinhos cantando alegremente depois da redução de gás-carbônico na floresta e que eram emitidos em grande massa pelos carros que ficavam buzinando e testando a capacidade de resistência dos seus freios e embreagens. Hoje, um esplendor de natureza ao teu redor, agradece .

3 – De carro. Liberdade pura. Mas o foda é deixar o carro longe, caminhar a pé com crianças e idosos, encarar fila para comprar o ticket da van, ir para a fila da van e depois retornar a pé para o carro. Chegue cedo, estacione perto e seja um dos primeiros a encarar a fila do ticket.

Hoje, quando pedem para fazer o roteiro do city-tour de poucas e rápidas horas, em plena alta temporada, coloco como opção de chegada ao Cristo: “Vôo de helicoptero” – barato, rápido e igualmente emocionante. Com quatro opções de decolagem: Lagoa / Pão de Açucar / Mirante Dona Marta / Porto do Rio; e nove opções de roteiro com preços diversos.. Luxo só…aliás um luxo que pedi de presente de aniversário, só faltando escolher qual dos nove roteiros de vôo eu quero fazer.

Mas querem minha opinião de guia/agente, cidadã e apreciadora dessa cidade babilônica maravilhosa? O Pão de Açucar é um espetáculo a parte. Principalmente para os apreciadores de fotografias, imagens, recantos escondidos. VÁ AO PÃO DE AÇUCAR.

Mas Beth, a gente que tirar foto com o Cristo Redentor ao fundo e temos medo de voar” – Putz…legal…lá vou eu deitar no chão para pegar a melhor posição dos turistinhas com o Christ Redeemer ao fundo. Ossos do ofício…!

cristo-redentor-maravilha

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Esqueci disso tudo aqui….

 

DSC07516Trabalhar com turismo é bem gostoso, mas é um trabalho bem cheio de responsabilidades operacionais e civis. Qualquer vacilo é uma dor de cabeça daquelas que nem a Neosa, Jesus ou Buda  resolvem.

Quando minha mãe diz: “Quero fazer excursão  para tal lugar”…putz, começa a minha dor de cabeça com a operacionalidade de um roteiro, reservas e etc e tal – fico noites e noites sem dormir até ter o feedback de todos os cantos e recantos dos contatos, agências, contratos fechados e devidamente assinados. Normalmente essas coisas acontecem com alguns meses de antecedência e é extremamente cercado e vigiado até a véspera da viagem.

Mas, o que mais me estressa não é guiar o grupo, acompanhá-los e contar detalhes históricos de determinado lugar - quando domino o mesmo – caso contrário, contrata-se guia local para fazer àquele city-tour básico. O que mais me estressa é fazer todo o operacional, que foi  preparado previamente, dar certo antes mesmo do desembarque acontecer. Com isso, prever todos os contratempos é coisa de bater palmas para maluco dançar. Deixar tudo pronto e cronometrado é uma dor de cabeça daquelas que só compensa mesmo ao ver o resultado final: as fotos, os videos, as despedidas, trocas de telefones, amigos ocultos, as lembranças que restaram, as novidades contadas.

Me desligo de tudo quando estou trabalhando com receptivo, quando estou no meio de confecção de um roteiro, ou de uma viagem em andamento. Mas fico observando os passageiros e  não entendo como eles, ou melhor, como alguns  podem viver em lan house´s, internet e etc e tal…estando em lugares lindos e cheios de grandes informações, novas culturas, cores e encantamento a  olhos vistos. Seria pressa em contar as novidades? Em registar por letras os fatos vistos em fotos? Espalhar para o mundo: “Ei…estou em Porto Seguro, estou no RJ diante do Cristo Redentor, estou em Bonito…” Mas para que pressa diante do descanso tão procurado? Enfim…mesmo trabalhando eu me divirto como se cliente fosse e respiro cada canto da cidade onde estou.

Me desliguei de tudo e todos. Mas…como nada é perfeito e há mais trabalho para ser agendado e operacionalizado, faculdade começando, então tive que retornar…mas é àquele retorno com vontade de ficar mais uma cadinho…após esquecer os dias, as horas, os minutos e segundos diante de dias de puro sol, mar, descontração, relaxamento…e uma boa preguiça baiana com uma pitada de caldinho de sururu, caranguejo e muito camarão. E ainda sem entender o que prende as pessoas ao mundo virtual diante de tão lindo mundo real que brilha como o sol diante dos olhos dos navegantes…talvez seja o fato de que tudo é perene, passageiro, com data de retorno.

 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

E que venha 2009

 

Brasileiro já entra no ano novo pensando no carnaval, por isso dizem que o Ano Novo só começa, literalmente, após o bumbum paticubum prugurundum. Mas, como o carnaval esse ano só acontece no inicio de março, então, essa realidade movida a lisérgicos, obrigatoriamente vai ter que ser antecipada na mente dos seguidores de Momo naquela forma de aturar, suportar e cumprir suas obrigações de cidadão cumpridor de seus deveres(IPVA, IPTU, material escolar, renovação de matricula…) antes que os tambores rufem e anunciem a festa pagã.

Por aqui, os dias de Festas foram ótimos.  Alienada diante dos noticiários, curtindo muito presentinho, peixinho, cervejinha, praia, sol, chuva, beijinhos, stress…enfim…coisas normais para seres mais normais ainda. Mas o foda mesmo é ter a certeza de que Deus não me deu paciência para aturar certas coisas. Para ser mais especifica ainda, foi um verdadeiro exercício de paciência nirvânica  aturar sete horas de um congestionamento quilométrico, em plena segunda-feira de tarde. Uma viagem que normalmente leva duas horas, ser feita em sete horas numa marcha de primeira, segunda e a quase 10 km por hora, é um teste pelo qual não pretendo mais passar. E dou graças a Deus que foi um congestionamento com muita chuva, caso contrário, seria um “dia de fúria” encarar essas sete horas com sol escaldante e vendedores ambulantes oferencendo isso ou aquilo o tempo todo.

Enfim, o ano de 2009 começou…mas para mim só começará mesmo após meu retorno de Porto Seguro/BA, para onde irei na próxima semana e  onde pretendo tomar muito capeta, andar de saveiro, de ultraleve,  passar meus dias dançando axé, minhas noites tomando todas na passarela do alcool e dando muito beijo safado na boca do meu benhê.

Tô com vida de nababo? Que nada! Estou indo levar um grupo de turistinhas alucinados para Porto Seguro/BA, mas consegui arrastar o benhê e mais uns amigos, e nas folgas além da lua-de-caipirinha com o benhê, dar uma de praiera, vou meter de novo a compreender que o baiano é: Um povo a mais de mil. Ele tem Deus no seu coração. E o Diabo no quadril…

Esse complexo do Tôa Tôa, em Porto Seguro…é loucura, loucura, loucura !!!

Enfim, um feliz começo de ano para quem fica, para quem vai, para quem dança e para quem balança…na corda bamba !!!